31 de dezembro de 2008

Um feliz 2009......Revolutions

Para ganhar um Ano Novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.



Drumond

30 de dezembro de 2008

Um feliz 2009......

Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.


DRUMOND

29 de dezembro de 2008

FREUD EXPLICA

Texto extraído do livro Freud explica de Alberto Godin, fala sobre o medo de viajar de avião e achei interessante, pois serve para entender os mecanismos de várias fobias e o elemento “místico” no texto abaixo me chama muita atenção, é sempre um conflito pessoal unir minhas crenças com o conhecimento que a psicologia traz.



A onipotência é um sistema que converte o indivíduo num imaginário diretor de cena e este mecanismo tem várias manifestações. Uma delas é a ONIPOTÊNCIA DO PENSAMENTO que supõe que os pensamentos surgidos, tanto no avião como no caminho para o aeroporto, são fundamentais para decidir se o vôo chegará ou não ao seu destino.

Um exemplo desta situação é alarmar-se por lembrar de uma pessoa que sofreu um acidente, analisar o número da poltrona e interpretá-lo como um recado do destino que nos avisa da proximidade da tragédia. Qualquer demora ocasional, nessas condições psicológicas, é interpretada como um prenúncio de fatalidade.

O que ocorre é que NEM SABEMOS E NEM PODERÍAMOS SABER com certeza o que acontecerá. O mecanismo onipotente está ali para não aceitar a impossibilidade humana de conhecer seu futuro imediato.

Essa ignorância não é específica da viagem de avião; é um sentimento que nos acompanha durante toda a vida, mas nesta ocasião torna-se insuportável.


O PREDESTINADO

Ainda que a fobia reduza momentaneamente a capacidade intelectual, quem a sofre sabe que os acidentes aéreos são muito pouco freqüentes; mas tem o exato sentimento de que, por serem pouco prováveis, o dia escolhido para ocorrer é precisamente aquele em que ele é um dos passageiros. E ainda que racionalmente compreenda que sua presença no vôo nada tem de particular, no íntimo tem a certeza de que este será um dia diferente.

O mais correto seria dizer que ele é um indivíduo especial e, se lhe permitirmos, nos contará todas as coisas casuais ou inesperadas que lhe ocorreram na vida. Basta para isso que durante um dia se acumulem dificuldades, que tudo lhe saia errado, para sentir-se pessoalmente tocado por esse destino. O contrário também vale quando as coisas da vida se organizam de forma surpreendentemente favorável. Logo considerará isto uma nova prova de sua excepcionalidade.

Sofre de uma espécie de ilusão de ótica muito difundida entre os que padecem de fobia. A ilusão consiste em que, como SEMPRE ESPERA O PIOR, quando algo acontece, também se confirma que possui um talento especial para antecipar os fatos. A contrapartida é que numa infinidade de situações O PIOR NÃO SE CONFIRMOU, mas, curiosamente, esse fato carece de importância para sua estatística subjetiva. O óbvio, então, é que tem a certeza de ser objeto de um destino singular; ser um escolhido de Deus, enorme honra, mas, também, pesada carga. Porque se Deus se ocupa pessoalmente do seu futuro, quer dizer que tem com ele um pacto de reciprocidade e, se valoriza e precisa muito desse pacto, conservará a fobia para não perdê-lo. Ou seja, é justamente a fobia o que marcará a condição de predileto de Deus.

A própria fobia é sinal da eleição divina. Se considerássemos por um instante a possibilidade dele ser um simples ser humano, sujeito a banais possibilidades estatísticas, denunciaríamos a fobia como um puro ato de arrogância.



In GOLDIN, Alberto, Freud Explica... 4ª ed., Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1989.

27 de dezembro de 2008

REALMENTE

Dê sempre o melhor
E o melhor virá...
Às vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas...
Perdoe-as assim mesmo.
Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta e interesseiro...
Seja gentil assim mesmo.
Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros...
Vença assim mesmo.
Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo...
Seja honesto e franco assim mesmo.
O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra...
Construa assim mesmo.
Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja...
Seja feliz assim mesmo.
O bem que você faz hoje pode ser esquecido amanhã...
Faça o bem assim mesmo.
Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante...
Dê o melhor de você assim mesmo.
E veja você que, no final das contas...
É entre VOCÊ e DEUS...
Nunca foi entre você e eles!




26 de dezembro de 2008

INUTILIDADES DE FÉRIAS

Já lhe chamaram de louco, desajustado, excêntrico? Isso ocorre com muita freqüência? SIM

Os outros podem achar você uma pessoa estranha, talvez louca, mas quem disse que isso é um defeito? E NÃO É?
Pois os grandes gênios da humanidade também possuiam as suas peculiaridades e nem por isso se tornaram menos geniais.Cada qual com suas qualidades, eles se distanciaram de alguns comportamentos considerados normais pela sociedade, evidenciando um pensamento e um modo de agir à frente de seus tempos. OHOH!

Então, Que gênio-louco é você?

Clique aqui para saber http://mundoinsano.no.sapo.pt/index.html

25 de dezembro de 2008

ADORO MEU PIAUÍ VÉI.

Pra vocês um mini dicionáro de piauiês.

