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3 de dezembro de 2015

A PRÁTICA DA PSICOLOGIA ESCOLAR

O Conselho Federal de Psicologia envia em 17 de outubro de 1992 ao Ministério do Trabalho as seguintes atribuições do psicólogo escolar/educacional que fazem parte do catálogo brasileiro de ocupações:

Atua no âmbito da educação, nas instituições formais ou informais. Colabora para a compreensão e para a mudança do comportamento de educadores e educandos, no processo de ensino aprendizagem, nas relações interpessoais e nos processos intrapessoais, referindo-se sempre as dimensões política, econômica, social e cultural. Realiza pesquisa, diagnóstico e intervenção psicopedagógica individual ou em grupo. Participa também da elaboração de planos e políticas referentes ao Sistema Educacional, visando promover a qualidade, a valorização e a democratização do ensino. (p.5)


Para Andrada(2005) O início da prática do psicólogo escolar/educacional era centralizado nos problemas de aprendizagem e no desenvolvimento considerado normal, seus instrumentos iniciais eram testes para medir a capacidade do aluno separando os aptos dos não aptos à aprendizagem, o que caracterizava um pensamento excludente e linear de causa e efeito, prática essa que teve um impacto grande na vida dos alunos, já que via o aluno como portador de deficiência, portador de falhas, ou seja, como dono de sua dificuldade, entretanto ao entrar na escola o psicólogo pôde observar através do seu olhar a força  dos determinantes sociais nos problemas de aprendizagem, mas ainda existia a força da instituição, a escola, que exigia que o profissional enfatizasse o aluno problema para que ele se adaptasse as normas e a aprendizagem.

Infelizmente percebe-se ainda hoje uma psicologia escolar/educacional em crise, primeiro por causa da demanda que é enorme, pois há muitos alunos não adaptados ao “objetivo” da escola, em segundo temos a visão de muitos profissionais da educação pautado no paradigma da anormalidade x normalidade.



Por isso deve-se olhar a escola através de um pensamento sistêmico em que o todo é maior que a soma das suas partes, ou seja, o funcionamento do sistema não pode ser entendido a partir do funcionamento de uma só parte, dessa forma, para compreendermos o processo interacional é preciso considerar diversas causas assim como a função que determinado problema está exercendo no processo. Com esta revolução no pensamento o aluno não pode mais ser visto como sujeito dotado de problemas, como um ente separado do sistema relacional, mas como um sujeito relacional.

A partir disso o psicólogo escolar/educacional não pode mais eleger um único modelo para explicar as dificuldades de aprendizagem, não pode se fazer neutro na escola e nas relações e deve aceitar a ideia de que uma dificuldade de aprendizagem pode exercer alguma função em um dos sistemas no qual o aluno vive.

Além das atribuições do psicólogo escolar/educacional publicadas pelo CFP pode-se exemplificar que o psicólogo pode:

a) aplicar conhecimentos psicológicos na escola, concernentes ao processo ensino-aprendizagem, em análises e intervenções psicopedagógicas; referentes ao desenvolvimento humano, às relações interpessoais e à integração família comunidade escola, para promover o desenvolvimento integral do ser; b) analisar as relações entre os diversos segmentos do sistema de ensino e sua repercussão no processo de ensino para auxiliar na elaboração de procedimentos educacionais capazes de atender às necessidades individuais.(ANDRADA, 2005, P.3)


Além de demonstrar para a instituição a visão de sujeito que o psicólogo tem, o que pensa acerca dos problemas de aprendizagem e as estratégias diferenciadas que tem, ao invés do esperado atendimento individual na “sala do Psicólogo”.

O psicólogo deve olhar o todo, e dentro desse todo está a relação escola - família. Família e escola são duas instituições fundamentais para desencadear os processos evolutivos das pessoas atuando como propulsores e inibidores do crescimento. Andrada (2005) analisa que devemos perceber como psicólogo escolar/educacional junto a família sobre a função dessa dificuldade do aluno neste momento no ciclo vital da família e ainda podemos:

Confrontar família e professor quando necessário, criando um espaço de diálogo franco acerca das dificuldades de todos, não só do aluno, diluindo nos sistemas a culpa pelo fracasso escolar. Assim, outra armadilha é enfraquecida: a culpa sempre é da família. (id, p.4)


Há muitos benefícios na integração família e escola, primariamente na participação no projeto político e pedagógico da escola, eixo até mesmo normatizado pelo Estatuto da criança e do adolescente (1990) no seu artigo 53 parágrafo único: “é direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais”.


