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3 de abril de 2016

Aprenda a detectar mentiras com 'Manual de Persuasão do FBI


13/03/2016 - 18h29
 Livraria da Folha

Jack Schafer, ex-agente especial para o Programa de Análise Comportamental da Divisão de Segurança Nacional do FBI, ensina em "Manual de Persuasão do FBI" como usar estratégias para entrevistar terroristas e detectar mentiras no cotidiano.
Abaixo, leia um trecho.
*
OPERAÇÃO GAIVOTA

  Seu codinome era Gaivota.

   Ele era um diplomata estrangeiro de alto escalão.

   Poderia ser um recurso valioso, caso se tornasse espião para os Estados Unidos.

   O problema: como convencer alguém a jurar aliança a um país adversário? A resposta: fazendo amizade com o Gaivota e apresentando uma oferta tentadora demais para recusar. A chave para essa estratégia envolvia paciência, pesquisa cuidadosa de todas as facetas da vida do Gaivota, e uma maneira de promover a relação com um colega americano em quem ele confiasse.

   Uma investigação sobre o Gaivota revelou que sua promoção fora rejeitada várias vezes e alguém o ouvira dizer que ele gostava de viver na América e consideraria se aposentar no país, se isso fosse possível. O Gaivota também temia que a pequena pensão de seu país não fosse suficiente para uma aposentadoria confortável. Armados com esse conhecimento, os analistas de segurança acreditavam que a lealdade do Gaivota a seu país poderia ser subvertida se ele recebesse um incentivo financeiro adequado.

   O desafio era chegar perto o bastante para fazer uma oferta financeira sem assustá-lo. Charles, o agente do FBI, recebeu ordem para cultivar lenta e sistematicamente a relação com o Gaivota, como se estivesse deixando um bom vinho envelhecer, para abordá-lo no momento certo com uma oferta. O agente não poderia ser rápido demais ou o diplomata "acionaria os escudos" e poderia passar a evitá-lo completamente. Em vez disso, ele recebeu instruções para orquestrar sua aproximação, usando estratégias comportamentais criadas para estabelecer amizades. O primeiro passo era fazer Gaivota gostar de Charles antes de trocarem qualquer palavra. O segundo era usar os comandos verbais apropriados para traduzir aquela boa vontade numa amizade de longo prazo.

  A preparação para o importante primeiro encontro começou muitos meses antes de efetivamente acontecer. A Inteligência havia descoberto que o Gaivota rotineiramente deixava a embaixada uma vez por semana e andava dois quarteirões até o mercado na esquina. Armado com essa informação, Charles recebeu ordens para se posicionar em vários locais no caminho até o mercado. Ele não poderia de jeito nenhum abordar ou ameaçar o diplomata; deveria simplesmente "estar lá" para que ele pudesse vê-lo. Como um agente de inteligência treinado, não demorou até o Gaivota notar o agente do FBI, que, a propósito, não fez esforço algum para esconder sua identidade. Uma vez que Charles não fez menção alguma de interceptar ou falar com seu alvo, ele não se sentiu ameaçado e se acostumou a ver o americano em suas idas ao mercado.

    Após várias semanas juntos na mesma vizinhança, o Gaivota fez contato visual com o agente americano. Charles acenou com a cabeça, reconhecendo sua presença, mas não mostrou interesse além disso. Mais semanas se passaram e, enquanto isso, Charles incrementava a interação não verbal entre ambos aumentando o contato visual, elevando as sobrancelhas, inclinando a cabeça e erguendo o queixo, todos códigos não verbais que os cientistas descobriram ser interpretados pelo cérebro como "sinais amistosos".



   Dois meses se passaram antes de Charles dar o próximo passo. Ele seguiu o Gaivota até o mercado, mas manteve distância. A cada nova ida ao mercado, Charles continuou entrando também no estabelecimento, ainda mantendo distância, mas aumentando o número de vezes em que cruzava com o diplomata nos corredores e aumentando a duração do contato visual. Notou que o Gaivota levava uma lata de ervilhas a cada compra. Com essa nova informação, Charles esperou mais algumas semanas e então, em certa ocasião, seguiu o Gaivota para dentro do mercado como de costume, mas desta vez com o objetivo de se apresentar. Quando ele foi apanhar a lata de ervilhas, Charles apanhou a lata ao lado, virou e disse: "Olá, meu nome é Charles e sou um agente especial do FBI". O Gaivota sorriu e disse: "Foi o que pensei". A partir desse encontro inócuo, os dois desenvolveram uma amizade próxima. O Gaivota finalmente concordou em ajudar seu novo amigo do FBI passando regularmente informações secretas.

