7 de janeiro de 2009

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL

PERÍODO JESUÍTICO


A companhia de Jesus foi fundada por Inácio de Loiola na capela de Montmarte, em 1534, com objetivos catequéticos, os primeiros jesuítas chegaram ao Brasil em março de 1549 comandados pelo padre Manoel de Nóbrega, quinze dias após a chegada edificaram a primeira escola elementar brasileira em salvador, com o primeiro professor chamado irmão Vicente com 21 anos, ele dedicou-se durante mais de 50 anos ao ensino e propagação da fé religiosa, o mais atuante noviço foi José de Anchieta, tornou-se mestre escola do colégio de Piratininga, foi missionário em São Vicente e autor da arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil. Os jesuítas se dedicaram à pregação da fé católica e ao trabalho educativo, perceberam que não seria possível converter os índios à fé católica sem que soubessem ler e escrever, vinte e um anos após a chegada a obra jesuítica era composta por cinco escolas de instrução elementar e três colégios. Os jesuítas mantinham os cursos de letras e filosofia, considerados secundários, e o curso de teologia e ciências sagradas, de nível superior, para a formação de sacerdotes, os que pretendiam seguir profissões liberais iam estudar na Europa, na universidade de Coimbra e na universidade de Montpellier, na França. Como característica da educação nesse período Casimiro afirma


"Podemos dizer que a Igreja tomou a si o papel principal, oferecendo oportunidades desiguais, manifestando preconceitos e justificando-os, em nome do Evangelho. Uma parcela de brancos freqüentava os colégios e podiam, alguns, fidalgos, ir completar os seus estudos no Reino. Para outros, que faziam parte da maioria da população, os não-brancos, ela proporcionou apenas os rudimentos das primeiras letras, o ensino profissionalizante, a catequese e a cristianização. "(CASIMIRO, 2006)


Quanto aos índios as cidades desejavam integrá-los ao processo colonizador; os jesuítas desejavam convertê-los ao cristianismo e aos valores europeus; os colonos estavam interessados em usá-los como escravos, o s jesuítas criaram a s missões, onde os índios além de passarem pelo processo de catequização, também são orientados ao trabalho agrícola, que garantiam aos jesuítas uma das suas fontes de renda. As missões acabaram por transformar os índios em nômades sedentários, o que contribuiu para facilitar a captura deles pelos colonos. Os jesuítas permaneceram mentores da educação brasileira por 210 anos, até 1759 quando foram expulsos de todas as colônias portuguesas por marquês de pombal, acontecendo uma grande ruptura histórica num processo já consolidado como modelo educacional.



Referências:

CASIMIRO, A. P. B. S. Pensamentos fundadores na educação religiosa do Brasil Colônia (2006). Disponível em Acesso 3/01/2009.

6 de janeiro de 2009

A QUESTÃO DA AFETIVIDADE

Barreto (apud Velthuis; Ferreira, 2004) define a afetividade como:

“O conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos e paixões acompanhados sempre de impressão de dor, prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de alegria ou tristeza.”

Para Wallon (apud Almeida; Mahoney, 2005) a afetividade refere-se à capacidade do ser humano de ser afetado pelo mundo externo/interno por sensações agradáveis e desagradáveis, o autor ainda diferencia afetividade de emoção, esta como a exteriorização da afetividade, sua expressão motora; do sentimento referindo-se a expressão representacional da afetividade; e da paixão, esta “revela o aparecimento do auto controle para dominar uma situação (idem)”.

O ser humano tem como características possuir vínculos afetivos, a sua afetividade mostra-se na interação com o mundo escolar, sua comunidade, os conteúdos, com a escola como instituição que possui uma história e características próprias, na relação com os alunos, com o professor e com ele mesmo. Em relação ao educador e a afetividade Velthuis e Ferreira (2004) afirmam que:

“Afetividade é se preocupar com seus educandos, é reconhecê-los como indivíduos autônomos, com uma experiência de vida diferente da sua, com direito a ter preferências e desejos nem sempre iguais aos seus. Enfim aceitá-los em suas nuances e respeitá-los.”

Tassoni (2000) declara que no decorrer do desenvolvimento o vínculo afetivo presente na relação mãe-pai-filho amplia-se para a figura do professor, corroborando com o seguinte estudo:

“O professor é, tanto quanto os pais, um modelo de identificação os alunos. Como uma mãe o professor precisa olhar todos os seus alunos (filhos) individualmente. Tentar compreendê-los de tal modo que seja possível trilhar o melhor caminho sobre o que dizer a cada um deles e por quê os conhece, isto é, por que os observa, cuida das suas crianças. Como um pai que ocupa a posição de responsabilidade, o professor atua com o objetivo de fazer com que os direitos e deveres sejam compreendidos e seguidos (Silva, 2006).”