APERRIADO - Com medo, nervoso, ou apresssado
AR MARIA - Expressão religiosa que indica espanto, raiva, admiração...
BÊ-ERRE-O-BRÓ - Os meses mais quentes do ano, todos terminados em BRO - setembro, outubro, novembro e dezembro
BESTÁGE - Variação do adjetivo "BESTA". "Eita, que esse menino é chei de bestáge, ar maria naamm..."
CÔRRALINDA - Coisa linda, pessoa bonita.
DIABÉISSO! - Que diabo é isso! Expressão de espanto.
ESTRIBADO - Cheio da grana.
EMPAIAR - Ocupar, atrapalhar.
DO TEMPO DE VOVÓ MININA: Coisa antiga, a mesma coisa de dizer, é do tempo do 14 bis.
FICOU DE NÉLSON – Vacilou
FRESCAR - Fazer uma brincadeira. "Se zanga não, to só frescando".
LICUTE - Namoro chameguento.
MANGAR - Ridicularizar.
MASSA - Tudo de bom..."esse blog é massa, ó"
MERMÃ - Minha irmã. " Mermã, tu não sabe o que aconteceu ontem na novela!"
NUM PÉ E NOUTRO - Rápido. " vá depressa, num pé e noutro. Não vá ficar por lá empaiando o homem que ele tem muito o que fazer".
REBOLAR NO MATO - Jogar fora
TER CABELO NA VENTA - Ter experiência, ser cuidadoso.
TCHA MÃE - TUA MÃE
TCHOPA - Diminutivo Tchopai - "Teu Pai"

24 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL

Galera, não gosto de natal, acho tão depressivo, mas pra quem gosta e pra quem não gosta, um feliz natal a todos e um grande 2009. E como não poderia deixar de ser: Psicologia na cabeça.


23 de dezembro de 2008

A Pré-história da Psicanálise II - os neurônios omega

Os neurônios ômega

Os neurônios fi e psi são até o momento entendidos em termos quantitativos então Freud postula um 3º tipo de neurônio responsável pela qualidade: os neurônios omega, “os neurônios ω formam um sistema de neurônios que são excitados junto com a percepção e que são responsáveis pelas ‘sensações conscientes'(pág. 52).Eles são completamente permeáveis, comportando-se como órgãos de percepção.

O aparelho neuronal seria composto por três sistemas distintos de neurônios: o sistema φ, cuja função seria receber a quantidade oriunda da periferia do sistema nervoso e transmiti-la, enfraquecida e fracionada, ao sistema vizinho ψ; o sistema ψ, que seria um sistema de memória, onde se formariam as representações; e o sistema ω, que consistiria na base material da consciência. (CAROPRESO; SIMANKE,2005)

Existem três formas segundo as quais os neurônios podem-se afetar mutuamente:
1. Transferindo quantidade de Q entre si
2. Transferindo qualidade entre si
3. Exercendo uma forma de excitação recíproca

Os neurônios omega não são capazes de receber Q, o que eles recebem é uma temporalidade ou um período de excitação que lhes possibilita uma carga mínima de Q necessária para a consciência.

Os neurônios omega assumem o período de excitação decorrente de sua articulação com os neurônios psi, quando há um aumento de Q em psi, aumenta a catexia de omega, quando diminui a Q em psi, a catexia em omega também diminui. “Os neurônios omega não necessitam, portanto, de descarga; seu nível de investimento aumenta e diminui pela excitação recíproca que mantém com psi. São os neurônios omega, por sua vez, que guiam a descarga da energia livre dos neurônios psi”(pág. 53).

O sistema ômega seria capaz de operar uma transformação que partindo da quantidade resulte, ao final de um processo dinâmico, em qualidade. (ZANNETI, 2005)

Curso de psicanálise teoria e técnica

A experiência de satisfação

A experiência de satisfação está ligada ao estado de desamparo original do ser humano, ele possui uma vida intra-uterina reduzida, que traz um despreparo para vida logo ao nascer, o colocando numa total dependência da pessoa responsável pelos seus cuidados.

O recém nascido não é capaz de executar a ação específica que põe fim à tensão decorrente do acúmulo de Q, por exemplo, a fome (estímulo interno), a ação específica só pode ser realizada com o auxílio de outra pessoa que lhe fornece alimento, suprimindo assim a tensão.

Segundo Zanneti (2005) No caso destas necessidades (a fome, a respiração e a sexualidade) a fuga de estímulos por meio da resposta reflexa é completamente ineficaz, e sua resolução exige a substituição da ação reflexa automática por uma ação específica dirigida ao mundo externo no sentido de obter o aprovisionamento dos objetos necessários à resolução da tensão.

Na primeira vez em que o recém-nascido sentisse fome, isto é, na primeira ocupação de ψ , tal ocupação levaria a respostas reflexas, como o grito, o choro e a agitação motora, as quais consistem na única forma de eliminação da quantidade que o bebê possui.

Tal reação, embora não seja capaz de eliminar o desprazer, uma vez que a fonte de estimulação não seria anulada, funcionaria como um meio de comunicação entre a criança e o adulto, pois faria com que este atentasse para o estado de carência do bebê. Quando o adulto executasse a ação específica – por exemplo, quando a mãe oferecesse o seio à criança – esta, através de ações reflexas, realizaria os movimentos necessários para a alimentação (a sucção, por exemplo) e, assim, a recepção de estímulos internos cessaria, fazendo com que o desprazer desaparecesse. (CAROPRESO; SIMANKE,2005)

“É a eliminação da tensão interna causada por um estado de necessidade que dá lugar a experiência de satisfação”(pág. 54). Nesse momento a experiência de satisfação associa-se à imagem do objeto que proporcionou a satisfação assim como à imagem do movimento que permitiu a descarga. Quando se repete o estado de necessidade, surgirá um impulso psíquico que procurará reinvestir a imagem mnemônica do objeto, reproduzindo a satisfação original “um impulso desta espécie é o que chamamos de desejo”(idem), mas o que é reativado é o traço mnemônico da imagem do objeto, não sendo objeto real, portanto produz-se uma alucinação.