Neste ínterim a família participa e fica a par dos programas curriculares, projetos pedagógicos e pode acompanhar o progresso e a necessidade dos alunos. Esse pode ser o início da sua participação pois a família e a escola devem ser parceiros na realização de reuniões conjuntas, com oportunidades para os pais falarem de seus papéis e de si mesmos, além de promoção de encontros com a possibilidade de ajudar os pais e professores para troca de informações.






Referências Bibliográficas:

Andrada, E. G. C. (2005). Novos paradigmas na prática do psicólogo escolar. Psicologia, Reflexão e Crítica, 18,  Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/prc/v18n2/27470.pdf>
Acesso em: Acesso em: 04 de Out. 2015.

Conselho Federal de Psicologia, (CFP). Disponível em:< http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2008/08/atr_prof_psicologo.pdf> Acesso em 04 de Out. 2015

Estatuto da Criança e do Adolescente, 1990 Disponível em < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8069.htm> Acesso em 01 de Out. 2015

19 de novembro de 2015

Harlow e sua experiência com macacos rhesus


     Para estudar o desenvolvimento de respostas afetivas de macacos neonatais , Harlow separou macacos de suas mães após o nascimento. Em seus experimentos, cada bebê teve acesso a duas mães artificiais, uma delas sendo uma armação de arame com rosto de madeira e uma mamadeira à altura do peito, e a outra mais ou menos semelhante, mas revestida de um tecido felpudo. Os bebês ficavam com ambas as mães, mas à medida que cresciam, mostravam uma forte ligação com a mãe de pano. 
    Quando se deparavam com um intruso, por exemplo, um urso mecânico de pelúcia, fugiam para junto da mãe de pano, agarravam-se a ela e, então, confortados e sem medo, examinavam o urso. Do mesmo modo, quando colocados numa sala estranha, procuravam imediatamente a mãe de pano e se agarravam a ela em busca de consolo, antes de iniciarem a exploração.






Fonte:

17 de novembro de 2015

Questões de Psicologia - Psicologia do desenvolvimento.


(FGV)MP-MS 2012
60) Um estudo clássico mostrou que filhotes de macacos rhesus, colocados em situações de stress, dirigiam-se para “mães” cobertas com tecido macio em vez de buscarem “mães” de arame, capazes de alimentá-los por meio de dispositivos conectados às mamadeiras.
Tais estudos tiveram importante influência na Psicologia do Desenvolvimento, abrindo novas discussões sobre a formação precoce dos vínculos.
A esse respeito, analise as afirmativas a seguir.

I. Os estudos sobre a “mãe” de arame x a “mãe” de pano foram realizados por Harlow.
II. Os estudos sobre a “mãe” de arame influenciaram a Teoria do Apego de Bowlby.
III. A Teoria do Apego de Bowlby considera que a tendência para constituir vínculos de apego é inata.
Assinale:
(A) se somente a afirmativa I estiver correta.
(B) se somente a afirmativa II estiver correta.
(C) se somente a afirmativa III estiver correta.
(D) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
(E) se todas as afirmativas estiverem corretas.

70) Com relação às novas contribuições para o estudo do desenvolvimento humano, assinale a afirmativa incorreta.

(A) As pessoas não podem ser estudadas sem que se leve em conta o meio ambiente, de acordo com os contextualistas.
(B) O principal representante da corrente sócio-cultural é Yuri Brofenbrener.
(C) A perspectiva etológica preocupa-se com as bases biológicas e evolutivas do comportamento.
(D) A estampagem é um conceito que diz respeito à predisposição para aprendizagem.
(E) A pesquisa etológica valoriza a observação naturalista, que pode ser combinada com outros métodos.



RESPOSTAS:

60) R: E
Experimentos com macacos rhesus, feitos por Harry Harlow na década de 50, mostraram que o apego não surge por causa das satisfações alimentares (num modelo de macaco confeccionado com arame), mas sim em razão do aconchego que eles encontravam num modelo de tecido, o que influenciou  Bowby que denominou o vínculo mãe-filho de apego

70) R: B
Teoria sóciocultural tem como seu principal representante Vygotsky. A Teoria de Urie Bronfenbrenner é a Bioecológica em que o desenvolvimento é definido como o fenômeno de continuidade e mudança nas características biopsicológicas dos seres humanos, tanto como indivíduos quanto em grupos. O fenômeno extende-se ao longo do curso de vida em sucessivas gerações através do tempo histórico presente e passado.




