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6 de janeiro de 2009

A QUESTÃO DA AFETIVIDADE

Barreto (apud Velthuis; Ferreira, 2004) define a afetividade como:

“O conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos e paixões acompanhados sempre de impressão de dor, prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de alegria ou tristeza.”

Para Wallon (apud Almeida; Mahoney, 2005) a afetividade refere-se à capacidade do ser humano de ser afetado pelo mundo externo/interno por sensações agradáveis e desagradáveis, o autor ainda diferencia afetividade de emoção, esta como a exteriorização da afetividade, sua expressão motora; do sentimento referindo-se a expressão representacional da afetividade; e da paixão, esta “revela o aparecimento do auto controle para dominar uma situação (idem)”.

O ser humano tem como características possuir vínculos afetivos, a sua afetividade mostra-se na interação com o mundo escolar, sua comunidade, os conteúdos, com a escola como instituição que possui uma história e características próprias, na relação com os alunos, com o professor e com ele mesmo. Em relação ao educador e a afetividade Velthuis e Ferreira (2004) afirmam que:

“Afetividade é se preocupar com seus educandos, é reconhecê-los como indivíduos autônomos, com uma experiência de vida diferente da sua, com direito a ter preferências e desejos nem sempre iguais aos seus. Enfim aceitá-los em suas nuances e respeitá-los.”

Tassoni (2000) declara que no decorrer do desenvolvimento o vínculo afetivo presente na relação mãe-pai-filho amplia-se para a figura do professor, corroborando com o seguinte estudo:

“O professor é, tanto quanto os pais, um modelo de identificação os alunos. Como uma mãe o professor precisa olhar todos os seus alunos (filhos) individualmente. Tentar compreendê-los de tal modo que seja possível trilhar o melhor caminho sobre o que dizer a cada um deles e por quê os conhece, isto é, por que os observa, cuida das suas crianças. Como um pai que ocupa a posição de responsabilidade, o professor atua com o objetivo de fazer com que os direitos e deveres sejam compreendidos e seguidos (Silva, 2006).”

A relação professor-aluno é permeada de afetividade, esta ajuda ou dificulta a finalidade desses sujeitos estarem no espaço escolar, que é o ensino-aprendizagem e a formação e socialização destes indivíduos, no entanto, uma relação afetiva não pode ser confundida com falta de limites, Freire (apud Velthuis; Ferreira, 2004) nos diz “ninguém aprende ou constrói nada no meio do caos. As aulas devem ser estimuladas, mas disciplinadas, ajudando a constante formação do educando”.


Referências:

MAHONEY, Abigail Alvarenga e ALMEIDA,Laurinda Ramalho de. Afetividade e processo ensino-aprendizagem: contribuição de Henri Wallon. Psicologia da Educação, 2005, vol 20 p.11-30. Issn 1414-06975 .
SILVA, C. S. R. A relação dinâmica transferencial entre professor-aluno no ensino. Ciências & Cognição, vol. 8:165-171, 2006.
TASSONI, Elvira Cristina Martins. Afetividade e aprendizagem: a relação professor-aluno. Anuário do GT de Psicologia da Educação. ANPED, set. 2000.

VELTHUIS, Cleidi Lange; FERREIRA, Cristina, A Valorização da Afetividade no Processo de Ensino-Aprendizagem, In: Revista de divulgação técnico-cientifica do IPC, v. 2, n. 7, 2004, p. 139-142.

5 de janeiro de 2009

A relação professor-aluno

São classificados de sociointeracionistas autores como Piaget, Vygotsky, Wallon e outros que possuem a idéia comum de que o aprendizado acontece por meio da interação significando que “o homem se relaciona com outros homens na condição de sujeito, de construtor da cultura e do conhecimento, com o meio ambiente e com os objetivos; que pela interação todos são alterados” (FILHO, 2002, pág. 83).

O ser humano vive em comunidade, no cerne das relações, segundo Wallon (apud Filho, 2002) o homem é geneticamente social e como tal vive no mundo das relações sendo que se ensina e se aprende como um meio de transmissão da cultura numa transição do social para o individual, uma vez que:


"Qualquer função no desenvolvimento cultural do menino ou da menina aparece duas vezes, ou em dois planos. Primeiro aparece no plano social e depois no plano psicológico. Em primeiro lugar, aparece entre as pessoas como uma categoria interpsicológica e depois aparece no menino ou na menina como uma categoria intrapsicológica" (Vygotsky, 1978, apud Cool, 2004, pág.98).