A relação professor-aluno é permeada de afetividade, esta ajuda ou dificulta a finalidade desses sujeitos estarem no espaço escolar, que é o ensino-aprendizagem e a formação e socialização destes indivíduos, no entanto, uma relação afetiva não pode ser confundida com falta de limites, Freire (apud Velthuis; Ferreira, 2004) nos diz “ninguém aprende ou constrói nada no meio do caos. As aulas devem ser estimuladas, mas disciplinadas, ajudando a constante formação do educando”.


Referências:

MAHONEY, Abigail Alvarenga e ALMEIDA,Laurinda Ramalho de. Afetividade e processo ensino-aprendizagem: contribuição de Henri Wallon. Psicologia da Educação, 2005, vol 20 p.11-30. Issn 1414-06975 .
SILVA, C. S. R. A relação dinâmica transferencial entre professor-aluno no ensino. Ciências & Cognição, vol. 8:165-171, 2006.
TASSONI, Elvira Cristina Martins. Afetividade e aprendizagem: a relação professor-aluno. Anuário do GT de Psicologia da Educação. ANPED, set. 2000.

VELTHUIS, Cleidi Lange; FERREIRA, Cristina, A Valorização da Afetividade no Processo de Ensino-Aprendizagem, In: Revista de divulgação técnico-cientifica do IPC, v. 2, n. 7, 2004, p. 139-142.

5 de janeiro de 2009

A relação professor-aluno

São classificados de sociointeracionistas autores como Piaget, Vygotsky, Wallon e outros que possuem a idéia comum de que o aprendizado acontece por meio da interação significando que “o homem se relaciona com outros homens na condição de sujeito, de construtor da cultura e do conhecimento, com o meio ambiente e com os objetivos; que pela interação todos são alterados” (FILHO, 2002, pág. 83).

O ser humano vive em comunidade, no cerne das relações, segundo Wallon (apud Filho, 2002) o homem é geneticamente social e como tal vive no mundo das relações sendo que se ensina e se aprende como um meio de transmissão da cultura numa transição do social para o individual, uma vez que:


"Qualquer função no desenvolvimento cultural do menino ou da menina aparece duas vezes, ou em dois planos. Primeiro aparece no plano social e depois no plano psicológico. Em primeiro lugar, aparece entre as pessoas como uma categoria interpsicológica e depois aparece no menino ou na menina como uma categoria intrapsicológica" (Vygotsky, 1978, apud Cool, 2004, pág.98).


Não se pode negar que o encontro professor e aluno se configure uma relação e como tal possua características e dificuldades afetivas, até mesmo na educação tradicional em que o professor é uma agente que transfere o conhecimento enquanto o aluno tem a função de recebê-lo e memorizá-lo, pode - se afirmar categoricamente que nesse momento existe uma relação, mesmo que teoricamente distante e improdutiva, pois “a emoção é inerente ao ser humano tendo o domínio afetivo o lugar central” (FILHO, 2002, pág. 90).

Mudanças educacionais surgiram e com elas novas possibilidades e visões acerca do papel do professor e aluno, o professor deve perceber-se como um professor reflexivo, autônomo e crítico recebendo seus alunos como sujeitos sociais, históricos e com conhecimentos prévios, tem a função de mediador que através de instrumentos simbólicos e materiais trabalha nesta zona de desenvolvimento proximal que é definida por Vygotsky:


"Não é senão a distância entre o nível real de desenvolvimento, determinado pela capacidade de resolver independentemente um problema, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou em colaboração com outro companheiro capaz "(Vygotsky, 1978 apud Cool, 2004, pág.99).


Em relação ao aluno cabe o papel de um sujeito autônomo também promotor do próprio conhecimento, que possui sua individualidade e que deve segundo Freire (1996) manter vivo em si o gosto da rebeldia, aguçando sua curiosidade e estimulando sua capacidade de arriscar-se e de aventurar-se, pois, na relação professor-aluno “quem forma se forma re-forma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser humano”. (Id, pág.23).


Referências:

COLL, César et al. Desenvolvimento Psicológico e Educação: psicologia da educação escolar. Vol.2. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.

FILHO, Geraldo Francisco. A psicologia no contexto educacional. Editora Átomo (Campinas, SP), 2002.

FREIRE, Paulo. A Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. 35. Ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
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