   Um observador casual, assistindo à lenta aproximação que durou vários meses, poderia se perguntar por que demorou tanto para o primeiro diálogo acontecer. Não foi por acidente. Na verdade, todo o recrutamento foi uma cuidadosa operação psicológica criada para estabelecer um elo de amizade entre dois homens que, sob circunstâncias normais, nunca contemplariam uma relação assim.

   Como membro do Programa de Análise Comportamental do FBI, fui destacado, junto a meus colegas, para orquestrar o cenário de recrutamento do Gaivota. Nosso objetivo era fazer o diplomata se sentir confortável o bastante com nosso agente do FBI para que uma reunião pudesse acontecer e, se tivéssemos sorte, mais reuniões acontecessem, caso Charles conseguisse causar uma boa impressão. Nossa missão era mais difícil que o normal porque o Gaivota era um oficial de Inteligência altamente treinado, que constantemente ficaria em alerta com qualquer pessoa que despertasse suspeita, o que o faria evitar tal pessoa a todo custo.

   Para que Charles fosse bem-sucedido no encontro cara a cara, o diplomata precisaria estar psicologicamente confortável com seu colega americano e, para isso acontecer, Charles precisaria dar passos específicos que, no fim das contas, tiveram sucesso. Os passos que Charles precisou seguir para ganhar a confiança do Gaivota são os mesmos que você deve tomar para desenvolver amizades de curto ou longo prazo

Fonte:



22 de março de 2016

Negação


14 de julho de 2013

Estudar é preciso!


3 de junho de 2009

Identidade

Às vezes nem eu mesmo
Sei quem sou.
Às vezes sou
"o meu queridinho"
Às vezes sou
"moleque mal criado"
Para mim
Tem vezes que sou rei,
herói voador,
cowboy lutador,
jogador campeão.
Às vezes sou pulga,
Sou mosca também,
que voa e se esconde
de medo e de vergonha
Às vezes sou Hércules, Sansão Vencedor,
peito de aço,
goleador.
Mas o que importa.
o que pensam de mim?
Eu sou quem sou, eu sou eu,
sou assim,
sou menina.

PEDRO BANDEIRA

29 de maio de 2009

Pelego

E´ sabido que todo psicanalista deve, ele mesmo, fazer análise antes de começar a analisar os outros. Segundo o analista de Bagé, isto acontece pela mesma razão que um cirurgião desinfeta as mãos "antes de mexê em tripa alheia" é para "o vivente descobri se não tá na profissão só pra ouvi bandalheira". O próprio analista de Bagé precisou se analisar, mas não passou da primeira sessão e teve que ser contido para não cumprir sua ameaça de sangrar seu analista, porque "esse aí só serve pra morcilha".
- Mas morcilha de sangue de gente não presta.
- Então não serve pra nada!
Nunca se soube muito bem o que houve durante a sessão, mas por muito tempo o analista de Bagé só se referia ao outro como "más bisbilhoteiro que filho de empregada".
A solução foi o próprio analista de Bagé se auto-analisar. Ele mesmo conta que foi um pouco cansativo ficar pulando do banquinho para o pelego e do pelego para o banquinho durante cinqüenta minutos, mas valeu a pena.
- Hoje me conheço de me tratar por tu e dividi palheiro, tchê.
Ninguém esteve presente, é claro, mas foi possível fazer uma razoável reconstituição do diálogo entre o analista de Bagé e ele mesmo, logo depois da formatura.
- Mas então, tchê?
- Pôs to aqui.
- Que venham os loco?
- Que venham os loco que eu reparto de pechada, tchê.
- Oigalê!
- Por Freud e Silveira Martins.
- Oigatê!
- Se corcoveá, eu monto.
- E dá de relho.
- Bueno, de relho não. De relho, só cavalo aporreado e china respondona.
- Guasca velho! E tu não tem nada pra botar pra fora? Recalque, complexo ou arroto?
- Mas o que é isso, índio velho? Tu sabe que bageense é como vitrine de belchior, tá tudo ali na frente. Escondido só bragueta de gordo.
- Não é como essas outra raça.
- Pos não é. Tem raça que é que nem cestinha de morango. Por baixo é tudo podre.
- Bueno, se todo mundo fosse gaúcho, ser gaúcho não era vantagem.
- E ia faltar mate.
- Deus fez os outros primeiro e o gaúcho quando pegou a prática.
- Por isso é que tem tanto índio desajustado.
- Teu trabalho é curar esses desgarrado.
- E tu acha que eu to pronto, tchê?
- Mas tu ta virando carvão, tchê! Salta daí e vai trabalhar.




LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO, Histórias do analista de Bagé,

24 de maio de 2009

O Guardião

Tô publicando essa estória em homenagem ao meu psicólogo, que me contou essa história com tanta dramaticidade, ele incorporou realmente o personagem.
Eu esperei ele contar a estória todinha e no final ainda disse que eu já a conhecia e essa era bem velha, oh, maldade! Tava mal humorada nesse dia, mas é verdade por mais bonito que pareça o problema é sempre um problema e precisa ser exterminado.