O recém nascido não é capaz de distinguir o objeto real do objeto alucinado, assim desencadeia-se o ato reflexo cujo objetivo é a posse do objeto, sobrevindo a frustração.

O mesmo acontece com a experiência de dor, o desprazer é identificado com um aumento excessivo do nível de Q. Quando o aumento ocorre, surge uma propensão à descarga juntamente com uma associação desta coma a imagem do objeto que produz a dor. “Tal como no caso da experiência de satisfação, se a imagem do objeto hostil é reinvestida, surge um estado de desprazer acompanhado de uma tendência à descarga” (pág. 55).

As duas experiências, de satisfação e de dor, vão constituir dois resíduos: os estados de desejos e os afetos, ambos caracterizados por uma aumento da tensão no sistema de neurônios psi; no caso do afeto pela liberação súbita de Q, no caso de um desejo por somação.

[...] “a noção de afeto não é uma noção quantitativa, mas qualitativa; um afeto inclui processos de descarga;mas inclui também manifestações finais que são percebidas como esses sentimentos podem ser tanto de prazer como desprazer [...] (pág. 55).

A emergência do ego

O recém nascido reage ao objeto alucinado como se este fosse real, é para impedir o desprazer recorrente dessa confusão, uma formação do sistema psi se diferencia - o ego - que desempenha a função de inibição do desejo quando se trata de um objeto alucinado, o objetivo fundamental do ego é dificultar as passagens de Q que originalmente foram acompanhadas de satisfação ou de dor.

“O ego do projeto nada tem haver com o ego do sujeito”(pág. 56) esta é uma formação particular interior ao sistema psi que possui uma função inibidora, ele tem a função de impedir que o investimento da imagem mnêmica do primeiro objeto satisfatório se faça, evitando a alucinação e a conseqüente decepção.

O ego pode sofrer danos recorrentes de duas condições:

1. Quando em estado de desejo, recatexiza a lembrança de um objeto, colocando em ação o processo de descarga. (não pode haver satisfação por que o objeto não é real).

2. Quando ao recatexizar uma imagem mnêmica hostil, não conseguir realizar uma inibição adequada, resultando daí uma livre liberação excessiva de desprazer.

“Em ambos os casos, os danos são recorrentes da falta de um indicador de realidade [...] o sistema psi é incapaz de distinguir o real do imaginário. Essa função [...] é fornecida pelos neurônios omega”(pág. 56).

Processo primário e processo secundário

O processo primário e secundário correspondem aos dois modos de circulação da energia psíquica. Do ponto de vista econômico, o processo primário corresponde a uma forma de energia livre, enquanto o secundário a uma energia ligada” a energia psíquica é dita livre quando tende a descarga da forma mais direta possível, e é dita ligada quando sua descarga é retardada ou controlada”(pág. 57).

A distinção entre processos primário e secundário se refere as representações e corresponde especificamente ao sistema de neurônios psi.

Do ponto de vista genético o processo primário resulta da transformação do processo primário. É nos sonhos e nos sintomas que os processos primários se apresentam de forma privilegiada, enquanto o pensamento da vigília, atenção, o raciocínio e a linguagem são exemplos de processos secundários.

Curso de psicanálise teoria e técnica



Referências:

texto base: in GARCIA-ROZA, A. Freud e o Inconsciente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001, pags 43-60.

AZOUBEL NETO, David. A psicanálise do processo primário: reflexões sobre a metapsicologia da dor.( jun. 2006)Disponível em http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-29702006000100005&lng=pt&nrm=

CAROPRESO, F.; SIMANKE, R. T.. O conceito de consciência no Projeto de uma Psicologia de Freud e suas implicações metapsicológicas (2005.) Disponível em http://www.scielo.br/pdf/trans/v28n1/29408.pdf.

ZANETTI, Clóvis E. (2005). “A Introdução da Fantasia na Metapsicologia Freudiana: A Realização Alucinatória de Desejo e o Signo de Realidade”. In: Revista de Filosofia 17 (20): pp. 25-43. Disponível em: http://www2.pucpr.br/reol/index.php/RF/view/? dd1=68. Acesso em 20/06/2007.

22 de dezembro de 2008

EM 2008

1. Realmente entendi a expressão: ”isso é uma questão sua!” imagine você olhar para todos os lados e entender que isso é apenas e completamente questão sua! É f....

2. Que a diferença entre loucura e genialidade é o sucesso, quando as coisas dão certo você é resiliente, corajosa e criativa, quando dão errado você está surtando, pega a doida!!!

3. Que a vida é legal por que nada é estático e que a cada momento me torno uma nova pessoa.

4.E que tenho que ir pra terapia urgente, e unir isso a teoria e a prática, pra me tornar uma boa profissional.

5. E que eu vou ser uma boa psicóloga, me formo em 2009, estou muito ansiosa pras supervisões principalmente da clinica (ta ouvindo!!), e que vou passar o resto da vida fazendo o que mais gosto. E isso não tem preço.

