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21 de março de 2009

Você disse tudo!

DO AMOR

Assim que se é posto à prova,
na cinza do óbvio, quando
atrás de um caminhão vazando
o homem que pediu a sua mão
informa:- 'está transportando líquido'.
Podes virar santa se, em silêncio,
pões de modo gentil a mão no joelho dele
ou a rainha do inferno se invectivas:
-'claro, se está pingando, querias que transportasse o que?'

(Em "Oráculos de maio", 1999)

Adélia Luzia Prado Freitas nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, no dia 13 de dezembro de 1935. Professora, começou a escrever em 1950, após a morte de sua mãe, Ana Clotilde Corrêa. Em 1973 forma-se em filosofia, um ano após a morte de seu pai, o ferroviário João do Prado Filho.
Na opinião de Carlos Drummond de Andrade, "Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: esta é a lei, não dos homens, mas de Deus. Adélia é fogo, fogo de Deus em Divinópolis".


"Não sou matrona, mãe dos Gracos, Cornélia,
sou é mulher do povo, mãe de filhos, Adélia.
Faço comida e como.
Aos domingos bato o osso no prato pra chamar o cachorro
e atiro os restos.
Quando dói, grito ai,
quando é bom, fico bruta."

(Grande desejo in Poesia reunida)

4 de dezembro de 2008

DÉJA VU

Nenhuma verdade me machuca
Nenhum motivo me corrói
Até se eu ficar
Só na vontade, já não dói
Nenhuma doutrina me convence
Nenhuma resposta me satisfaz
Nem mesmo o tédio me surpreende mais

PITTY


Definição:

Transtorno de reconhecimento (paramnésia) que dá ao paciente a impressão de já ter visto ou vivenciado anteriormente determinada situação presente e nova. Pode ocorrer em pessoas normais ou em portadores de foco irritativo (disrítmico) temporal.

A sensação é tão enigmática que prima exatamente por surgir tão subitamente quanto o próprio desaparecimento, não sem antes deixar aquele fiozinho de estranheza que incomoda a pessoa enquanto o olhar percorre o local em busca da familiaridade perdida naquele lampejo mental.
A sensação é vista, então, como algo que tem origem física (como o frio sentido pela pele), é experimentada, e que termina por ter conotações psicológicas (o frio remete ao medo, por exemplo), relacionadas a algum acontecimento.

Baseado neste preceito, o Dèjá Vu pode ser visto como um fenômeno possível em uma sociedade que prima por administrar as sensações. Não se é permitido sentir da mesma maneira que tempos atrás, o que acaba por permitir que o estado de familiaridade súbita aflore com mais freqüência.


Explicações distintas de especialistas

Especialistas em neurologia atribuem ao fenômeno o status de ser uma experiência baseada na memória e que os centros de memória do cérebro são os responsáveis pelo fenômeno. Tais sensações acontecem principalmente nas pessoas de 15 a 25 anos e cerca de 60 a 70% das pessoas afirmam que já tiveram o fenômeno alguma vez na vida.
Não se pode deixar de mencionar também as pessoas que atribuem sentido religioso ao Dèjá Vu, principalmente relacionado a vidas passadas. De maneira geral, o fenômeno passa, então, a ter uma dimensão literal do "já vivido", sob a perspectiva de que determinado acontecimento efetivamente aconteceu. Só que em vidas passadas.


Mas eu sinto que eu tô viva
A cada banho de chuva
Que chega molhando o meu corpo
Mas eu não tenho pressa
Já não tenho pressa
Eu não tenho pressa
Não tenho pressa

fonte:

http://www.redepsi.com.br/portal/modules/wordbook/entry.php?entryID=169

http://www.gazetadepiracicaba.com.br/conteudo/mostra_noticia.aspnoticia=1605816&area=26050&authent=7FFFBCAE6171530EBE8BBA72001239

28 de outubro de 2008

A força da vida na memória dos mortos


"Abra minha mente, suco de sabedoria"..(HOMER)
"Álcool... A causa e solução de todos os problemas." (HOMER)

Apesar de que a sociedade moderna evita pensar sobre a morte e disfarçar o medo que esta provoca, a memória dos falecidos continua sendo muito celebrada pelas culturas populares da América Latina, a partir das tradições indígenas e negras. Em muitas paróquias católicas, a lista das pessoas falecidas é lida no começo das missas. No México e nos Andes, os dias 01 e 02 de novembro são datas de grandes comemorações festivas nos cemitérios e nas casas. As pessoas integram o mistério da morte na trama da vida. Até pelo modo como falam da partida. Uma lenda africana conta que Deus encarregou o camaleão de levar aos humanos a notícia de que poderíamos ser imortais e o segredo para o conseguirmos. Ao mesmo tempo, deu ao lagarto a missão de nos avisar que seríamos mortais. O camaleão atrasou-se e o povo só recebeu a comunicação do lagarto. Assim, por causa de um atraso, sofremos a morte. No Brasil, a religião dos orixás acredita que a bênção de Deus se manifesta por uma vida longa e fecunda. É normal alguém morrer velho, em sua casa, acompanhado por filhos e netos. Não se deve morrer jovem, em meio a uma vida não resolvida. Menos ainda se pode morrer de acidente ou violência.


