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27 de março de 2016

Renascimento Sensorial

Por Pascale Senk – Le Figaro

Naquele dia, Sílvia, 50 anos de idade, tinha acabado de ouvir uma ameaça de morte proferida por seu próprio filho. “Senti-me uma criança envergonhada, diminuída  e ameaçada diante dele”, ela diz. Mas desta vez, em vez de responder violentamente ao rapaz de 1,80m à sua frente, ou de «remoer» o que sentia, ela saiu da sala e foi se refugiar em seu quarto. Em segurança, sentada em um sofá confortável, ela fechou os olhos e tomou consciência de suas sensações físicas ("Meu coração batia a toda a velocidade, com um nó na garganta, os pés congelados", lembra ela). E, sem controlar, sem julgar e sequer comentar essas sensações, ela simplesmente as deixou evoluir... até sumirem. Um processo que não ultrapassou 3 minutos. "Voltei então à cozinha para continuar a conversa com Serge." Fim do episódio.

Esta forma fundamental de "deixar passar" as emoções, de deixá-las diluir, é um dos segredos do renascimento sensorial. Os que a praticam consideram esta técnica uma verdadeira "auto-limpeza emocional", o resultado de uma habilidade natural, acessível a todos nós. “Trata-se de uma técnica psicológica que, regularmente praticada, acaba por nos livrar de emoções desagradáveis e negativas como o medo, a raiva, a vergonha, etc”, explica Márcia Bénitah, psicoterapeuta parisiense, instrutora do método.

Até o momento, cerca de 600 profissionais - psiquiatras e terapeutas de várias tendências – se formaram nesse método na França, Bélgica e Estados-Unidos. “Isso representa entre 5 mil e 10 mil sessões de renascimento sensorial realizadas todos os dias apenas na França”, observa Márcia Bénitah. Treinamentos coletivos e gratuitos têm sido realizados atualmente em todo o país . Eles prolongam o trabalho de Luc Nicon, um pedagogo e pesquisador francês,que já era bem conhecido por ter desenvolvido uma técnica de identificação dos medos inconscientes (TIPI). Em seu último livro, Nicon dá maior ênfase ao papel essencial da sensorialidade no controle das emoções.

Deixar passar as emoções negativas

Tal técnica requer um aprendizado, um treinamento por parte dos terapeutas e sobretudo por parte dos pacientes. Embora extremamente simples, ela costuma parecer difícil para muitos. A verdade é que nossos condicionamentos culturais ocidentais tornam bastante complicado o aprendizado de “deixar passar as emoções negativas”. Normalmente, não sabemos o que fazer com elas. Cada um de nós tem suas estratégias para combater os sentimentos desagradáveis que surgem a partir de emoções negativas. Alguns, quando estão sobrecarregados de raiva, cometem atos violentos e têm de enfrentar depois as consequências negativas desses atos. Outros, engolem a raiva, não se livram dela, e, como resultado, se deixam correr por dentro.Alguns saem para caminhar, outros respiram profundamente quatro ou cinco vezes, outros tentam relaxar. “Não fazer nada, simplesmente deixar a tempestade passar parece extremamente difícil e preocupante. No entanto, esta é a estrada real para a dissolução das emoções negativas”, diz Marcia Bénitah.

Convencida de que essa técnica funciona, a psiquiatra Christine Barois confirma: “As sensações corporais que acontecem quando estamos passando por uma emoção nunca são perigosas, assim como as próprias emoções que são muitas vezes úteis. No entanto, o que causa mal estar é a sua intensidade.” Uma intensidade que cresce, precisamente quando tentamos evitá-las, tal como mostrou o professor David Barlow da Universidade do Mississippi. “A depressão é muitas vezes um problema de emoções frustradas”, acrescenta a psiquiatra. A solução? Conseguir permanecer neste estado de “não-ação" do qual falam muitas tradições espirituais, especialmente as asiáticas como o budismo, o taoísmo e o zen. Tornar-se um observador dos grandes fluxos de energia que passam pelo corpo, sem se opor a eles. O que Luc Nicon descobriu e formalizou na fórmula  do “renascimento sensorial” está hoje no cerne das terapias mais inovadoras do momento", avalia a Dra. Christine Barois. Terapias comportamentais e cognitivas, meditação da atenção plena, EMDR (EMDR: Eye Movement Desensitization and Reprocessing), terapia da aceitação, etc.
Esses métodos também colocam muita ênfase no conceito de formação e fortalecimento da atenção. Quanto mais os praticarmos, mais fácil se tornará sua prática, e mais gratificantes os resultados. Todos eles também nos sugerem a não ficarmos “presos ao que nos dizem nossos pensamentos quando a emoção nos atravessa. Por exemplo, quando generalizamos – “é sempre a mesma coisa, a culpa de tudo recai sempre sobre mim”- ou quando projetamos – “ele me odeia, e por isso me diz tudo isso” - ou por distorção distorção cognitiva – “estou com raiva porque ele me disse isso, não porque voltei cansado do meu dia de trabalho”.Graças ao renascimento sensorial, Sílvia já sabe que para ficar em paz ela não precisa fazer muito: basta encontrar um lugar para se isolar e mergulhar dentro de si mesma… com toda segurança.

(1) Informações: www.sensorelive.info e www.tipi.fr
(2) Luc Nicon, «Revivre sensoriellement» (Renascimento sensorial), Editora Émotion Forte

ps: Pra quem chegou até aqui, esse é um nome bonito pra algo típico da psicologia, é mais marketing do que uma descoberta nova...precisamos aprender rsrs)



Fonte: http://www.brasil247.com/pt/saude247/saude247/221882/Renascimento-sensorial-O-novo-santo-graal-da-psicologia.htm

3 de dezembro de 2015

A PRÁTICA DA PSICOLOGIA ESCOLAR

O Conselho Federal de Psicologia envia em 17 de outubro de 1992 ao Ministério do Trabalho as seguintes atribuições do psicólogo escolar/educacional que fazem parte do catálogo brasileiro de ocupações:

Atua no âmbito da educação, nas instituições formais ou informais. Colabora para a compreensão e para a mudança do comportamento de educadores e educandos, no processo de ensino aprendizagem, nas relações interpessoais e nos processos intrapessoais, referindo-se sempre as dimensões política, econômica, social e cultural. Realiza pesquisa, diagnóstico e intervenção psicopedagógica individual ou em grupo. Participa também da elaboração de planos e políticas referentes ao Sistema Educacional, visando promover a qualidade, a valorização e a democratização do ensino. (p.5)


Para Andrada(2005) O início da prática do psicólogo escolar/educacional era centralizado nos problemas de aprendizagem e no desenvolvimento considerado normal, seus instrumentos iniciais eram testes para medir a capacidade do aluno separando os aptos dos não aptos à aprendizagem, o que caracterizava um pensamento excludente e linear de causa e efeito, prática essa que teve um impacto grande na vida dos alunos, já que via o aluno como portador de deficiência, portador de falhas, ou seja, como dono de sua dificuldade, entretanto ao entrar na escola o psicólogo pôde observar através do seu olhar a força  dos determinantes sociais nos problemas de aprendizagem, mas ainda existia a força da instituição, a escola, que exigia que o profissional enfatizasse o aluno problema para que ele se adaptasse as normas e a aprendizagem.