Referências:
DE TONI, Plínio Marco et al . Etologia humana: o exemplo do apego. Psico-USF, Itatiba.V.9, 2004.< http://www.scielo.br/pdf/pusf/v9n1/v9n1a12.pdf>

10 de novembro de 2015

René Spitz Parte II


3.A FASE DO OBJETO LIBIDINAL PROPRIAMENTE DITO

·      Ansiedade 8° mês
·      É o Segundo organizador
· Recusa de contato da criança, de maior ou menor intensidade, frente a um desconhecido.
·  Uma ansiedade de perda de objeto - a criança reage assim diante da face de um estranho porque se sente privado da mãe.

      Mudanças acarretadas pelo estabelecimento do segundo organizador:

a)Na esfera somática (a mielinização das vias neurais torna possível o funcionamento diacrítico do mecanismo sensorial).
b) No Sistema mental: ativação de operações mentais e as sequências de ações dirigidas e cada vez mais diversificadas; funcionamento dos mecanismos do ego.
c)  Na organização psíquica: As descargas dirigidas diminuem o nível de tensões no sistema psíquico; consegue-se uma distribuição melhorada na economia psíquica. Isso facilita a realização voluntária e dirigida da obtenção de prazer

  • As manifestações de desprazer tornam-se cada vez mais estruturadas e inteligíveis.
  • Com isto a criança dominou o apelo: a capacidade de voltar-se para o meio que a circunda e de assinalar suas necessidades, a criança pode transmitir signos, voluntários e deliberadamente.
  • As duas partes da experiência - O choro de fome e a satisfação que se segue, passam a ter ligação na memória da criança. Dois traços de memória estabelecidos e reforçados por uma conexão afetiva que podem ser compreendidos sob a perspectiva do Estágio da Onipotência Infantil O sentimento de onipotência é um estágio inicial do sentido de realidade.
  • No primeiro estágio da ansiedade, o de estados de tensão psicológica, uma reação de desprazer é manifestada quando a tensão interna perturba o estado de equilíbrio. No segundo estágio, a reação de medo é provocada por um objeto de percepção com o qual a criança já teve uma ligação anterior de experiência de desprazer. Quando a criança experimenta outra vez este objeto de percepção investido de desprazer, responde com uma reação impetuosa.
  • A ansiedade dos 8 meses é bastante diferente do comportamento de medo, a ansiedade que demonstra não é uma resposta à memória de uma experiência desagradável com um estranho; é uma resposta à sua percepção de que a face do estranho não é idêntica aos traços de memória da face materna. Isto ilustra a operação de apercepção

A comunicação humana é terceiro organizador da psiquê

·         A criança luta pela autonomia e consegue sair do alcance da mãe, a intervenção materna terá que se basear, cada vez mais, no gesto e na palavra.
·         Enquanto fala a palavra "não", a mãe balança a cabeça, enquanto impede a criança de fazer o que estava pretendendo.O meneio negativo de cabeça e a palavra "Não" constituem os primeiros símbolos semânticos a aparecer no código de comunicação semântica da criança. Representam um conceito; o conceito de negação, de recusa, no sentido estrito do termo. Não é apenas um sinal, mas também um signo da atitude da criança, consciente ou inconsciente.

A dinâmica que leva á aquisição do gesto semântico do "não" é a seguinte:

    1. O gesto de meneio negativo da cabeça e a palavra "não" pronunciada pelo objeto libidinal são incorporados ao ego da criança, como traços de memória.
       2. A carga afetiva de desprazer separa-se desta representação - essa separação provoca um impulso agressivo que será então ligado por associação ao traço de memória no ego. 
       3. A identificação com o agressor será seguida por um ataque contra o mundo exterior.
       4. Devido a numerosas experiências de desprazer - O "não" é investido com investimento agressivo.
      5. Isso torna o não apropriado para expressar a agressão.
     6. Começa a Fase de teimosia da criança.

  • Na mesma idade em que se adquire o gesto "não", por volta do décimo quinto mês de vida", a separação entre os sistemas não está tão firmemente estabelecida como ficará mais tarde
  •   Vários meses depois, quando a palavra "não" é também incorporada na memória como uma representação de palavre, a separação entre as representações inconscientes de coisa e as representações pré-conscientes de palavra já estarão mais desenvolvidas.