Não se pode negar que o encontro professor e aluno se configure uma relação e como tal possua características e dificuldades afetivas, até mesmo na educação tradicional em que o professor é uma agente que transfere o conhecimento enquanto o aluno tem a função de recebê-lo e memorizá-lo, pode - se afirmar categoricamente que nesse momento existe uma relação, mesmo que teoricamente distante e improdutiva, pois “a emoção é inerente ao ser humano tendo o domínio afetivo o lugar central” (FILHO, 2002, pág. 90).

Mudanças educacionais surgiram e com elas novas possibilidades e visões acerca do papel do professor e aluno, o professor deve perceber-se como um professor reflexivo, autônomo e crítico recebendo seus alunos como sujeitos sociais, históricos e com conhecimentos prévios, tem a função de mediador que através de instrumentos simbólicos e materiais trabalha nesta zona de desenvolvimento proximal que é definida por Vygotsky:


"Não é senão a distância entre o nível real de desenvolvimento, determinado pela capacidade de resolver independentemente um problema, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou em colaboração com outro companheiro capaz "(Vygotsky, 1978 apud Cool, 2004, pág.99).


Em relação ao aluno cabe o papel de um sujeito autônomo também promotor do próprio conhecimento, que possui sua individualidade e que deve segundo Freire (1996) manter vivo em si o gosto da rebeldia, aguçando sua curiosidade e estimulando sua capacidade de arriscar-se e de aventurar-se, pois, na relação professor-aluno “quem forma se forma re-forma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser humano”. (Id, pág.23).


Referências:

COLL, César et al. Desenvolvimento Psicológico e Educação: psicologia da educação escolar. Vol.2. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.

FILHO, Geraldo Francisco. A psicologia no contexto educacional. Editora Átomo (Campinas, SP), 2002.

FREIRE, Paulo. A Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. 35. Ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

15 de novembro de 2008

Questão de concurso -Psicologia da Educação

Psicólogo educacional- Santa Cruz do Capibaribe 2008


Questão 29.

A escolha de Henri Wallon para iluminar a questão da afetividade no processo ensino-aprendizagem decorre de várias razões. Analise as proposições abaixo e aponte a correta:
I. Ao focalizar o meio como um dos conceitos fundamentais da teoria, coloca a questão do desenvolvimento no contexto no qual está inserido, e a escola como um dos meios fundamentais para o desenvolvimento do aluno e do professor.
II. Entre a Psicologia e a Educação as relações não são de uma ciência normativa e de uma ciência ou arte aplicada. Ou seja, Psicologia e Pedagogia constituem momentos complementares de uma mesma atitude experimental.
III. A diretriz norteadora do Projeto de Wallon foi construir uma educação mais justa para uma sociedade mais justa. As ações propostas repousam sobre quatro princípios: Justiça , Dignidade igual de todas as ocupações, Orientação e Cultura geral .

a) Apenas a I está correta.
b) Apenas a II está correta.
c) Apenas I e II estão corretas.
d) Apenas a II e III estão corretas.
e) Todas estão corretas.


Henri Wallon nasceu em Paris, França, em 1879. Graduou-se em Medicina e Psicologia. Fez também Filosofia. Atuou como médico na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), ajudando a cuidar de pessoas com distúrbios psiquiátricos. Em 1925 criou um laboratório de Psicologia Biológica da Criança. Quatro anos mais tarde, tornou-se professor da Universidade Sorbonne e vice-presidente do Grupo Francês de Educação Nova — instituição que ajudou a revolucionar o sistema de ensino daquele país e da qual foi presidente de 1946 até morrer, também em Paris, em 1962.

Ao longo de toda a vida, dedicou-se a conhecer a infância e os caminhos da inteligência nas crianças. Militante de esquerda, participou das forças de resistência contra Adolf Hitler e foi perseguido pela Gestapo (a polícia política nazista) durante a Segunda Guerra (1939-1945). Em 1947 propôs mudanças estruturais no sistema educacional francês. Coordenou o projeto Reforma do Ensino, conhecido como Langevin-Wallon — conjunto de propostas equivalente à nossa Lei de Diretrizes e Bases. Nele, por exemplo, está escrito que nenhum aluno deve ser reprovado numa avaliação escolar. Em 1948 lançou a revista Enfance, que serviria de plataforma de novas idéias no mundo da educação — e que rapidamente se transformou numa espécie de bíblia para pesquisadores e professores.