21 de dezembro de 2008

A Pré-história da Psicanálise II - O aparelho psíquico

Psiquismo: “aparelho” capaz de transmitir e de transformar uma energia determinada.
O funcionamento é explicado a partir de duas hipóteses:
1. Que existe uma quantidade(Q) que distingue a atividade de repouso das partículas materiais.
2. A identificação dessas partículas materiais com os neurônios*.
Princípio da inércia neurônica: Os neurônios tendem a descarregar toda quantidade (Q) que recebem.
“Freud afirma ainda outro principio, segundo o qual o sistema de neurônios se estrutura de tal modo que forma ‘barreiras de contato’ que oferecem resistência a descarga total” (pág. 46).

A noção de quantidade

Freud refere-se a dois tipos de (Q):

Q: refere-se à quantidade de excitação ligada à estimulação sensorial externa.
Q’n: é de ordem interna, intercelular.

“Portanto, Q’n é psíquica, enquanto Q indica uma quantidade externa” (pág.47).

Freud partindo da análise dos casos de histeria e neurose obsessiva levanta a hipótese de que haveria uma proporcionalidade entre as intensidades dos traumas e intensidades dos sintomas por eles produzidos.

O principio de inércia


Segundo esse princípio os neurônios tendem a se desfazer de Q, essa descarga representa a função primordial do sistema nervoso, ela soma-se a uma outra função secundária segundo a qual o sistema neurônico procura não apenas livrar-se de Q, mas conservar aquelas vias de escoamento que possibilitam manter-se afastado das fontes de excitação. “Além da função de descarga, há também a fuga do estímulo” (pág. 49). Mas o principio da inércia não atua sozinho, ele é entravado por outro modo de funcionamento do aparelho psíquico, cuja característica é evitar o livre escoamento de energia, isso ocorre por que o sistema nervoso recebe tanto estímulos originários do exterior, quanto do próprio organismo, os estímulos externos podem ser evitados, mas os internos não oferecem possibilidade de fuga, eles criam as grandes necessidades como a fome, a respiração e a sexualidade, eles só desaparecem após a realização da ação que possibilita a eliminação do estímulo.

Se o SN descarregasse toda a quantidade de energia que fosse investido, ele não teria energia para realizar ações destinadas a satisfazer exigências dos estímulos endógenos. “Como essa tendência se opõe a tendência inicial à inércia (que implicaria reduzir Q a zero), o sistema neurônico procura manter essa quota de Q num nível mais baixo possível ao mesmo tempo que procura se proteger contra qualquer aumento da mesma, isto é, procura mantê-la constante. Esta é a lei da constancia”(pág. 49).

Curso de Psicanálise Teoria e Técnica

Os neurônios : (fi) , (psi) e (omega)

Existem duas tendências básicas do sistema neurônico:
1. Uma que impele a descarga total de Q
2. E outra que o obriga a armazenar e investir uma certa quantidade destinada a reduzir as tensões decorrentes dos estímulos internos.

A segunda tendência é possibilitada pelas barreiras de contato que são resistências localizadas nos pontos de contato entre os neurônios, impedindo a passagem da energia que deveria ser escoada.
Os neurônios que deixam passar Q como se não tivessem barreiras de contato, sendo permeáveis, são os neurônios fi, destinados a percepção; os que opõem uma resistência ao livre escoamento de Q através das barreiras de contato, sendo que depois de cada excitação, ficam diferentes do que eram anteriormente, constituindo uma memória, são os neurônios psi.(neurônios impermeáveis).
A impermeabilidade do neurônio psi não é total, parte de Q fica retida pelas barreiras de contato a parte consegue ser escoada, aqui Freud elabora a noção de facilitação, pois quando há uma passagem parcial de Q pelas barreiras de contato, essas barreiras ficam marcadas, diminuindo a resistência de tal modo que daí por diante a excitação tende a percorrer o mesmo caminho através do qual houve uma facilitação, o grau de facilitação depende da maior ou menor quantidade (Q) com a qual o neurônio tem de se defrontar.
Essa diferença entre os neurônios fi e psi pode ser devida à posição que eles ocupam em face da fonte de excitação, os neurônios fi são alimentados de fonte externa, portanto a carga Q se encontra em volume maior não permitindo a criação de barreiras de contato, pois seriam destruídos pelo excesso de Q.
Os neurônios psi são estimulados por fonte endógena, por serem menos carregados podem formar barreiras mais ou menos fortes, constituindo uma memória.

A função primordial dos dois sistemas de neurônios é manter afastadas grandes Qs externas através da descarga. “Se o desprazer é identificado com a tensão decorrente do acúmulo de Q, o prazer consiste na descarga dessa Q excessiva. O prazer é a própria sensação de descarga, sendo que qualquer manutenção de Q no sistema nervoso é apenas tolerada”(pág. 51)

* “os ‘neurônios’- as partículas materiais que compõem esse aparelho-não correspondem aos dados da histologia e da neurologia de sua época[...]essa neurologia e a ‘anatomia’ que ele nos apresenta são fantásticas”(pág.47).

Segundo Caropreso e Simanke (2005) “A natureza dessa quantidade não é especificada. Há afirmações, no Projeto... e em outros textos da mesma época (Freud 1894, por exemplo) que permitem supor que Freud atribuísse uma natureza elétrica à quantidade; [...] Mas, em outras passagens, Freud parece trabalhar com uma concepção mais hidráulica da quantidade, valendo-se de uma linguagem que está mais próxima, pelo menos metaforicamente, da mecânica dos fluidos, de modo que a questão permanece indecidida.”.