Infelizmente percebe-se ainda hoje uma psicologia escolar/educacional em crise, primeiro por causa da demanda que é enorme, pois há muitos alunos não adaptados ao “objetivo” da escola, em segundo temos a visão de muitos profissionais da educação pautado no paradigma da anormalidade x normalidade.



Por isso deve-se olhar a escola através de um pensamento sistêmico em que o todo é maior que a soma das suas partes, ou seja, o funcionamento do sistema não pode ser entendido a partir do funcionamento de uma só parte, dessa forma, para compreendermos o processo interacional é preciso considerar diversas causas assim como a função que determinado problema está exercendo no processo. Com esta revolução no pensamento o aluno não pode mais ser visto como sujeito dotado de problemas, como um ente separado do sistema relacional, mas como um sujeito relacional.

A partir disso o psicólogo escolar/educacional não pode mais eleger um único modelo para explicar as dificuldades de aprendizagem, não pode se fazer neutro na escola e nas relações e deve aceitar a ideia de que uma dificuldade de aprendizagem pode exercer alguma função em um dos sistemas no qual o aluno vive.

Além das atribuições do psicólogo escolar/educacional publicadas pelo CFP pode-se exemplificar que o psicólogo pode:

a) aplicar conhecimentos psicológicos na escola, concernentes ao processo ensino-aprendizagem, em análises e intervenções psicopedagógicas; referentes ao desenvolvimento humano, às relações interpessoais e à integração família comunidade escola, para promover o desenvolvimento integral do ser; b) analisar as relações entre os diversos segmentos do sistema de ensino e sua repercussão no processo de ensino para auxiliar na elaboração de procedimentos educacionais capazes de atender às necessidades individuais.(ANDRADA, 2005, P.3)


Além de demonstrar para a instituição a visão de sujeito que o psicólogo tem, o que pensa acerca dos problemas de aprendizagem e as estratégias diferenciadas que tem, ao invés do esperado atendimento individual na “sala do Psicólogo”.

O psicólogo deve olhar o todo, e dentro desse todo está a relação escola - família. Família e escola são duas instituições fundamentais para desencadear os processos evolutivos das pessoas atuando como propulsores e inibidores do crescimento. Andrada (2005) analisa que devemos perceber como psicólogo escolar/educacional junto a família sobre a função dessa dificuldade do aluno neste momento no ciclo vital da família e ainda podemos:

Confrontar família e professor quando necessário, criando um espaço de diálogo franco acerca das dificuldades de todos, não só do aluno, diluindo nos sistemas a culpa pelo fracasso escolar. Assim, outra armadilha é enfraquecida: a culpa sempre é da família. (id, p.4)


Há muitos benefícios na integração família e escola, primariamente na participação no projeto político e pedagógico da escola, eixo até mesmo normatizado pelo Estatuto da criança e do adolescente (1990) no seu artigo 53 parágrafo único: “é direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais”.


Neste ínterim a família participa e fica a par dos programas curriculares, projetos pedagógicos e pode acompanhar o progresso e a necessidade dos alunos. Esse pode ser o início da sua participação pois a família e a escola devem ser parceiros na realização de reuniões conjuntas, com oportunidades para os pais falarem de seus papéis e de si mesmos, além de promoção de encontros com a possibilidade de ajudar os pais e professores para troca de informações.






Referências Bibliográficas:

Andrada, E. G. C. (2005). Novos paradigmas na prática do psicólogo escolar. Psicologia, Reflexão e Crítica, 18,  Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/prc/v18n2/27470.pdf>
Acesso em: Acesso em: 04 de Out. 2015.

Conselho Federal de Psicologia, (CFP). Disponível em:< http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2008/08/atr_prof_psicologo.pdf> Acesso em 04 de Out. 2015

Estatuto da Criança e do Adolescente, 1990 Disponível em < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8069.htm> Acesso em 01 de Out. 2015

1 de dezembro de 2015

A Teoria do Ciclo de Contato

A teoria do ciclo de contato é uma teoria que tem na teoria do campo sua principal base epistemológica, pois cada ciclo em que uma necessidade é satisfeita, perfaz o contato, e o organismo transformado pelo contato que se completou se prepara para um novo ciclo. A teoria do ciclo de contato se apresenta graficamente como círculos ,analogamente ao universo que apresenta o círculo como figura perfeita, com suas partes se distribuindo igualmente com relação a um ponto central, uma verdadeira mandala energética.


 A teoria de contato tem no círculo, no ciclo e no Self os instrumentos fenomenológicos de descrição da realidade, o self se mostra como um negativo de uma fotografia, não se pode conhecer o Self, pode se conhecer a pessoa que revela o Self, o que dá visibilidade ao self são os mecanismos de cura e bloqueio que aparecem, ou seja, é um sistema da personalidade, cuja função é colocar-se alternativamente como figura e fundo com as relações com o mudo interior.



É mediante o ciclo de contato que o terapeuta tem a oportunidade de abrir as portas existenciais do outro, é pelo contato que figura e fundo seguem seu caminho de destruição e formação de novas gestaltens. O contato pleno só ocorre quando a pessoa vivência três aspectos o sensório, motor, e cognitivo, esses sistemas se interrelacionam diferentemente com os campos geobiológicos, psicoemocionais, socioambientais e sacrotranscendentais, e vivenciam esses três sistemas através da relação onde exista: abertura, ou seja, que o psicoterapeuta tenha uma visão na qual o conhecimento não ponha barreiras ao encontro; reciprocidade, uma entrega descompromissada e confiante na realidade do outro; presença, o deixar acontecer, uma entrega à experiência imediata na aceitação da totalidade do outro e por fim a responsabilidade que é uma entrega e uma resposta espontânea na certeza de quem se é e na crença de quem o outro é.

O ciclo de contato possui as seguintes características:

1.    Traz noves formas de resistências embora a literatura gestáltica cite apenas cinco:introjeção, projeção, confluência, deflexão e retroflexão, adicionada a fixação, dessensibilização, proflexão, egotismo.

2.    Apresenta nove formas polares a estes mecanismos como Fatores de Cura, incluindo os processos de Zinker (repouso/retraimento, sensação, consciência, mobilização, ação e contato); traz ainda (satisfação), de P. Clarkson, e acrescenta "fluidez e interação".

3.    O Ciclo pode ser considerado como um modelo para se pensar a psicopatologia do sintoma, o psicodiagnóstico e, ao mesmo tempo, como um prognóstico, visando ao processo de mudança e de cura.

4.    . A cura, a mudança, é concebida como função do contato, como algo relacional entre pessoa-mundo e bloqueio-fator de cura.