Certo dia, num mosteiro zen-budista, com a morte do guardião, foi preciso encontrar um substituto. O grande Mestre convocou, então, todos os discípulos para descobrir quem seria o novo sentinela.
O Mestre, com muita tranquilidade, falou:
- Assumirá o posto o monge que conseguir resolver primeiro o problema que eu vou apresentar.
Então ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo. E disse apenas: - Aqui está o problema!
Todos ficaram olhando a cena: o vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro! O que representaria? O que fazer? Qual o enigma?
Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e ...ZAPT!... destruiu tudo, com um só golpe.
Tão logo o discípulo retornou a seu lugar, o Mestre disse:
Você é o novo Guardião. Não importa que o problema seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado.

Os orientais dizem:
- Para você beber vinho numa taça cheia de chá, é necessário primeiro jogar o chá para, então, beber o vinho.

(Roberto Shinyashiki)adaptado.

27 de março de 2009

18 de março de 2009

Assopre

Há alguns anos uma boa amiga minha faleceu, aliá sonhei com a morte dela uma semana antes (sincronicidade?), mas isso é outra história .

Nesse dia sentei na porta de casa com meu pai e isso é raro! Nas ocasiões em que faço isso ou é muito dinheiro (pois merece uma concentração toda especial), ou um problema difícil, e comecei a falar dessa minha amiga sobre as besteiras , os acertos, as mágoas, os momentos bons e ruins.

Meu pai olha pra mim e fala:

- Agora não importa mais, já passou!


Ás vezes não acontece a morte física, mas uma espécie de morte psicológica (sei lá) que ocorre com a distância, com o tempo, as ações, as inações, pois é:


PASSOU, passou, passou,passou, chore, fale , lamente mas PASSOU, passou, passou, passou

14 de março de 2009

Minha nada mole vida




Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele.

CARL ROGERS

20 de fevereiro de 2009

MOMENTO: PERGUNTE PRA ELE.

Questões prefeitura de lagoa grande-PE -2007


21. Sigmund Freud interessou-se primeiramente por:

a) Neurose
b) Histeria
c) Perversão
d) Psicose
e) Teorias psicodinâmicas


31. Lacan foi:

a) Psicanalista e poeta
b) Psicanalista e filósofo
c) Psicanalista
d) Psicanalista e advogado
e) Filósofo


34. Piaget foi:

a) Zoólogo
b) Biólogo
c) Filósofo
d) Psicólogo
e) Todas as alternativas

37. São escritos de Lacan, exceto:

a) O seminário sobre "A carta roubada"
b) Para-além do "Princípio de realidade"
c) A agressividade em psicanálise
d) Quando falar em psicanálise
e) A coisa freudiana


39. O termo neurose foi criado por:

a) William Cullen
b) Sigmund Freud
c) Alfred Adler
d) Jean Piaget
e) Lacan

al. Neurose; esp. neurosis; fr. névrose; ingl. neurosis

Termo proposto em 1769 (alguns afirmam que foi em 1777), pelo médico escocês William Cullen (1710-1790) para definir as doenças nervosas que acarretavam distúrbios da personalidade. Foi popularizado na França por Philippe Pinel (1745-1826) em 1785. Retomado como conceito por Sigmund Freud a partir de 1893, o termo é empregado para designar uma doença nervosa cujos sintomas simbolizam um conflito psíquico recalcado, de origem infantil.
Com o desenvolvimento da psicanálise, o conceito evoluiu, até finalmente encontrar lugar no interior de uma estrutura tripartite, ao lado da psi­cose e da perversão.


FONTE:

http://www.redepsi.com.br/portal/modules/wordbook/entry.php?entryID=679

13 de fevereiro de 2009

Depois de algum tempo você aprende...


Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e com o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou (...).

William Shakespeare

11 de fevereiro de 2009

eu analiso, tu analisas,ele/ela analisa,nós analisamos, vós analisais...

Encontram-se na área de serviço. Cada um com o seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.
- Bom dia.
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é ... - Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo ...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena.
- Na verdade sou só eu.
- Humm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar .
- Entendo.
- A senhora também .
- Me chama de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim.
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas como moro sozinha, às vezes sobra.
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é ...
- No outro dia, tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?

- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei, mas tenho visto uns vidrinhos de comprimidos no seu lixo...
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos.
- É que estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo,decidi que gostaria de conhecê-la . Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmos, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler ...
- Só não fiquei com ele porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através dos lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos
outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo.
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode... Jantar juntos?
- É. Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha.
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu...

LIXO, LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO
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