Referências:

in GARCIA-ROZA, A. Freud e o Inconsciente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001, pags 43-60.

CAROPRESO, F.; SIMANKE, R. T.. O conceito de consciência no Projeto de uma Psicologia de Freud e suas implicações metapsicológicas (2005.) Disponível em http://www.scielo.br/pdf/trans/v28n1/29408.pdf.

<http://www.girafamania.com.br/girafas/lingua_grego.html>

20 de dezembro de 2008

Tempos modernos

Pra quem também ama tecnologia.

Como estamos na 'Era Digital', foi necessário rever os velhos ditados existentes e adaptá-los à nova realidade:

1. A pressa é inimiga da conexão.
2. Amigos, amigos, senhas à parte.
3. Antes só, do que em chats aborrecidos.
4. A arquivo dado não se olha o formato.
5. Diga-me que chat freqüentas e te direi quem és.
6. Para bom provedor uma senha basta.
7. Não adianta chorar sobre arquivo deletado.
8. Em briga de namorados virtuais não se mete o mouse.
9. Em terra off-line, quem tem um 486 é rei.
10. Hacker que ladra, não morde.
11. Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando.
12. Mouse sujo se limpa em casa.
13. Melhor prevenir do que formatar.
14. O barato sai caro. E lento.
15. Quando a esmola é demais, o santo desconfia que tem vírus anexado.
16. Quando um não quer, dois não teclam.
17. Quem ama um 486, Pentium 5 lhe parece.
18. Quem clica seus males multiplica.
19. Quem com vírus infecta, com vírus será infectado.
20. Quem envia o que quer, recebe o que não quer.
21. Quem não tem banda larga, caça com modem.
22. Quem nunca errou, que aperte a primeira tecla.
23. Quem semeia e-mails, colhe spams.
24. Quem tem dedo vai a Roma.com
25. Um é pouco, dois é bom, três é chat ou lista virtual.
26. Vão-se os arquivos, ficam os back-ups.
27. Diga-me que computador tens e direi quem és.
28. Há dois tipos de pessoas na informática. Os que perderam o HD e os que ainda vão perder...
29. Uma impressora disse para outra: Essa folha é sua ou é impressão minha. (meu deus!.kkkkkkk)
30. Aluno de informática não cola, faz backup.
31. O problema do computador é o USB (Usuário Super Burro).
32. Na informática nada se perde, nada se cria. Tudo se copia... e depois se cola.
33. O Natal das pessoas viciadas em computador é diferente. No dia 25 de Dezembro, o Papai Noel desce pelo cabo de rede, sai pela porta serial e diz: Feliz Natal, ROM, ROM, ROM! (pois é!)


fonte:http://memoriasalfalinguagama.blogspot.com/2008_09_01_archive.html

19 de dezembro de 2008

Quando a psicoterapia falha

Por José Geraldo Rabelo*

Durante 25 anos, venho trabalhando com psicoterapia, atendendo crianças, adolescentes e adultos, individualmente ou em família, e a várias observações cheguei a respeito das falhas no processo psicoterápico.

Iniciamos dizendo que não existe psicoterapia individual, já que se trabalha, no consultório, no mínimo, com duas pessoas, cliente e psicoterapeuta. O que se aprende na faculdade sobre o não-envolvimento com o cliente vem sendo motivo de muitas discussões, mas acredito que não se pode ajudar uma pessoa sem um mínimo de envolvimento possível. O processo psicoterápico atual não funciona mais como funcionava há 15 anos, século passado, quando o cliente apenas falava e o profissional apenas ouvia ou pouco falava. Temos hoje uma clientela mais exigente e mais informações a respeito de como podem ser ajudados, quais os objetivos na psicoterapia e as diversas abordagens psicoterápicas; assim temos um diálogo mais aberto, mais humanista, voltado, assim se espera, para um mesmo objetivo: “duas pessoas que se encontram para se evoluir e se “conhecer”, sem, contudo, misturar os papéis e objetivos – cliente e psicoterapeuta”.

De um lado, nós temos a resistência de alguns profissionais, menos experientes, que se julgam “deuses” e acreditam que o cliente nada pode saber a seu respeito, o que vai dificultar a relação e o crescimento – o vínculo – pois pode existir a simpatia, mas dificulta o surgimento da empatia, ferramenta-chave no processo psicoterápico. Vejo e ouço de clientes que já tenham passado por outros profissionais que a falta de “envolvimento” do profissional no processo não fazia a terapia desenvolver, e a relação fora-se tornando apática. Claro que não podemos dirigir o cliente, tampouco lhe dar caminhos “prontos”, mesmo porque não existe caminho “pronto”, cada indivíduo segue seu próprio caminho com ou sem ajuda. A tomada de partido também tem sido uma das falhas no processo, pois já ouvi de cliente que o profissional “X” pediu que a mesma não falasse mais de seu ex-noivo (“ele foi um traidor e é o responsável pela sua depressão”), “se ele te traiu, não pense duas vezes... faça o mesmo com ele”, “foi-se a época em que nós (mulheres) dependíamos deles (homens)... separe-se logo e vai cuidar de sua vida... você já perdeu muito tempo”, “seu pai é o único responsável por tudo que você está passando”, e muitos outros absurdos.