 O self ocupa o centro do ciclo sendo o lugar do processo. Através do eu, o self se localiza no mundo e é o centro de convergência da personalidade, é a propriedade por meio da qual os comportamentos se revelam.


Fonte:

RIBEIRO, J. P. O Ciclo do Contato: Gestalt – Temas Básicos na abordagem gestáltica. São Paulo: Summus , 2007


27 de novembro de 2015

Psicologia Humanista e Gestalt-Terapia

O humanismo é um movimento cultural europeu surgido no século XIV, sendo aplicado a qualquer filosofia que coloque o homem no centro de suas preocupações, ou enquanto adjetivo aplicável a outro movimento como a psicologia humanista que nasce com a bandeira de revalorização do ser humano.

Sobre a psicologia humanista ela se estabelece no ambiente acadêmico norte americano no pós guerra a partir da insatisfação sentida face a dois conjuntos teóricos  mais importantes da psicologia na época o behaviorismo e a psicanálise, não no sentido de negar suas descobertas mas percebendo que sua visão de homem mecanicista e pessimista respectivamente não condizia com as necessidades da época.


Enquanto o humanismo acredita que existe no ser humano um potencial, um impulso para o crescimento, e que o homem é responsável pela sua vida e autorrealização.

A psicologia humanista possui os seguintes postulados:

a)  uma pessoa é mais que a soma de suas partes:

Esse é um dos princípios da psicologia da Gestalt que é uma das teorias de base da Gestalt-terapia que reafirma que existem totalidades cujo comportamento não é determinado pelos seus elementos individuais.

      b)  Nós somos afetados por nossas relações com outras pessoas;

A gestalt- terapia dá muita ênfase à relação, ao contato, sobre o contato Perls(1977) esclarece “que o organismo tem tanta necessidade psicológica como fisiológica de contato, ela é sentida cada vez mais que o equilíbrio psicológico é pertubado”(p. 22), e este contato ocorre na fronteira de contato entre o eu-não eu num campo onde o todo e as partes estão em relacionamento imediato, e reagem umas às outras, e nenhuma deixa de ser influenciada.



      c)  O ser humano é consciente;

O pilar da prática clínica do Gestalt- terapeuta é que ele procura observar o que é trazido pelo cliente, o fenômeno em si, respeitando a visão do cliente no aqui-agora

      d)  O ser humano possui livre-arbítrio;

O homem na Gestalt-terapia é olhado como um ser livre e responsável por sua própria existência, essa é uma das premissas do existencialismo, Satre é um dos maiores representantes do existencialismo e afirma na sua famosa frase que a existência precede a essência , ou seja, é preciso primeiro existir e a partir daí definir-se, essa definição ocorre a partir das suas escolhas, sua vivência e experiência única de ser na sua singularidade sem esquecer que essa escolha afeta o mundo onde vive, por isso o homem concebido pelo existencialismo de Satre, é um homem que tem responsabilidade por si mesmo e pelo outro

 e) O ser humano tem intencionalidade

O Gestalt – Terapeuta observa o fenômeno, buscando ao apreendê-lo libertar-se de todas e quaisquer referências anteriores da maneira mais livre possível da subjetividade do observador devido a essa influência temos uma teoria Gestáltica com ênfase no como sobre o porquê, com a visão de um mundo de forma subjetiva, dependendo de um todo interrelacional entre o terapeuta e cliente no aqui-agora

Referências:

AMATUZZI, M. M. O significado da psicologia humanista, posicionamentos filosóficos implícitos. Arq. bras. set./nov. , Psic., Rio de Janeiro,  1989. Disponível em < http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/abp/article/view/21723> Acesso em 04 de out. 2015.

KIYAN, A. M. (2001). E a Gestalt emerge: vida e obra de Frederick Perls. São Paulo: Altana.

PERLS, F. S. A Abordagem Gestáltica e Testemunha Ocular da Terapia. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1977.