Fonte:


9 de novembro de 2015

René Spitz Parte I

Médico, psicanalista e pesquisador do desenvolvimento da criança em seus primeiros anos de vida no que concerne a relação mãe-bebê e o desenvolvimento das relações objetais (1887-1974)

Spitz identifica três do desenvolvimento da primeira infância:

1. Fase não-objetal
2. Fase do precursor do objeto
3. Fase do objeto libidinal propriamente dito

  1. A FASE NÃO-OBJETAL
·      Essa fase corresponde ao narcisismo primário de Freud (fase em que o sujeito toma o próprio corpo como sendo ao mesmo tempo fonte e objeto).
·      O psíquico e o somático não estão separados.
·      As noções de interior e exterior não existem.
·      Não há separação entre pulsão e objeto.
·      Não há atividade psíquica e mental e os afetos são indiferenciados e caóticos.
·       Há uma barreira de proteção natural para os estímulos, pois, suas estações receptoras ainda não desenvolvidas e em atividade total; o bebê passa a maior parte do dia dormindo.
·       O princípio do Nirvana: Quando os estímulos ultrapassam certo limiar, o bebê reage a esta excitação negativa (desprazer), por um processo de descarga(choro) para encontrar a quietude
·       Aqui o bebê passará da recepção cenestésica (faculdade de captar no sentido visceral do termo) para a percepção diacrítica
·      A Cavidade Oral combinada com a mão, é fonte de sensações e de experiências que permitem a constituição de um dos primeiros núcleos do ego. A criança sente o mamilo na sua boca e vê a face de sua mãe. Estas duas percepções simultâneas, de contato e à distância, são parte integrante da nossa experiência e permitem a passagem progressiva da "orientação pelo toque para o sentido da orientação pela percepção à distância". É assim que começa a constância objetal e a formação do objeto.


  1. A FASE DO PRECURSOR DO OBJETO 
A aparição da resposta do sorriso constitui o protótipo e a base de todas as relações sociais

  • A resposta do sorriso é uma manifestação do desenvolvimento do comportamento (de dois a seis meses, 98% das crianças sorriem).
  • O bebê sorri não importa para que face. Isso significa que ele ainda não percebe uma pessoa, um objeto libidinal, mas um sinal.
  •  A reação de sorriso é um esquema (fenômeno específico) do comportamento. É este indicador que anuncia o estabelecimento do primeiro organizador do psíquico.
As consequências e o significado do estabelecimento do primeiro organizador são:

a)    Percepção de estímulos vindo de fora
b)    Principio da realidade
c)    O bebê é capaz de reconhecer a face humana – Processo de pensamento
d)    Aos três meses ocorre um importante passo de integração, que reúne os diversos núcleos do ego numa estrutura de maior complexidade, formando o ego rudimentar. Ego e id separaram-se e o ego rudimentar começa a funcionar. A operação de ego rudimentar reflete-se na crescente coordenação e direção da atividade muscular, centro gravitacional de organização, coordenação e integração.

e)    A função protetora da barreira do estímulo é assumida pelo ego emergente.





FONTE:

8 de junho de 2012

Dislexia


Saiba mais sobre a dislexia, é só  assistir os vídeos gratuitamente nesse site:


E- aulas USP - Dislexia http://eaulas.usp.br/portal/video.action?idItem=604
E- aulas USP - Dislexia -Como lidar com o diferente em sala de aula
 http://eaulas.usp.br/portal/video.action?idItem=3123





Atualizado: 24/11/2015

20 de maio de 2010

Estratégias de aprendizagem



Definições:

Para Rigney (1978) São operações e procedimentos cognitivos utilizados para adquirir, reter e recuperar diferentes tipos de conhecimento e desempenho.
Gagné (1980) Capacidades internamente organizadas que orientam a aprendizagem e,quando desenvolvidas, o qualificam como auto aprendiz.
Warr e Bunce (1995) São atividades de processamento de informações usados por aprendizes no momento da codificação, com a finalidade de facilitar a aquisição, armazenagem e subseqüente recuperação da informação aprendida.
Pozo (1999) Procedimentos que se aplicam, de modo controlado, dentro de um plano projetado deliberadamente com a finalidade de alcançar uma meta fixada. Elas requerem planejamento e controle de sua execução.