Apesar das dificuldades pessoais de todo psicoterapeuta, temos também profissionais que só seguem um caminho, conhecem apenas uma abordagem psicoterápica e querem moldar o cliente, a qualquer custo; é como ir comprar uma roupa e tentar moldar o corpo para que se adapte a ela. Sabemos que o tempo que ficamos na faculdade só dá um “empurrão”; mas continuar lendo livros, participar de encontros, palestras e cursos, mesmo de pequena duração, é fator “sine qua non” ao crescimento profissional que terá, com certeza, mais argumentação durante uma sessão de psicoterapia.

Acredito que um “bom” psicoterapeuta, antes de qualquer coisa, deve estar sempre atento e aberto ao aprendizado, revendo diariamente conceitos de temas complexos e sempre atuais, tais como: ser humano, religião e Deus, amor e paixão, vida e viver, individualidade e individualismo, Psicologia e psicologismo, sexo e sexualidade, “pecado” e sentimento de culpa, doente e doença, perdão e desculpa, traição e “des-traição”, mortalidade e imortalidade, finito e infinito, alma e fé, comodismo e bom senso, vergonha e orgulho, dentre outros. Temas que a “certeza” pode levar ao caos e ao aniquilamento do Ser. Cabeça feita é aquela que precisa ser re-feita. Cuidado!

Um processo psicoterápico, seja qual for a abordagem utilizada, jamais terá sucesso se não estiver sustentado no amor e no crescimento “espiritual” do cliente, o que independe de sua crença religiosa.

O outro lado do processo psicoterápico, com certeza, tem também as suas resistências, não diria nem maior nem menor; cada relação tem suas particularidades, portanto, pode ter suas semelhanças, mas nunca serão iguais, pois, mesmo na relação entre cliente e psicoterapeuta, juntos há algum tempo em terapia, não existe uma sessão igual à outra. A vida caminha para frente, jamais se dirige para o passado, mesmo que esteja falando e recordando dele.

A maior dificuldade do cliente no processo psicoterápico é compreender que tudo vem dele: dor, angústia, depressão, infelicidade, insegurança, medo, vícios, dificuldades de relacionamento interpessoal etc, sentimentos que vai juntando durante o período em que o mesmo evitou os problemas para não sofrer. Mas, a maioria de nós, temendo a dor envolvida, tenta evitar os problemas. “Nós adiamos o confronto, esperando que eles sumam; nós os ignoramos, esquecemo-os, fingindo que eles não existem. Até mesmo tomamos droga (incluem as medicações) para nos ajudar a ignorá-los, de tal modo anestesiando-nos que esquecemos as causas da dor” – M. Scott Peck – muitos clientes depressivos são dopados para não atentar contra a própria vida; mas esquecemos que morrer pode ser também quando negamos a vida, os problemas, os próprios sentimentos; é negar o confronto com a vida. Tentamos contornar os problemas ao invés de encará-los; tentamos sair deles ao invés de vivê-los e sofrer. Essa tendência a evitar os problemas e o sofrimento emocional tem sido a maior causa de doenças psicoemocionais que afetam toda humanidade. “A neurose é sempre uma substituta do sofrimento legítimo” – Carl G. Jung.

Muitas pessoas não querem ou não podem suportar a dor de desistir daquilo que já foi ultrapassado. Em conseqüência, elas se apegam, às vezes, para sempre, aos velhos padrões de comportamento e pensamento, deixando de lidar com qualquer crise, de verdadeiramente crescer e de experimentar a ditosa sensação de renascimento que acompanha a transição bem-sucedida para um maior amadurecimento psicoespiritual. Num crescimento e amadurecimento saudável, teríamos que abandonar alguns padrões de comportamento como: o estado infantil, quando não é preciso responder a nenhuma exigência externa; fantasia da impotência; o desejo de possuir totalmente (inclusive sexualmente) os progenitores; a dependência da infância; imagens distorcidas dos pais; a onipotência da adolescência; a “liberdade” do descompromisso; a agilidade da juventude; a atração sexual e/ou a potência da juventude; a fantasia da imortalidade do corpo; a autoridade sobre os filhos; várias formas de poder pessoal, visíveis em muitos profissionais, patrões e políticos; a independência da saúde física; e, finalmente, a personalidade e a própria vida. Renunciar a personalidade nos dá a oportunidade de conhecer a alegria mais beatífica, sólida e duradoura da vida, pois é a morte que dá à vida todo o seu significado. Este “segredo” é a sabedoria central da religião.

Assim, podemos dizer que a psicoterapia falha, não há a menor dúvida, porque ainda somos falhos e medrosos, incapazes de assumir a nós mesmos como realmente somos, incapazes de nos compreender físico, psíquico, emocional, social e economicamente. Fica claro que a felicidade, que todos buscamos, independe da nossa situação financeira, nível intelectual, social e, principalmente, do outro; ela está em sabermos utilizar bem e com sabedoria o conhecimento, experiência e as “armas” que você já possui.

Apesar do ceticismo de ambos os lados, a psicoterapia tem auxiliado um grande número de pessoas que levam a sério o objetivo a que nos propomos na vida, buscando o equilíbrio interior para suportar com sobriedade o “desequilíbrio” do mundo exterior, assumindo um compromisso sábio com a vida e o viver, procurando viver a vida sem medo do que dirão os outros, plantando o que se quer colher e sabendo que ninguém tem a capacidade de fazer o outro feliz ou infeliz ou mudar o outro; mas que é no processo da busca e do tentar que o ser humano encontrará consigo mesmo e, isto se dá no relacionamento interpessoal. Não podemos negar que quem se submete ao processo psicoterápico por um período “razoável” de tempo, com um profissional experiente e com ética pessoal, beneficia-se em muito e se torna mais capacitado para enfrentar os “solavancos” da vida, aprendendo a ouvir e falar, dizer sim e não, e sentir a si mesmo sem medo no momento “certo” através da construção responsável de si mesmo.