Acesso 01 de Out. 2015

Acesso 01 de Out. 2015

30 de setembro de 2014

O Terapeuta numa abordagem dialógica



        Sobre o terapeuta, numa abordagem dialógica, a sua individualidade está a serviço do dialógico, a ideia essencial seria de que a singularidade genuína nasce do relacionamento verdadeiro com os outros, a procura da terapia está relacionado com seu diálogo perturbado com os outros assim como a dificuldade de fazer contato consigo mesmo, por isso o terapeuta precisa estar com todos os seus sentidos, toda experiência, todo o treinamento em tomar consciência do que está faltando nessa situação potencialmente dialógica, além de complementar a polaridade oposta do paciente, aquela em que o cliente lida consigo mesmo e com o outro, ou seja, dar ao cliente o que ele não tem.
 Dessa forma estar a serviço exige muita disciplina e um escutar obediente, essa postura exige que se caminhe pela vereda estreita entre a responsabilidade por e para com outras pessoas, entre a objetividade e a subjetividade, sendo que a escolha do caminho para se trabalhar depende do encontro com esse cliente único nesse momento único. O maior desafio é: Como estar presente no nada - mais – que – processo e ainda assim não se perder no abismo; como utilizar a segurança da teoria e ainda assim não usá-la como uma defesa contra o desconhecido; como responder a singularidade, e, ainda assim, valorizar nossa humanidade comum? O passo mais essencial é estabelecer a possibilidade de um contato dialógico genuíno, é voltar-se para o outro e afastar – se de estar preocupado consigo, e ver o outro na sua alteridade única, o único objetivo é estar plenamente presente, mas as pessoas que não estão acostumadas a ter outro ser plenamente presente para si pode experienciar isso como uma situação esmagadora, logo, o terapeuta precisa de sensibilidade com esta presença, assim como, com a resposta e o responder a ela, percebendo assim como ela vai impactar determinado indivíduo, sem impô-la.
O terapeuta tem como finalidade de estar tão completamente aberto quanto possível a singularidade da outra pessoa, para isso é necessário adotar a postura dialógica de suspender seus pressupostos. Esta é uma forma Zen de estar, ficando aberto ao único, ao inusitado – para ser surpreendido. Teoria, treinamento e experiência são essenciais, mas no momento do encontro são o pano de fundo. A total suspensão dos pressupostos é algo impossível de ser feito, entretanto, a tentativa é mais uma postura de estar consciente dos próprios preconceitos e que eles são inconscientes, evitando que haja uma precipitação das suas conclusões, sugestões e interpretações.
O cliente quer ser ouvido no dito e no não dito, querem ser encontrado em níveis mais profundos, isso não acontecerá se a perspectiva do terapeuta ocupar muito espaço psicológico no “entre”, ou o que é pior ela for imposta em detrimento da experiência do outro, procurar suspender as pressuposições aumenta a possibilidade de estar mais disponível para os clientes num nível mais profundo.
Como posso começar a fazer contato com essa pessoa? É ficar - com a experiência fenomenológica do cliente a cada momento. É estar tão próximo a experiência da pessoa, que há uma ressonância visível a tal experiência, com a necessidade de se mover em ritmo semelhante ao do cliente, é estar presente de uma forma que valorize verdadeiramente aquela experiência, essas atitudes permitem ao cliente superar resistências, tonar-se denso e expandir seus limites de crescimento, é uma reverência para a experiência única dessa pessoa, é mostrar ao cliente que é saudável ficar dentro de sua experiência, no lugar de deixar prender por uma imagem e pelos deverias.
Outra questão é a inclusão, o terapeuta precisa dessa prática, tentando experienciar o que o cliente está experienciando do seu lado do diálogo. Há a sensação de ausência do self, ainda assim ele deve se mostrar centrado, a inclusão é ser capaz de pular de um lado para outro na relação e ainda assim permanecer centrado na própria existência precisamos parar de temer a perda do self, a fim de experienciar o outro lado, sendo que da mesma forma do momento Eu-Tu, não se pode visar, tê-lo como objetivo, pode-se somente colocar-se tão disponível quanto possível, para Buber a inclusão é diferente da empatia , pois esta é somente um sentimento enquanto a inclusão é o voltar-se existencial para o outro e uma tentativa de experienciar o outro lado.
Outro aspecto da abordagem é a confirmação, é ser reconhecido, ser visto pela nossa família imediata, pelo outro num sentido dialógico.
Nos primeiros anos de nossa vida, a família deixa marcas no nosso desenvolvimento, se recebermos experiências posteriores, elas podem se apoiar e serem confirmadas mais tarde por essa experiência inicial, quando isso não acontece, ou não se consegue essa confirmação em fases posteriores, há uma abertura e uma necessidade desesperada para que a confirmação ocorra, esses acontecimentos criam falsos eus, já que, se a pessoa não recebe confirmação pelo que é, tenta provocar o aparecimento do melhor substituto possível, da maneira que achamos que a outra pessoa deseja, entretanto o individuo fica se sentindo vazio e falso para com seu verdadeiro self e acaba se estabelecendo um circulo vicioso em que a pessoa precisa buscar desesperadamente a confirmação, mas continua a conciliar para receber qualquer reconhecimento, desse modo o terapeuta precisa trabalhar com os bloqueios que ajudam a proteger o ser dessa pessoa, já que são os mesmos que o impedem de receber a confirmação. Esta confirmação significa um esforço ativo de voltar-se para a outra pessoa e afirmar sua existência separada, sua alteridade, sua singularidade, e seu vinculo comum comigo e com os outros, é aceitar a pessoa, seu comportamento, quem ela é nesse momento, por sermos criaturas do entre precisamos da confirmação do outro, poém só nos validamos apenas até certo ponto.
O terapeuta para executar estas atitudes precisa ter um senso de confirmação, de auto – aceitação independente das reviravoltas da terapia, mesmo esses sensos não senso absolutos, pois terapeuta também é humano e tem de lidar com seus vazios existenciais.
Quando há um certo impasse nas sessões de terapia, é possível utilizar os experimentos, desde que não seja algo imposto e que haja uma relação de confiança, esses experimentos tem de surgir do entre, temos como exemplo a cadeira vazia, que seria uma auto diálogo em que se tenta ouvir os dois lados de pensamentos ou sentimentos polares dentro da pessoa que está em conflito.

A abordagem dialógica se configura num sentir, numa postura e numa crença de que a saúde está numa relação equilibrada com os outros e consigo mesmo, observando e respeitando as alteridades, singularidades, o diálogo, inclusões, confirmações e o ritmo da graça e da coisificação, ou seja, da dança entre o Eu-Tu e Eu- Isso em todas as relações.






Referência:

HYCNER, R.; A base Dialógica in HYCNER, R.; JACOBS, L. Relação e Cura em Gestalt-Terapia. São Paulo: Summus, 1997.


28 de setembro de 2014

Prática Terapêutica da Gestalt Terapia



    A presente síntese tem como objetivo discutir as práticas terapêuticas na Gestalt Terapia mais especificamente na postura dialógica, enfatizando as características dessa postura em relação ao terapeuta e reciprocamente no cliente.

       O dialógico é a relação do “entre”, do invisível, impalpável “entre” nós, uma abordagem mais sentida do que na teoria, tem como características a alternância rítmica da relação Eu-Tu e Eu- Isso. A Gestalt – terapia de orientação dialógica tem como princípio básico o fato de que a abordagem, o processo e o objetivo da psicoterapia são dialógicos no enfoque global, o dialógico se encontra no diálogo neste “entre” que compartilham, o Todo (âmbito dialógico) é maior que a soma das partes(terapeuta e cliente). O componente indispensável para a prática terapêutica é a atitude dialógica do terapeuta, sendo que todo contato e awareness são compreendidos dentro do contexto do dialógico, porém todo diálogo é contato, mas nem todo contato é diálogo, este para ser dialógico tem de estar fundamentado no “entre”.

      A psicoterapia dialógica é um modo de ser, no seu âmago está à ideia de que a base última de nossa existência é relacional e dialógica por natureza. Ela reconhece que uma das tensões fundamentais da existência humana é a tensão entre nossa natureza relacional e nossa singularidade, esta abordagem reconhece a singularidade do individuo no contexto relacional, com esse singular emergindo em relação com os outros sendo que a chave do viver saudável seria o equilíbrio entre nosso senso de união e separação, outra questão é que no encontro existe a fala, mas o dialógico é uma forma de abordar os outros e não a fala em si mesmo entendendo que a fala é a manifestação auditiva de uma atitude dialógica e que mesmo o silêncio pode significar o diálogo genuíno.

      O “entre” abrange duas posturas polares, o Eu-Tu e Eu – Isso, a primeira é uma atitude de conexão natural e a segunda de separação natural sendo que ambas são essenciais, o viver saudável requer uma alternância rítmica e um equilíbrio entre a tensão criativa e a integração dessas polaridades. A experiência Eu-Tu é estar tão plenamente presente quanto possível com o outro apreciando a alteridade, a singularidade, a totalidade do outro enquanto isso acontece simultaneamente com a outra pessoa, é uma experiência de encontro.

     A experiência Eu-Isso é dirigida por um propósito, é uma coisificação do outro, o momento onde se focaliza tanto um objetivo que as outras pessoas ficam em segundo plano, tornam-se secundárias em determinadas situações, todos precisam disso para atingir uma meta, essa atitude faz parte do fluxo das relações humanas. Os hífens nos termos Eu-Tu e Eu-Isso significam que a orientação com que alguém se aproxima dos outros é sempre relacional e reciprocamente reflete-se de volta para a própria pessoa. Se me aproximo dos outros numa atitude Eu-Tu isso irá se refletir de volta em como me aproximo de mim, o mesmo acontecendo na relação Eu-Isso quando coisifico os outros também me coisifico.

