31 de dezembro de 2008

Um feliz 2009......Revolutions

Para ganhar um Ano Novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.



Drumond

30 de dezembro de 2008

Um feliz 2009......

Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.


DRUMOND

29 de dezembro de 2008

FREUD EXPLICA

Texto extraído do livro Freud explica de Alberto Godin, fala sobre o medo de viajar de avião e achei interessante, pois serve para entender os mecanismos de várias fobias e o elemento “místico” no texto abaixo me chama muita atenção, é sempre um conflito pessoal unir minhas crenças com o conhecimento que a psicologia traz.



A onipotência é um sistema que converte o indivíduo num imaginário diretor de cena e este mecanismo tem várias manifestações. Uma delas é a ONIPOTÊNCIA DO PENSAMENTO que supõe que os pensamentos surgidos, tanto no avião como no caminho para o aeroporto, são fundamentais para decidir se o vôo chegará ou não ao seu destino.

Um exemplo desta situação é alarmar-se por lembrar de uma pessoa que sofreu um acidente, analisar o número da poltrona e interpretá-lo como um recado do destino que nos avisa da proximidade da tragédia. Qualquer demora ocasional, nessas condições psicológicas, é interpretada como um prenúncio de fatalidade.

O que ocorre é que NEM SABEMOS E NEM PODERÍAMOS SABER com certeza o que acontecerá. O mecanismo onipotente está ali para não aceitar a impossibilidade humana de conhecer seu futuro imediato.

Essa ignorância não é específica da viagem de avião; é um sentimento que nos acompanha durante toda a vida, mas nesta ocasião torna-se insuportável.


O PREDESTINADO

Ainda que a fobia reduza momentaneamente a capacidade intelectual, quem a sofre sabe que os acidentes aéreos são muito pouco freqüentes; mas tem o exato sentimento de que, por serem pouco prováveis, o dia escolhido para ocorrer é precisamente aquele em que ele é um dos passageiros. E ainda que racionalmente compreenda que sua presença no vôo nada tem de particular, no íntimo tem a certeza de que este será um dia diferente.

O mais correto seria dizer que ele é um indivíduo especial e, se lhe permitirmos, nos contará todas as coisas casuais ou inesperadas que lhe ocorreram na vida. Basta para isso que durante um dia se acumulem dificuldades, que tudo lhe saia errado, para sentir-se pessoalmente tocado por esse destino. O contrário também vale quando as coisas da vida se organizam de forma surpreendentemente favorável. Logo considerará isto uma nova prova de sua excepcionalidade.

Sofre de uma espécie de ilusão de ótica muito difundida entre os que padecem de fobia. A ilusão consiste em que, como SEMPRE ESPERA O PIOR, quando algo acontece, também se confirma que possui um talento especial para antecipar os fatos. A contrapartida é que numa infinidade de situações O PIOR NÃO SE CONFIRMOU, mas, curiosamente, esse fato carece de importância para sua estatística subjetiva. O óbvio, então, é que tem a certeza de ser objeto de um destino singular; ser um escolhido de Deus, enorme honra, mas, também, pesada carga. Porque se Deus se ocupa pessoalmente do seu futuro, quer dizer que tem com ele um pacto de reciprocidade e, se valoriza e precisa muito desse pacto, conservará a fobia para não perdê-lo. Ou seja, é justamente a fobia o que marcará a condição de predileto de Deus.

A própria fobia é sinal da eleição divina. Se considerássemos por um instante a possibilidade dele ser um simples ser humano, sujeito a banais possibilidades estatísticas, denunciaríamos a fobia como um puro ato de arrogância.



In GOLDIN, Alberto, Freud Explica... 4ª ed., Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1989.
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