A psicoterapia falha, não tenho dúvida, mas falhará menos quando cliente e psicoterapeuta estiverem voltados para o mesmo alvo: o amor verdadeiro e honesto assentado no respeito mútuo à dor vivida por ambos.

*psicólogo, psicoterapeuta, filósofo e escritor


Fonte: http://www.dm.com.br/impresso/7714/opiniao/59161,quando_a_psicoterapia_falha#

18 de dezembro de 2008

Analista de defesa civil-pe Psicólogo 2008

Questão 38.


O Transtorno de Stress Pós-traumático se constitui numa resposta freqüente a situações ameaçadoras ou catastróficas. A respeito deste transtorno, considere as seguintes afirmativas.

1- Consiste de uma resposta retardada ou protraída a uma situação ou evento estressante.
2- Os sintomas típicos incluem a revivescência repetida do evento traumático sob a forma de lembranças invasivas ("flashbacks"), de sonhos ou de pesadelos.
3- Entre os sintomas desta síndrome existe habitualmente uma hiperatividade neurovegetativa, com hipervigilância, estado de alerta e insônia.
4- A presença de depressão ou ideação suicida é rara no Transtorno de Stress Pós-traumático.
5- A personalidade prévia do indivíduo não tem relação com a ocorrência ou evolução da síndrome.

Estão corretas apenas:

A) 1, 2 e 3.

B) 1, 2 e 5.
C) 1, 3 e 4.
D) 2, 3 e 4.
E) 2, 3 e 5.
Transtorno de estresse pós – traumático

O TEPT consiste:

1. Revivência do trauma através de sonhos e de pensamentos durante a vigília.
2. Evitação persistente de coisas que lembrem do trauma e embotamento da resposta a esses indicadores
3. Hiperexcitação persistente

Prevalência de 1 a 3 % da população geral, principalmente em adultos jovens, tende a ocorrer em indivíduos solteiros, divorciados, viúvos, com privações econômicas ou socialmente isolados.

Etiologia : O transtorno tem muito a ver com o significado subjetivo do estressor para o paciente, o modelo psicanalítico descreve que o trauma reativou um conflito psicológico anterior ainda não resolvido, a revivência do trauma resulta em regressão e no uso de mecanismos de defesa de repressão, negação e anulação, além disso o paciente recebe ganhos secundários do mundo externo, como compensações financeiras, maior atenção, solidariedade e satisfação das necessidades de dependência.

Características clínicas

Revivência dolorosa do evento, um padrão de esquiva, anestesiamento emocional, hiperexcitabilidade razoavelmente constante, o transtorno pode não se desenvolver até meses ou mesmo anos após o evento, o paciente pode descrever estados dissociativos, ataques de pânico, podendo haver ilusões e alucinações, com sintomas associados de agressão, violência, fraco controle de impulsos, depressão e transtornos relacionados a substâncias.

Curso e prognóstico: desenvolve-se algum tempo após o trauma, intervalo breve como uma semana ou longo como 30 anos, 30% dos pacientes recuperam-se, 40% tem sintomas leves, 20% têm sintomas moderados e 10% permanecem inalterados ou pioram. Bom prognóstico é previsto pelo início rápido dos sintomas, ausência de outros problemas traumáticos ou físicos ou transtornos relacionados a substâncias.

Comorbidade

Para Filho e Sougey (2001) A coexistência de transtornos psiquiátricos com o TEPT é intrigantemente alta. Friedman & Yehuda chegam a afirmar que se um indivíduo preenche os critérios diagnósticos para o TEPT provavelmente também os preencherá para outros transtornos.

Helzer, Robins & McEvoy, dentro do Epidemiologic Catchment Survey, outro estudo nacional epidemiológico americano, encontraram prevalência co-mórbida em 80%. Os portadores deTEPT teriam probabilidade duas vezes maior de apresentar também outro transtorno e maior risco para TOC, distimia, transtorno maníaco-depressivo (aqui incluídos o episódio depressivo maior e/ou maníaco) e abuso de substâncias psicoativas.

Dentre as patologias co-mórbidas mais freqüentes se destacam:

Transtornos de humor, Transtornos de ansiedade Abuso/dependência de substâncias psicoativas, Transtorno obsessivo-compulsivo, Transtornos somatoformes,Transtornos dissociativos,Transtornos de personalidade:


Tratamento

Eficácia de tricíclicos imipramina e amitriptilina, estudos indicam que é mais efetiva no tratamento de esquiva, negação e anestesia emocional. IMAO ou ISRS: fluoxetina, fluvoxamina ou sertralina e anticonvulsionantes ex: carbamazepina e valproato. A clonidina e o propranolol são sugeridos em teorias envolvendo a hiperatividade noradrenérgica do transtorno. Quase não existem dados positivos envolvendo o uso de drogas antipsicóticas no transtorno de modo que seu uso (ex: haloperidol) deve ser evitado, exceto, talvez, para controle a curto prazo da agressão e agitação severa.

A psicoterapia psicodinâmica pode ser útil no tratamento de muitos pacientes com transtorno de estresse pós-traumático. Em alguns casos a reconstrução dos eventos traumáticos, associado à reação de catarse (ab-reação), pode ser terapêutica. Com terapia individualizada, pois alguns pacientes sentem-se muito frágeis para a revivência de traumas.