As culturas indígenas também insistem na unidade e integração entre o mundo dos vivos e a influência dos mortos e antepassados no clã. Os vivos convivem com os seus mortos. No universo, há um equilíbrio de vida e morte. A morte é uma invenção sábia da vida para que ela possa permitir a pessoa emergir no universal. De acordo com essa sabedoria, a morte faz parte da vida. A gente começa a morrer no dia em que nasce. Dados da ciência concordam com isso. Desde a concepção, o programa genético de cada pessoa já determinaria o seu tempo de vida, desde que não haja acidente de percurso e a pessoa não nasça num país onde, como dizia Guimarães Rosa, "viver é sempre muito perigoso".


O mundo de hoje rompeu com essa sabedoria. Educa-nos a não falar no assunto, nem nos preparar para a morte. Isso é péssimo, porque quando a vida é desumanizada, a morte também perde o seu sentido. É dessacralizada e com ela não aprendemos mais nada.


Curso de Psicologia Transpessoal


Decidi ser monge quando tinha dezoito anos. Nos primeiros dias, um dos costumes que mais me espantou foi o dos monges recrearem, passeando sobre os túmulos dos falecidos. Conversavam sobre os assuntos do dia a dia, pisando em lajes antigas, ou mais novas, escritas em latim, indicando que ali jaziam irmãos que viveram e faleceram na busca da intimidade de Deus. Perguntei o porquê daquele costume. O mestre me respondeu: "Vive bem quem, cada dia, convive com a morte. Em Deus, todos nós estamos vivos". Não compreendi. Mas, no mosteiro, aprendi a ver a morte não como tragédia incompreensível e sim como dor de parto que gera vida nova. Vi muitos monges morrerem. Quando a hora da partida chega para um irmão, a comunidade faz dobrar o sino maior do Mosteiro e se reúne junto ao leito do moribundo. Todos cantam novamente o cântico da consagração que aquele irmão entoou no dia em que se tornou monge e, assim, entregam a Deus aquele monge que parte.


Conheci um monge que estava moribundo. Quando a comunidade fez esta oração ao pé do seu leito e o entregou a Deus, ele disse as seguintes palavras: "Bem vinda sejas, irmã morte. Dá-me mais um dia para eu me converter e me reconciliar com quem não amei bastante. Depois, vem me buscar".Entre os monges antigos, era comum esta convivência com a morte, não por um desprezo à vida, mas, ao contrário por uma integração entre vida e morte. Um dos monges que me impressionaram neste particular foi Dom Plácido de Oliveira, compositor e autor de vários hinos que, durante anos, cantamos. Ele soube pelo médico que estava com câncer de fígado e em estado final. Um dia, despertou de um momento de coma. Ouviu o toque do sino. Olhou ao redor e viu a comunidade reunida, renovando sua consagração. Compreendeu o que aquele rito significava. Deixou os irmãos acabarem o cântico e fez sinal de que queria falar ao abade. Sussurrou: "Já que vou morrer, quero comer uma maçã assada e beber um cálice de vinho". Comeu, bebeu e entregou o espírito a Deus. Parece uma das histórias da morte de São Francisco.
Independentemente da sua tradição religiosa, a memória dos seus mortos refará em sua vida "a aliança das gerações", capaz de garantir a paz e a sobrevivência harmoniosa da humanidade.

* Por Marcelo Barros *Monge beneditino e escritor
fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?cod=35700&lang=PT

20 de setembro de 2008

João 8:32

Pra quem assistiu o globo repórter ontem, sobre amizade, que meigo! No entanto o mais interessante foi isso aqui:




"Uma grande descoberta, peça-chave em um dos maiores quebra-cabeças do século 21. Quase todo mundo já ouviu falar que o código genético é o livro da vida, escrito antes do nascimento. Mas ao contrário do que se pensava, com o passar dos anos, o cérebro dá aos genes – as famosas moléculas da hereditariedade – inúmeras interpretações. É o que se poderia chamar de livre-arbítrio genético. Ou seja, grupos diferentes de genes podem ser ativados ou desativados dependendo do que fazemos com as nossas vidas.


‘Foi uma surpresa perceber que os genes não são estáticos, que eles podem ser ligados e desligados. E isso traz conseqüências’, diz a pesquisadora. ‘Se um gene é ativado, temos uma determinada reação. Se ele é desativado, algo diferente vai acontecer’. "





Uma das grandes perguntas da minha vida (e de muita gente), é sobre o destino, acabei adotando um meio termo, os pontos de destino, há coisas que não podem ser controladas precisam acontecer naquele momento pra que haja um crescimento em função de algo maior, e quando acontece este é sempre o momento certo, por mais doloroso que seja.


Quantas pessoas por aí podem contar histórias de como se salvaram de uma grande tragédia; um ponto de destino seria você acordar pela manhã como sempre, viver seu dia automaticamente, e de repente algo muda totalmente o rumo da sua vida, dos seus planos, o caminho que você traçou, esse meio termo tem uma função básica: acreditar em algo maior e ao mesmo tempo impedir a inércia, o dar de ombros, o deixa pra lá, o deus é que sabe,
Mas até que ponto ele sabe?





fonte: http://globoreporter.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-20190-4-329035,00.html
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