     O encontro Eu-Tu é apenas um momento ou uma dimensão de uma orientação dialógica rítmica total que abrange a alternância dos momentos Eu-Tu e Eu-Isso, ela não pode ser congelada, nem pode ser o objetivo na relação, pois se não ironicamente se torna um encontro Eu- isso, não se pode visar o encontro Eu-Tu pode-se apenas preparar o terreno e estar presente deixando o momento da graça ocorrer.

     Outra questão a se observar na abordagem dialógica é a preocupação da pessoa como um todo, uma visão holística, mesmo que em estágios da terapia algum aspecto seja enfatizado, o terapeuta de orientação dialógica tenta manter a visão do contexto todo assim como na alternância rítmicas entre eles. Neste ínterim o terapeuta tem de estar atento para não reduzir o outro a sua motivação psicológica, mas se perguntar que contexto da existência dessa pessoa faz com que um motivo ou comportamento seja figura em determinado momento, cada comportamento precisa e pede desesperadamente para ser compreendido dentro do contexto mais amplo da existência dessa pessoa, nesta perspectiva a patologia é vista como um distúrbio da existência inteira da pessoa e como afirmação de que ela precisa ser cuidada para que sua existência se torne novamente completa. A pessoa inteira é ao mesmo tempo revelada e escondida. A patologia surge quando estas dimensões estão significativamente desequilibradas entre si.



CURSO DE PSICOTERAPIA

Referência:

HYCNER, R.; A base Dialógica in HYCNER, R.; JACOBS, L. Relação e Cura em Gestalt-Terapia. São Paulo: Summus, 1997.

7 de abril de 2010

Confirmação


Ficamos tão desesperados por essa confirmação que, se não a recebemos por sermos quem somos, tentaremos provocar o aparecimento do melhor substituto possível - tentaremos conseguir a confirmação da forma que pensamos que a outra pessoa deseja. Criaremos uma impressão – nos empenharemos em uma espécie de ‘parecer’ para obter aceitação (pág. 45).

A confirmação quer dizer, sermos afirmados em nossa existência separada, em nossa alteridade e singularidade, essa confirmação significa, um Sim, que só poderá vir de uma pessoa para a outra, pois, é de um homem para o outro que o pão celestial de ser o próprio ser é passado (BUBER, 1965 apud HYCNER, 1997).

Referência:

HYCNER, R.; A base Dialógica in HYCNER, R.; JACOBS, L. Relação e Cura em Gestalt-Terapia. São Paulo: Summus, 1997.

3 de abril de 2010

A Psicoterapia Dialógica

O dialógico é a exploração do entre.

Hycner (1997) a define como uma abordagem sentida, em que num contexto relacional a singularidade da pessoa é valorizada enfatizando uma relação direta e mútua.

Pode-se dizer que  é ‘um modo de ser’, definindo-se como uma abordagem; uma atitude ou postura em relação a existência humana e um processo de psicoterpia que se caracteriza por propostas únicas para situações únicas.

Na psicoterpia dialógica a pessoa é vista como um todo, o terapeuta tenta entender a pessoa na sua totalidade,é claro que em diferentes estágios da psicoterapia um outro aspecto precisa ser enfatizado, mas , acima de tudo, um terapeuta de orientação dialógica tenta manter presente o contexto todo – assim como a tensão em observar a alternância rítmica entre eles(pág. 35)

O dialógico abrange duas posturas polares: o Eu – Tu e o Eu – Isso, estas são as duas atitudes primárias que um ser humano pode assumir em relação aos outros(pág. 32)

O Eu - Tu é uma atitude de conexão natural enquanto o Eu – Isso de separação também naturais, é preciso lembrar que a vida saudável requer sempre uma alternância entre esses dois pólos, assim como o feto que é profundamente carne da mãe e ainda assim, também, está formando seu corpo e se preparando para a separação.

O Eu – Tu é o apreciar a alteridade, a singularidade, a totalidade do outro, enquanto isso acontece também com o outro, esta é uma experiência mútua, uma experiência de encontro.

O Eu – Isso é uma atitude dirigida para um propósito, é uma coisificação do outro, essa atitude não é errada ou má, ela é um aspecto necessário do tornar-se humano. mas é sua esmagadora predominância no mundo moderno que a torna problemática, até mesmo trágica (pág. 34)

Os hífens do termo Eu – Tu e Eu – Isso são profundamente simbólicos , significam que a orientação com que alguém se aproxima dos outros é sempre relacional e, reciprocamente, reflete-se de volta para a própria pessoa, pois  se me aproximo dos outros com uma atitude Eu – Tu, isso irá se refletir de volta em como me aproximo de mim mesmo (pág. 34).

Ironicamente não se pode ter como meta um encontro Eu – Tu , pois ao fazer-se este se torna um Eu – Isso, só podemos preparar o terreno para que ele ocorra, pois como afirma Buber  o tu me encontra por meio da graça, não é alcançado pela procura (Buber, 1958 apud HYCNER pág. 34)


Referência:

HYCNER, R.; A base Dialógica in HYCNER, R.; JACOBS, L. Relação e Cura em Gestalt-Terapia. São Paulo: Summus, 1997.

6 de dezembro de 2009

MPE-PE 2006

46. Rogers concentrou suas preocupações em torno das ati-
tudes que devem ser desenvolvidas caso se queira, real-
mente, promover alterações benéficas na personalidade
dos clientes. Três condições são necessárias por parte do
psicólogo terapeuta:

(A) congruência e autenticidade; consideração positiva
incondicional e compreensão empática do cliente
.

(B) capacidade de leitura do não verbal; emp atia condi-
(cional e compreensão dos símbolos inconscientes.

(C) capacidade de escuta desenvolvida; empatia condi-
cional e assertividade.

(D) assertividade; capacidade de provocar associações
livres e comunicação indutiva.

(E) maturidade; experiência comprovada na condução
de grupos de ajuda e capacidade de escuta desen-
volvida.


68. Os psicólogos humanistas enfatizam que o homem não é
só responsável pela sua individuação, mas também tem
um impulso positivo e a necessidade de fazê-lo. Acreditam
que o homem.

A) é capaz de escolha e de crescimento.
B) é orientado para a segurança.
C) é uma criatura que busca a homeostase.
D) não é responsável pelo seu devir.
E) não tem o seu destino em suas mãos


A tendência atualizante refere-se a existência dentro de todo ser humano de um impulso para o crescimento e desenvolvimento completo, esse impulso pode ser impedido mas nunca destruído, uma maneira de obter esse crescimento é fornecer um clima psicológico a partir de atitudes psicológicas facilitadoras

Para Rogers as condições facilitadoras do crescimento são autenticidade, aceitação positiva incondicional e compreensão empática .

