2 de junho de 2010

Laços de família durante a escravidão.


por Priscila Muniz
Do JC Online

Para um negro que vivia no Brasil na época em que vigorou a escravidão, era difícil estabelecer laços familiares, já que seu destino dependia da vontade do proprietário. Apesar das condições adversas, muitas famílias foram formadas, e elas representaram mais uma forma de resistência dos negros às condições de vida às quais eram submetidos.

Para discutir a temática da família negra, foram convidadas três professoras que estudam o assunto: Isabel Cristina dos Reis, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Cristiane Pinheiro Jacinto, do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) e Solange Pereira da Rocha, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). As pesquisas das três são baseadas em documentos como registros de batismo, testamentos e inventários dos proprietários de escravos e até processos criminais da época .

As três destacaram as muitas dificuldades para que os negros estabelecessem laços formais, destacando que a maior parte das relações eram consensuais. "Eles não eram donos de suas vidas. Eles tinham um senhor que a qualquer momento podia vendê-los, enviá-los para outra província, mandar para uma fazenda no interior", afirmou Cristiane Jacinto.

"Havia um número pequeno de negros casados. Mas, entre eles existiam vários tipos de relação: escravos casados com escravos do mesmo proprietário, escravos casados com escravos de diferentes proprietários, escravos casados com livres, escravos casados com libertos", explicou Cristiane. A distinção entre livres e libertos é que os libertos eram negros que antes eram escravos e conseguiram a liberdade, enquanto os livres eram normalmente os negros que, por chegarem ao Brasil através do tráfico ilegal, ficavam sob a custódia do governo.

"Imagine uma mulher escravizada casada com um homem livre? Se a esposa fosse vendida, o que ele faria? Há o registro de uma escrava que era vendida sucessivas vezes e em todas as vezes o marido liberto ia junto", contou a pesquisadora. Ela acrescentou que, no Maranhão, o tráfico interprovincial de escravos foi intensificado a partir de 1846, o que tornou ainda mais difícil a manutenção dos laços familiares. "Quando os dois estavam na mesma cidade, ainda era possível manter o vínculo, mas, quando um ficava no Maranhão e o outro era vendido para o Rio de Janeiro, a situação ficava muito complexa".

Solange Rocha ressaltou que era muito comum a separação das famílias na sociedade escravista, mesmo após uma lei de 1869 que proibia a separação. "A gente tem o relato de uma mulher na Paraíba que foi separada de seus filhos e enlouqueceu. Ela não conseguiu superar as perdas", contou. Segundo a pesquisadora, a separação entre a mulher e o companheiro causava um tipo comum de relação familiar durante o período da escravidão. "Havia muitas famílias de mulheres, as chamadas famílias monoparentais. Através de documentos, podemos encontrar essas famílias com até três gerações", destacou.

De acordo com Isabel dos Reis, era comum que, no caso de união entre escravos e libertos, um dos companheiros buscasse a alforria do outro. "Muitas pessoas mantinham uma relação estável, duradoura, e havia o comprometimento de o homem comprar a alforria de sua mulher ou de a mulher comprar a alforria do marido. Com isso, a gente percebe a resistência, a luta para preservar esses laços", afirmou.


Saiba mais:

2 comentários:

Gustavo Garotti Scandiuzzi disse...

Olá amigos, vem aí a 2ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB). As inscrições acontecem de 1 de junho a 6 de agosto.
Se puder, nos ajude a Divulgar! =D
A Olimpíada, composta por cinco fases online e uma presencial, é destinada a estudantes do 8º e 9º anos do ensino fundamental e demais séries do ensino médio, de escolas públicas e privadas de todo o Brasil.
Para orientar a equipe, formada por três estudantes, é obrigatória a participação de um professor de história.
A Olimpíada começa no dia 19 de agosto, dia nacional do historiador, data que celebra o nascimento e o centenário da morte do jornalista e historiador Joaquim Nabuco.
A iniciativa é do Museu Exploratório de Ciências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em 2009, a ONHB inscreveu mais de 15 mil participantes e reuniu cerca de 2 mil pessoas na final presencial.
Mais informações acesse o site “www.mc.unicamp.br”
olimpiadadehistoria@gmail.com
Equipe Organizadora

Anônimo disse...

blog legal!

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