A escolha de Henri Wallon para iluminar a questão da afetividade no processo ensino-aprendizagem decorre de várias razões:

· Sua teoria psicogenética dá uma importante contribuição para a compreensão do processo de desenvolvimento e também para o processo de ensino-aprendizagem-dando subsídios para compreender o aluno e o professor,e a interação entre eles.
· Ao focalizar o meio como um dos conceitos fundamentais da teoria, coloca a questão do desenvolvimento no contexto no qual está inserido, e a escola como um dos meios fundamentais para o desenvolvimento do aluno e do professor.
· Estabelece uma relação fecunda entre psicologia e educação,segundo wallon(1937) “Entre a Psicologia e a Educação as relações não são de uma ciência normativa e de uma ciência ou arte aplicada.” Ou seja, Psicologia e Pedagogia constituem momentos complementares de uma mesma atitude experimental.
· A diretriz norteadora do Projeto de Wallon foi construir uma educação mais justa para uma sociedade mais justa. As ações propostas repousam sobre quatro princípios:


Justiça : Qualquer criança, qualquer jovem independente de suas origens tem igual direito ao desenvolvimento completo, a única limitação que pode ter é de suas próprias aptidões.
Dignidade igual de todas as ocupações: Todas as ocupações de revestem de igual dignidade, a educação não deve fomentar o predomínio da atividade manual ou intelectual em função de razões de origem de classes ou étnicas.
Orientação : O desenvolvimento das aptidões individuais exige primeiro , orientação escolar e depois orientação profissional.
Cultura geral : Não pode haver especialização profissional sem cultura geral, a especialização não pode ser um obstácuo para a compreensão dos problemas mais amplos, só uma sólida cultura geral libera os homens dos estreitos limites da técnica.



SAIBA MAIS: http://estudandopsi.blogspot.com.br/2008/09/as-contribuies-de-vygotsky-wallon-e.html




 
Referências:

MAHONEY, Abigail Alvarenga e ALMEIDA,Laurinda Ramalho de. Afetividade e processo ensino-aprendizagem: contribuição de Henri Wallon. Psicologia da Educação, 2005, vol 20 p.11-30. Issn 1414-06975 Disponível em 
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1414-69752005000100002&script=sci_arttext 

http://revistaescola.abril.com.br/formacao/educador-integral-423298.shtml?page=3 

23 de setembro de 2008

As contribuições de Vygotsky, Wallon e Ausubel

A interação no processo de aprendizagem

  • A aprendizagem é um processo que acontece a partir da interação social entre os membros de um grupo.
  • A interação é fundamental pois delas emergem signos e sistemas de símbolos que são portadores de mensagens da própria cultura.

Vygotsky
  •  Mediação:É o processo pelo qual a ação do sujeito sobre o objeto é mediada por um determinado elemento
-Instrumentos: Age entre o sujeito e objeto do seu trabalho ,com a função de ampliar as possibilidades da transformação da natureza
  •  Signos: Intrínseco ao indivíduo e tem por função regular e controlar as ações psicológicas do mesmo.
  •  Símbolo: Recurso utilizado pelo indivíduo para controlar ou orientar sua conduta,desse modo o indivíduo se utiliza desses recursos para interagir com o mundo
  •  Sistemas simbólicos: linguagem

Zona de desenvolvimento proximal
  • A “região” entre aquilo que o aluno já sabe, daquilo que o indivíduo pode vir a aprender.
  • Desenvolvimento real: Solução independente
  •  Desenvolvimento potencial:Solução sob orientação.
 O Papel do Aluno


  •  Sujeito ativo do seu processo de aprendizagem e desenvolvimento pois é ele que age sobre o instrumento mediador da sua ação.
 O Papel do Professor


  •  É ele que fornece aos alunos os novos signos e sistemas de símbolos.
  • Ele deve adequar suas intervenções ao estilo do aluno e a situação contextual, enfim atuar dentro da ZDP.
 Curso de Psicologia Infantil

Wallon
  • “Afirma que a afetividade desempenha uma papel fundamental na constituição e funcionamento da inteligência, determinando os interesses e atividades individuais”.
  •  Emoção e Afetividade
  • Emoção: Manifestações de componentes subjetivos, com componentes orgânicos
  •  Afetividade:Refere-se à capacidade, à disposição do ser humano de ser afetado pelo mundo externo/interno por sensações ligados a tonalidades agradáveis e desagradáveis.
  •  O professor para atingir seus objetivos deve ter clareza em alguns pontos:
-Confiar na capacidade do aluno
-O ensinar:desenvolve o aluno e ele mesmo
  •  Que as emoções e sentimentos podem variar em função do contexto, mas está presente em todos os momentos da vida.