Rogers cita o seguinte exemplo para ilustrar a tendência atualizante, quando criança ao observar os suprimentos de batata de sua casa, percebeu que mesmo em condições desfavoráveis as batatas começavam a brotar, seu crescimento fútil, bizarro era uma espécie de expressão desesperada da tendência atualizante, ou seja, “nunca se tornariam uma planta, nunca amadureceriam, nunca preencheriam suas potencialidades reais. Entretanto, sob as mais diversas circunstâncias, lutavam para tornar-se (...)O indicio para entender esse comportamento é de que estão lutando, do único modo que lhes é possível, para alcançar o crescimento, para tornar-se alguém (Rogers, 1986, pág.9)




Referência:
Rogers, C. (1986). Sobre o Poder Pessoal. São Paulo: Martins Fontes

5 de dezembro de 2009

Atitudes-parte II

Consideração positiva incondicional:

Aceitar o outro como ele é. É você aceitar o outro no seu medo, coragem, ressentimento, confusão, orgulho, é o não saber o que é melhor ou pior, o que é mais correto ou mais bonito, Rogers se pergunta “serei capaz de vivenciar atitudes positivas para com o outro, atitudes de calor, de atenção, de afeição, de interesse e respeito? (pág.60) e percebe certo receio “tememos que, se nos deixarmos ficar abertos à experiência desses sentimentos positivos para com o outro, poderemos ser enredados por eles. Os outros podem tornar-se exigentes ou podemos nos decepcionar na nossa confiança, e tememos essas conseqüências” (pág. 61), por isso “tendemos a estabelecer uma distância entre nós e os outros - uma reserva, uma atitude ‘profissional’, uma relação impessoal (pág.61).
“É uma verdadeira meta que se atinge quando compreendemos que em certas relações, ou em determinados momentos dessas relações, podemos nos permitir com segurança, mostrar interesse pelo outro e aceitar estar ligado a ele como a uma pessoa por quem temos sentimentos positivos” (pág.61).

Compreensão empática:

Refere-se a olhar para o mundo interno do outro. Como ele percebe o mundo, para Rogers “no que me diz respeito, é mais fácil para mim sentir este tipo de compreensão e comunicá-lo a um cliente individualmente do que a estudantes numa aula ou o colegas num grupo que participe. Sinto uma forte tentação em corrigir o raciocínio dos estudantes ou de indicar a um colega os erros da sua maneira de pensar. No entanto, quando consigo abrir-me à compreensão dessas situações, enriquecemos-nos reciprocamente.(...) Se, no meu encontro com ele, o trato como uma criança imatura, como um aluno ignorante, como uma personalidade neurótica ou um psicopata, cada um desses conceitos limita o que ele poderia ser na nossa relação”(págs. 63- 65)


Referências:

ROGERS, Carl (1985), Tornar-se Pessoa, 6ª. Edição, São Paulo, Martins Fontes.2009

18 de novembro de 2009

AME E DÊ VEXAME

— Meu nome é Maria. Não sei como se faz psicoterapia.

— Diga o que está sentindo agora.

— Meu único problema, doutor, é o medo.

— Nós só temos um problema real: o medo.

— Eu tenho medo de amar.

— As outras formas de medo são mecanismos de defesa e sobrevivência animal. A pessoa humana tem um medo especial e original: o de amar.

— E amar é a única coisa que realmente me interessa.

— É o amor e não a vida o oposto da morte. Precisamos distinguir entre estar vivo e morrer.

— Claro, não estou viva porque tenho medo de amar.

— Você não está morta porque o amor é a única coisa que realmente lhe interessa.

— Precisamente por isso decidi fazer psicoterapia.

— Precisamente por isso, estou certo hoje, decidi ser psicoterapeuta.

— Então os psicoterapeutas entendem de amor?

— Não. Os psicoterapeutas entendem de amor tanto quanto qualquer pessoa. Eu tenho tanto medo de amar como você.

— Como pretende me ajudar?

— Tenho muito mais anos de medo do amor que você. Acho que aprendi alguma coisa enfrentando esse medo.

— E já amou?

— Muito.

— Como?

— Como estou tentando e temendo amar você agora.

— Eu não vim aqui para amá-lo e ser amada pelo senhor.

— Então perde o seu tempo aqui. Quando você chegou, a primeira coisa que fiz foi perguntar-me se queria e podia amar você. Logo senti que sim. Então comecei a sentir medo. E isso provava que já a estava amando.

— Estou começando a sentir medo do senhor.

— Como é esse medo?

— É difícil de explicar.

— Não explique. Descreva apenas o que está sentindo. Esqueça a palavra medo e descreva as sensações e emoções que sente agora.


DO LIVRO ame e dê vexame, do Roberto freire



Fonte:FREIRE, Roberto. Ame e dê vexame. [Rio de Janeiro]: Guanabara, c1990.

22 de outubro de 2009

Atitudes -parte 1

Para Rogers as condições facilitadoras do crescimento: autenticidade, aceitação positiva incondicional e compreensão empática são inerentes a todas as relações, elas deveriam existir nas relações familiares, nas relações de trabalho, na relação professor – aluno, ou seja, em todas as relações pessoais, mas para compreender realmente essas condições devemos primeiramente nos ater a base do pensamento de Rogers,a crença na tendência atualizante.

A tendência atualizante refere-se a existência dentro de todo ser humano de um impulso para o crescimento e desenvolvimento completo, esse impulso pode ser impedido mas nunca destruído, uma maneira de obter esse crescimento é fornecer um clima psicológico a partir de atitudes psicológicas facilitadoras que discutiremos a seguir:

Autenticidade: Quanto mais o terapeuta é ele mesmo maior a probabilidade de que o cliente modifique-se e cresça, o terapeuta vivência abertamente os sentimentos e atitudes que estão fluindo dentro dele naquele momento, quanto mais o terapeuta puder expressar esses sentimentos e atitudes negativos e positivos, mas provavelmente será capaz de ajudar o cliente, lembrando que “são os sentimentos e atitudes que promovem a ajuda, quando expressos, e não as opiniões e os julgamentos sobre a outra pessoa”(ROGERS,1986), esta atitude norteia o fato de que o terapeuta deve ser capaz de vivenciar, saber, exprimir o que ocorre dentro dele, a partir dessa medida será capaz de facilitar o crescimento do cliente.



"O meu cabelo não é igual
A sua roupa não é igual
Ao meu tamanho, não é igual
Ao seu caráter, não é igual
Não é igual, não é igual, não é igual"
PITTY



REFERÊNCIAS:
Rogers, C. (1986). Sobre o Poder Pessoal. São Paulo: Martins Fontes

4 de outubro de 2009

Aplicação das idéias Rogerianas ao trabalho diário do professor:

Para Rogers existem três condições fundamentais à aprendizagem:


Ter empatia
Aceitar positiva e incondicionalmente o aluno
Ser autêntico



O professor é um facilitador que adota uma atitude centrada na pessoa, acreditando que ela tem a tendência para desenvolver-se, autodirigir-se e reajustar-se, e o professor ajudará a criar um ambiente que facilite esse crescimento.