Warr e Allan (1998) Classificão as estratégias de aprendizagem em :

1) Cognitivas 2) Comportamentais 3) Auto – reguladoras

1) Estratégias Cognitivas:

a) Repetição mental
b) Organização
c) Elaboração

2) Estratégias Comportamentais

a) Procura de ajuda interpessoal
b) Procura de ajuda de material escrito
c) Aplicação prática

3) Estratégias Auto – regulatórias

a) Controle emocional
b) Controle motivacional
c) Monitoramento da compreensão

Questões FMS – Piauí 2010

25. As estratégias comportamentais de aprendizagem são:

(A) controle emocional, procura por ajuda interpessoal e aplicação prática.
(B) procura por ajuda interpessoal, procura por ajuda de material escrito e aplicação prática.
(C) controle motivacional, controle emocional e aplicação prática.
(D) repetição mental, controle motivacional e controle emocional.
(E) procura por ajuda interpessoal, repetição mental e elaboração.

26. São atividades de processamento de informações usadas por aprendizes, com a finalidade de facilitar a aquisição, a armazenagem e a recuperação de informação, envolvendo processos manifestos e ocultos e variando entre indivíduos e situações.

(A) Estratégias comportamentais de motivação.
(B) Locus de controle.
(C) Estratégias de aprendizagens.
(D) Estratégias auto-reguladoras.
(E) Estratégias de aprendizagem cognitivas.


Referência:

Pantoja, M. J., & Borges-Andrade, J. E. (2009). Estratégias de aprendizagem no trabalho em diferentes ocupações profissionais. Disponível em http://www.anpad.org.br/periodicos/arq_pdf/a_833.pdf




4 de outubro de 2009

Aplicação das idéias Rogerianas ao trabalho diário do professor:

Para Rogers existem três condições fundamentais à aprendizagem:


Ter empatia
Aceitar positiva e incondicionalmente o aluno
Ser autêntico



O professor é um facilitador que adota uma atitude centrada na pessoa, acreditando que ela tem a tendência para desenvolver-se, autodirigir-se e reajustar-se, e o professor ajudará a criar um ambiente que facilite esse crescimento.

Diretrizes para o professor

1. Acabar com os julgamentos, cortar avaliações tanto negativas como positivas, evitar adjetivos como: certo, errado, bonito, feio, etc.

2. Evitar rótulos, diagnósticos e prognósticos. Essas afirmações prejudicam seu relacionamento com os alunos

Ex: Você está querendo chamar atenção!
Você nunca vai conseguir um bom emprego.

3. Receber com cuidado os comentários e as perguntas que parecem não ter relação com o tópico que está sendo tratado.

Ex: A classe estava estudando estradas de ferro. Uma menininha disse:
- Minha vó está muito doente.
Um professor que respeita a criança respondeu:
- E você quer ir visitá-la de trem?

Mais comum, porém seria a resposta?
-O que tem isso a ver com nosso assunto?ou :
- O que tem sua vó com estradas de ferro?

4. Evitar considerar como um desafio proposital uma pequena infração do aluno. Deixar sempre aberta aos alunos uma porta para uma saída honrosa. Esta máxima evita muitos problemas disciplinares.

5. Expressar irritação sem ofender a criança

Cada professor deve desenvolver uma aversão à palavras que humilham e aos atos que machucam. Mesmo quando irritado, um professor pode evitar palavras que ofendam . O lema do professor é:"Indignação , sim! Indignidade, não!”

6. Reconhecer e aceitar os sentimentos do aluno

Ex:
O professor pediu a aluna, que lesse algumas frases, ela leu em voz baixa, gaguejou e finalmente parou de ler. Ela cobriu o rosto com o livro, de tanto embaraço.
O professor disse:
-Ler inglês em voz alta não é fácil. A gente tem medo de cometer erros e receber zombarias. É preciso coragem pra ficar de pé e ler, obrigado por tentar.

No dia seguinte a aluna, foi chamada pra ler, pôs-se de pé e leu.

7. Evitar perguntas que contenham mensagens de desaprovação, desapontamento ou desprazer. Há perguntas que fazem o aluno sertir-se tolo, culpado, enraivecida e vingativa.

Ex: Por que você tem que brigar com todo mundo?
Por que você é tão desorganizado?
Por que você não cala a boca de vez em quando?


Quando eu fazia a quinta série, há muitos anos atrás, uma professora chegou perto de mim e disse: você está tão desleixada!, eu me lembro que cheguei em casa e a primeira coisa que fiz foi perguntar a minha mãe o que era desleixada!



Fonte:
BARROS,Célia Silva Guimarães, Pontos de psicologia escolar, 5° edição, 2007.