ENXERGAR O ALUNO COMO UM SER TOTAL


  •  Com características próprias
  •  Saberes elaborados nas suas condições de existência
  •  Funciona de forma integrada: afetiva-cognitiva-motora.


TASSONI, Elvira Cristina Martins,A afetividade e aprendizagem: A relação professor aluno(2000) . Exemplos :
  •  Pesquisa realizada sobre as interações entre o professor e o aluno durante as atividades que envolviam a linguagem escrita.
  •  Dantas(1993) “é impossível alimentar afetivamente a distância”
  •  Observado a postura e o conteúdo verbal entre outros

Postura
  • Sujeito 4: “__ Quando ela fica perto ajuda sim. Eu gosto. Eu faço o trabalho melhor.”
  •  Sujeito 12: “__ Gosto quando a (nome da professora) fica perto, porque ela me ajuda.Acho que eu penso muito mais. Porque ela perto me ajuda mais, do que quando eu penso sozinho.”

Conteúdo Verbal
  •  Sujeito 5: “__ Quando ela fala com a gente ela fala de um jeito bom.
  • Professora C: “__ Eu acho importante que eles sintam (...) que eu sou cúmplice, vou estar ajudando, sou amiga, e não aquela professora que vai estar julgando o certo e o errado – você fez certo, você fez errado, ou vocês são forte ou fraco. Acho que isso não existe. Acho que todo mundo tem que estar sentindo que eu estou aqui valorizando o desenvolvimento individualmente e respeitando cada um.”

Ausubel
  •  Para Ausubel “o fator isolado que mais influência a aprendizagem é aquilo que o aluno já sabe”.Cabe ao professor identificar isso e ensinar de acordo.
  • Aprendizagem significativa:Um processo por meio do qual uma nova informação relaciona-se com um aspecto especificamente relevante da estrutura de conhecimento do indivíduo, o subsunçor.
 Condições para a aprendizagem significativa:

1. O aluno precisa ter a disposição para aprender
2. O conteúdo escolar tem de ser potencialmente significativo, ou seja, lógico e psicologicamente significativo.

A intervenção educativa precisa perceber:
  •  Que a ação educativa está condicionada pelo nível de desenvolvimento dos alunos.
  •  A construção da aprendizagem significativa implica a conexão ou vinculação do que o aluno sabe com os conhecimentos novos.
  • Faz-se necessário modificar os esquemas dos sujeitos,como resultado do aprender significativamente.
  • No processo de ensino aprendizagem é sugerido a participação ativa do sujeito, sua atividade auto-estruturante, o que supõe a participação pessoal do aluno na aquisição de conhecimento, de maneira que eles não sejam uma repetição ou cópia dos formulados pelo professor ou pelo livro texto, mas sua reelaboração pessoal.

Curso de psicologia do desenvolvimento humano - Sylvia Labrunetti


Referências:

BARON,M.P., DOROCINSKI, S. I., FINCK, N. T. L., KRIEGL,M.L., PELIZZARI,A.,Teoria da aprendizagem significativa segundo Ausubel(2002) Rev. PEC, Curitiba, v.2, n.1, p.37-42, jul. 2001-jul. 2002 .

CARVALHO E SILVA, M. E. de. Aprendizagem significativa e o ensino de função do segundo grau. Disponível em http://pt.scribd.com/doc/48997892/APRENDIZAGEM-SIGNIFICATIVA-E-O-ENSINO-DE-FUNO-DO-SEGUNDO-GRAU


DAMIANI, M. F., SANTOS, A. M.Momentos pedagógicos: aprendendo (n)aprática docente. (2004).Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=85475

MAHONEY, A.A. & ALMEIDA, L. R. de. Afetividade e processo ensino aprendizagem: contribuições de Henri Wallon. Psic. Da educação, são paulo,2005. disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1414-69752005000100002&script=sci_arttext


RICHIT, A. Implicações da teoria de Vygotsky aos processos de aprendizagem e desenvolvimento em ambientes mediados pelo computador (2004)Disponível em http://www.rc.unesp.br/igce/demac/maltempi/cursos/curso3/Artigos/Artigos_arquivos/Artigo%20Vigotsky%20-2004.doc

TASSONI, Elvira Cristina Martins. Afetividade e aprendizagem: a relação professor-aluno. Anuário do GT de Psicologia da Educação. ANPED, set. 2000.
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