Diretrizes para o professor

1. Acabar com os julgamentos, cortar avaliações tanto negativas como positivas, evitar adjetivos como: certo, errado, bonito, feio, etc.

2. Evitar rótulos, diagnósticos e prognósticos. Essas afirmações prejudicam seu relacionamento com os alunos

Ex: Você está querendo chamar atenção!
Você nunca vai conseguir um bom emprego.

3. Receber com cuidado os comentários e as perguntas que parecem não ter relação com o tópico que está sendo tratado.

Ex: A classe estava estudando estradas de ferro. Uma menininha disse:
- Minha vó está muito doente.
Um professor que respeita a criança respondeu:
- E você quer ir visitá-la de trem?

Mais comum, porém seria a resposta?
-O que tem isso a ver com nosso assunto?ou :
- O que tem sua vó com estradas de ferro?

4. Evitar considerar como um desafio proposital uma pequena infração do aluno. Deixar sempre aberta aos alunos uma porta para uma saída honrosa. Esta máxima evita muitos problemas disciplinares.

5. Expressar irritação sem ofender a criança

Cada professor deve desenvolver uma aversão à palavras que humilham e aos atos que machucam. Mesmo quando irritado, um professor pode evitar palavras que ofendam . O lema do professor é:"Indignação , sim! Indignidade, não!”

6. Reconhecer e aceitar os sentimentos do aluno

Ex:
O professor pediu a aluna, que lesse algumas frases, ela leu em voz baixa, gaguejou e finalmente parou de ler. Ela cobriu o rosto com o livro, de tanto embaraço.
O professor disse:
-Ler inglês em voz alta não é fácil. A gente tem medo de cometer erros e receber zombarias. É preciso coragem pra ficar de pé e ler, obrigado por tentar.

No dia seguinte a aluna, foi chamada pra ler, pôs-se de pé e leu.

7. Evitar perguntas que contenham mensagens de desaprovação, desapontamento ou desprazer. Há perguntas que fazem o aluno sertir-se tolo, culpado, enraivecida e vingativa.

Ex: Por que você tem que brigar com todo mundo?
Por que você é tão desorganizado?
Por que você não cala a boca de vez em quando?


Quando eu fazia a quinta série, há muitos anos atrás, uma professora chegou perto de mim e disse: você está tão desleixada!, eu me lembro que cheguei em casa e a primeira coisa que fiz foi perguntar a minha mãe o que era desleixada!



Fonte:
BARROS,Célia Silva Guimarães, Pontos de psicologia escolar, 5° edição, 2007.

5 de setembro de 2009

Só o tempo...

Poderei ser suficiente forte como pessoa para ser independe do outro? Serei capaz de respeitar corajosamente meus próprios sentimentos, minhas próprias necessidades, assim como as da outra pessoa? Poderei possuir e, e se for necessário, exprimir meus próprios sentimentos como alguma coisa que propriamente me pertence e que é independente dos sentimentos do outro? Serei bastante forte na minha independência para não ficar deprimido com sua depressão, assustado com seu medo ou envolvido por sua dependência? O meu eu interior será suficientemente forte para sentir que eu não sou nem destruído por sua cólera, nem absorvido por sua necessidade de dependência, nem escravizado por seu amor, mas que existo independente dele com sentimentos e com direitos que me são próprios?


ROGERS, Carl. Tornar-se Pessoa. Tradução Manuel Jose do Carmo Ferreira e Alvamar Lamparelli. São Paulo: Martins Fontes, 2009

29 de abril de 2009

Compreendo a dor e a angústia quando se passa por uma dificuldade ou quando a gente vê alguém que se ama sofrendo, mas o primeiro passo é procurar ajuda profissional, dado esse passo as coisas já estão mudando. Outra questão é em relação à família, um membro da família em sofrimento afeta toda a família, é importante principalmente no caso da criança uma orientação ou até mesmo uma terapia com os pais. Essa frase é repetitiva, mas é verdadeira, uma caminhada começa com um primeiro passo e vários passos nos levam aonde queremos chegar.

22 de abril de 2009

Mandamentos do Psicoterapeuta Existencial

Oi,
Estou me reestruturando, mas já estou voltando, nem vou me alongar por que não tem nada mais complexo do que blog de quase psicóloga em crise, às vezes penso,valerá a pena?



Coragem de ser como si próprio nunca está separada por completo do outro pólo, a coragem de ser como uma parte; e ainda mais, que superar o isolamento, e enfrentar o perigo de perder seu mundo na auto-afirmação como si próprio, na qualidade de indivíduo, é um caminho para algo que transcende ambos, o eu e o mundo.


Paul Tillich



Mandamentos do Psicoterapeuta Existencial

1º) Pela impossibilidade de destruir uma ilusão por via direta, deve-se então fazê-lo por meios indiretos. Só assim a ilusão pode ser arrancada pela raiz.
2º) O método indireto organiza-se dialeticamente para em seguida retirar-se, timidamente. Desta forma, aquele que ajuda não presencia o reconhecimento que o homem faz de si mesmo, por ter vivido uma ilusão.
3º) Quando se pretende ajudar o outro, deve-se promover a aproximação, permanecendo na situação de acompanhar aquele que está sob a ilusão. Só desta forma haverá a possibilidade de tirarmos o homem de sua ilusão. Sabendo-se desde o inicio que é uma tarefa difícil em qualquer caso.
4º) Aquele que vive na ilusão, em maior parte, vivencia a categoria estético-ética. A fim de atacar com disposição a ilusão, deve-se chegar até ele, para então poderem caminhar juntos. O escritor religioso, para entrar em contato com os homens, deve começar com as obras estéticas. Esta é a estratégia.
5º) é importante ter paciência, pois com impaciência pode-se acabar fortalecendo a ilusão. Faz-se necessário ser cuidadoso para poder dissipar a tal ilusão.
6º) Para levar um homem ao seu centro é preciso chegar onde ele se encontra e começar por ai. "Este é o segredo da arte de ajudar os demais".
7º) Para se ajudar o outro deve-se entender mais do que ele entende, mas antes de tudo deve-se entender o que ele entende. Se assim não for, a ajuda de nada lhe valerá. Tudo começa quando se pode entender o que o outro entende e a forma como entende.
8º) Se orgulhoso do meu conhecimento, antes de ajudar o outro, o que desejo é que me admirem. O autêntico esforço para ajudar começa com uma atitude humilde. O que ajuda deve colocar-se como desconhecendo mais do que aquele a quem ajuda.
9º) Ajudar não significa ser soberano, e sim criado. Ajudar não significa ser ambicioso, e sim paciente. Ajudar significa ter que resistir, no futuro, à imputação de que se está equivocado e, portanto, não se entende o que o outro entende.
10º) Apenas se chega até aquele que está equivocado, mostrando-se um ouvinte complacente e atento.
11º) Aquele que está disposto a ajudar carrega consigo a responsabilidade e também deve despender de todo o esforço, porém sabendo que tudo isto só vai ter valor em relação ao resultado obtido.
12º) As interpretações poéticas, muitas vezes, ajudam aquele que fala do seu sofrimento, sem que ele saiba que não se compartilha de sua paixão e, sim, que se quer livrá-lo dela.
13º) Deve-se ser um ouvinte que senta e escuta o que o outro encontra mais prazer em contar, sem assombro.
14º) Apresentar-se com o tipo de paixão do outro homem: alegre para os alegres, em tom menor para os melancólicos, facilita a aproximação.
15º) Não temer fazer tudo isto, mesmo que na verdade não se possa fazer sem medo e temor.
16º) Chegar a ser o que se é consiste em chegar à interioridade através da reflexão, ou ainda significa desembaraçar-se dos laços da própria ilusão, o que também é uma modificação reflexiva.
17º) Quando um homem não quer ser conduzido, resta ainda obrigá-lo a dar-se conta do ponto em que ele está.