14 de junho de 2009

Valores humanos

Olá, minha gente, minha semana temática em homenagem ao dia dos namorados acabou, e muita coisa aconteceu, comecei a ministrar aulas no pro-jovem, são 15 horas por semana fora os meus cinco estágios (vejam bem a situação em que vivo), de segunda a quinta quatro horas diárias de aula, pra quem só usava 50 minutos estou sofrendo pra caramba, o que me trouxe a este post é a aula de amanhã o conteúdo a ser trabalhado é sobre valores humanos, baseado no Programa de Educação em Valores Humanos desenvolvido pelo Sai Baba, Segundo esse programa, são cinco os principais valores humanos a serem trabalhados para a edificação do caráter: Verdade, Ação Correta, Paz, Amor e Não-violência.

Os valores humanos devem ser passados ao estudante através de histórias, contos, reflexões, canções, poemas e outras atividades que reforcem o tema proposto no dia e o estimulem a refletir sobre os valores e a vivenciá-los na prática de seu dia-a-dia, pois é, vamos falar sobre a verdade, a ação correta, a paz, o amor e a não violência, e mais do que falar é tentar vivê-los a cada dia.




Saiba mais:

http://www.construirnoticias.com.br/asp/materia.asp?id=794
http://www.valoreshumanos.org/
http://www.humanvalues.org/capitulo_1_programa.htm

6 de janeiro de 2009

A QUESTÃO DA AFETIVIDADE

Barreto (apud Velthuis; Ferreira, 2004) define a afetividade como:

“O conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos e paixões acompanhados sempre de impressão de dor, prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de alegria ou tristeza.”

Para Wallon (apud Almeida; Mahoney, 2005) a afetividade refere-se à capacidade do ser humano de ser afetado pelo mundo externo/interno por sensações agradáveis e desagradáveis, o autor ainda diferencia afetividade de emoção, esta como a exteriorização da afetividade, sua expressão motora; do sentimento referindo-se a expressão representacional da afetividade; e da paixão, esta “revela o aparecimento do auto controle para dominar uma situação (idem)”.

O ser humano tem como características possuir vínculos afetivos, a sua afetividade mostra-se na interação com o mundo escolar, sua comunidade, os conteúdos, com a escola como instituição que possui uma história e características próprias, na relação com os alunos, com o professor e com ele mesmo. Em relação ao educador e a afetividade Velthuis e Ferreira (2004) afirmam que:

“Afetividade é se preocupar com seus educandos, é reconhecê-los como indivíduos autônomos, com uma experiência de vida diferente da sua, com direito a ter preferências e desejos nem sempre iguais aos seus. Enfim aceitá-los em suas nuances e respeitá-los.”

Tassoni (2000) declara que no decorrer do desenvolvimento o vínculo afetivo presente na relação mãe-pai-filho amplia-se para a figura do professor, corroborando com o seguinte estudo:

“O professor é, tanto quanto os pais, um modelo de identificação os alunos. Como uma mãe o professor precisa olhar todos os seus alunos (filhos) individualmente. Tentar compreendê-los de tal modo que seja possível trilhar o melhor caminho sobre o que dizer a cada um deles e por quê os conhece, isto é, por que os observa, cuida das suas crianças. Como um pai que ocupa a posição de responsabilidade, o professor atua com o objetivo de fazer com que os direitos e deveres sejam compreendidos e seguidos (Silva, 2006).”

A relação professor-aluno é permeada de afetividade, esta ajuda ou dificulta a finalidade desses sujeitos estarem no espaço escolar, que é o ensino-aprendizagem e a formação e socialização destes indivíduos, no entanto, uma relação afetiva não pode ser confundida com falta de limites, Freire (apud Velthuis; Ferreira, 2004) nos diz “ninguém aprende ou constrói nada no meio do caos. As aulas devem ser estimuladas, mas disciplinadas, ajudando a constante formação do educando”.


Referências:

MAHONEY, Abigail Alvarenga e ALMEIDA,Laurinda Ramalho de. Afetividade e processo ensino-aprendizagem: contribuição de Henri Wallon. Psicologia da Educação, 2005, vol 20 p.11-30. Issn 1414-06975 .
SILVA, C. S. R. A relação dinâmica transferencial entre professor-aluno no ensino. Ciências & Cognição, vol. 8:165-171, 2006.
TASSONI, Elvira Cristina Martins. Afetividade e aprendizagem: a relação professor-aluno. Anuário do GT de Psicologia da Educação. ANPED, set. 2000.

VELTHUIS, Cleidi Lange; FERREIRA, Cristina, A Valorização da Afetividade no Processo de Ensino-Aprendizagem, In: Revista de divulgação técnico-cientifica do IPC, v. 2, n. 7, 2004, p. 139-142.
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