REFERENCIAS:
FEIJOO, A. M. L. C. Os Mandamentos do Psicoterapeuta Existencial(1998) Disponível em http://www.ifen.com.br/artigos/1998-ana.htm
TILLICH, P. A coragem de ser. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001. In Formação em Psicoterapia Fenomenológico-Existencial: Relatos de uma Experiência disponível em http://www.psicoexistencial.com.br/web/detalhes.asp?cod_menu=108&cod_tbl_texto=2032

5 de abril de 2009

Muitas vezes os observadores principiantes estão tão preocupados com o que irão dizer em seguida que tem dificuldade em ouvir e absorver o que está acontecendo. Não é uma atitude benéfica, embora compreensível. Talvez leve algum tempo descobrir que, em geral, o que dizemos é muito menos importante do que nos parece. Quando começamos podemos estar tão entusiasmados que nossa própria ansiedade interfere no processo. Podemos estar tão inseguros que precisamos provar que estamos confiantes. Não conheço remédio para isso, exceto paciência e autoconsciência. O entrevistado em geral mostrará o caminho certo- se o permitirmos.


In BENJAMIN, Alfred, A Entrevista de ajuda, São Paulo, Martins fontes, 2004.

PM-MA -Tenente psicólogo 2006

47. Carl R. Rogers propôs a Terapia Centrada no Paciente(?), acreditando que ela atende a uma pessoa ao

(A) intervir na modificação de um comportamento apontado pelo cliente.
(B) identificar para ela os comportamentos a serem modificados.
(C) revelar seu próprio dilema com um mínimo de intrusão por parte do terapeuta.
(D) aconselhar e moldar o indivíduo a fim de produzir o resultado desejado.
(E) desempenhar o papel de terapeuta, apresentando uma fachada calorosa.



Os psicólogos humanistas procuram referir-se à pessoa em atendimento como cliente, e não como paciente, para evitar uma conotação de doença e passividade. Cabe ao terapeuta tornar-se o catalisador do potencial do cliente em sua busca pela saúde e crescimento psicológico, criando o ambiente propício para isso (ROGERS, 1957; BOHART & TALLMAN, 1996).

São as características – tendência atualizante e sistema de avaliação da experiência – que explicam que o indivíduo tenha o poder de se dirigir a si mesmo e também o poder de reorganizar a sua concepção de self, se esta estiver afastada da experiência total do organismo, sendo assim, ao terapeuta cabe apenas criar as condições para que, através daquela relação particular, o indivíduo possa reorganizar-se e reencontrar a sua própria direção. O poder que lhe é atribuído, e a inerente responsabilização pelo seu próprio processo de mudança, representam um estímulo à sua autonomia.



Referências:

MESSIAS, J. C. C. Sobre a expressividade do terapeuta (ou da busca pelo abacadabra psicológico). (2002) Disponível em http://www.anchieta.br/unianchieta/revistas/argumento/pdf/argumento07.pdf
SANTOS. B. C. Abordagem centrada na pessoa-relação terapêutico e processo de mudança (2004). Disponível em http://www.psilogos.com/Revista/Vol1N2/Santos.pdf

30 de março de 2009

Secretaria de educação-Pe 2008

24. Carl Rogers, em sua concepção da personalidade e da prática terapêutica, baseada numa perspectiva humanista, pressupõe a existência de uma condição motivacional intrínseca ao ser humano e todas as coisas vivas, sendo esta uma tendência que realça o anseio presente na vida orgânica e humana. Sobre isso, assinale a alternativa que identifica, CORRETAMENTE, a condição motivacional à qual se refere esse teórico.

A) Segurança.
B) Afiliação.
C) Auto-expressão.
D) Auto-realização.
E) Amadurecimento.


A auto-realização implica em o individuo desenvolver ao máximo suas capacidades, explorar opções e habilidades e viver a vida da maneira mais plena possível.
Maslow vê a auto-realização como uma experiência de pico, alcançado quando níveis mais baixos de uma hierarquia de necessidades estiverem satisfeitas, sendo assim um evento incomum que ocorre em poucos indivíduos, para Rogers a auto- realização é um processo contínuo de auto-exploração e desenvolvimento que se constitui uma incontestável necessidade do indivíduo.





FONTE:
http://books.google.com.br/books?id=dx9LSYgfcacC&pg=PA25&lpg=PA25&dq=rogers+auto+realiza%C3%A7%C3%A3o&source=bl&ots=D11IAcNTQy&sig=WHzLTL488jj61cI2tOa5dzmF3KA&hl=ptBR&ei=lUjRSd6OIYSPmQfbxf2hCA&sa=X&oi=book_result&resnum=6&ct=result

28 de março de 2009

Experimentemos

O post de hoje é o trecho de uma entrevista do Carl Rogers que pode ser lida na íntegra no site http://www.encontroacp.psc.br/entrevista_rogers.htm entrevista concedida a revista veja em 1977.



VEJA – Seguindo a tradição humanista, o senhor costuma enaltecer a bondade nas pessoas, mas não estará deixando um pouco de lado o maquiavelismo e o espírito de competição, que naturalmente existe em nossa sociedade?

ROGERS – Fui muitas vezes acusado de não compreender a maldade nas pessoas – e levo a sério este tipo de critica , isso pode até ser verdade. Mas cheguei a uma posição, não através de pensamentos passivos mas através de meus contatos diretos com pessoas , tanto em terapia quanto em grupos, ou mesmo em salas de aula, nos quais percebi que, se confio plenamente em sua capacidade de se compreenderem melhor e ser mais autodirigidas, essas escolhem direções que são sociais e não anti-sociais, ou más. Dizem que com esse tipo de terapia o individuo pode muito bem ser um melhor ladrão ou um melhor assassino , e para mim essa é uma possibilidade bastante lógica. Mas, de acordo com minhas experiências , isso simplesmente não acontece. Se ofereço a uma pessoa a possibilidade de se expressar, de buscar suas próprias direções, ela não escolhe ser um melhor ladrão ou coisa semelhante, mas procura seguir a direção de maior harmonia com seus companheiros.
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