Critérios Diagnósticos para F43.1 - 309.81 Transtorno de Estresse Pós-Traumático

A. Exposição a um evento traumático no qual os seguintes quesitos estiveram presentes:

(1) a pessoa vivenciou, testemunhou ou foi confrontada com um ou mais eventos que envolveram morte ou grave ferimento, reais ou ameaçados, ou uma ameaça à integridade física, própria ou de outros;
(2) a resposta da pessoa envolveu intenso medo, impotência ou horror. Nota: Em crianças, isto pode ser expressado por um comportamento desorganizado ou agitado

B. O evento traumático é persistentemente revivido em uma (ou mais) das seguintes maneiras:

(1) recordações aflitivas, recorrentes e intrusivas do evento, incluindo imagens, pensamentos ou percepções. Nota: Em crianças pequenas, podem ocorrer jogos repetitivos, com expressão de temas ou aspectos do trauma;
(2) sonhos aflitivos e recorrentes com o evento. Nota: Em crianças podem ocorrer sonhos amedrontadores sem um conteúdo identificável;
(3) agir ou sentir como se o evento traumático estivesse ocorrendo novamente (inclui um sentimento de revivência da experiência, ilusões, alucinações e episódios de flashbacks dissociativos, inclusive aqueles que ocorrem ao despertar ou quando intoxicado). Nota: Em crianças pequenas pode ocorrer reencenação específica do trauma;
(4) sofrimento psicológico intenso quando da exposição a indícios internos ou externos que simbolizam ou lembram algum aspecto do evento traumático;
(5) reatividade fisiológica na exposição a indícios internos ou externos que simbolizam ou lembram algum aspecto do evento traumático.

C. Esquiva persistente de estímulos associados com o trauma e entorpecimento da responsividade geral (não presente antes do trauma), indicados por três (ou mais) dos seguintes quesitos:

(1) esforços no sentido de evitar pensamentos, sentimentos ou conversas associadas com o trauma;
(2) esforços no sentido de evitar atividades, locais ou pessoas que ativem recordações do trauma;
(3) incapacidade de recordar algum aspecto importante do trauma;
(4) redução acentuada do interesse ou da participação em atividades significativas;
(5) sensação de distanciamento ou afastamento em relação a outras pessoas;
(6) faixa de afeto restrita (por ex., incapacidade de ter sentimentos de carinho);
(7) sentimento de um futuro abreviado (por ex., não espera ter uma carreira profissional, casamento, filhos ou um período normal de vida).

D. Sintomas persistentes de excitabilidade aumentada (não presentes antes do trauma), indicados por dois (ou mais) dos seguintes quesitos:

(1) dificuldade em conciliar ou manter o sono
(2) irritabilidade ou surtos de raiva
(3) dificuldade em concentrar-se
(4) hipervigilância
(5) resposta de sobressalto exagerada.

E. A duração da perturbação (sintomas dos Critérios B, C e D) é superior a 1 mês.


F. A perturbação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Especificar se:

Agudo: se a duração dos sintomas é inferior a 3 meses.
Crônico: se a duração dos sintomas é de 3 meses ou mais.

Especificar se:

Com Início Tardio: se o início dos sintomas ocorre pelo menos 6 meses após o estressor.


Referências:
FILHO, J. W. S. c.; SOUGEY, E. B. transtorno de stress pós traumático; Formulação diagnóstica e questões sobre co-morbidade. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/rbp/v23n4/7170.pdf, acesso 18 de dezembro de 2008.

17 de dezembro de 2008

Prefeitura de Frutuoso Gomes/RN - Psicólogo

Questão 11.

Em relação ao transtorno de ansiedade generalizada podemos afirmar que constituem critérios diagnósticos, EXCETO:

a) Ansiedade e preocupação excessivas, ocorrendo na maioria dos dias por pelo menos 6 meses, com diversos eventos ou atividades;
b) O indivíduo considera difícil controlar a preocupação;
c) A ansiedade, a preocupação ou os sintomas físicos causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento de áreas importantes na vida do indivíduo;
d) A ansiedade e a preocupação estão associadas com pelo menos 3 dos seguintes sintomas, todos os dias no último mês: inquietação, fatigabilidade, dificuldade em concentrar-se, irritabilidade, tensão muscular, perturbação do sono.

Transtorno de ansiedade generalizada

Síndrome caracterizada por preocupação excessiva e incontrolável, persistente, ocorrendo sem que haja qualquer circunstância ambiental em particular. Os sintomas comuns são sentimentos contínuos de nervosismos, sudorese, tensão muscular, tremores, sensação de cabeça leve, palpitações, tonturas, desconforto epigástrico e expectativa desagradável para um futuro próximo.
Prevalência de 5 a 6,5 % na população geral, é mais freqüente no sexo feminino, desempregados, solteiros e separados.
É uma condição crônica insidiosa caracterizada por flutuações da intensidade dos sintomas, com períodos de estabilidade e agravamento.

Critérios para Diagnóstico de Transtorno de Ansiedade

A. Ansiedade e preocupação excessivas (expectativa apreensiva), ocorrendo na maioria dos dias por pelo menos 6 meses, nos diversos eventos ou atividades (tais como desempenho escolar ou profissional).
B. O indivíduo considera difícil controlar a preocupação.
C. A ansiedade e a preocupação estão associadas com três (ou mais) dos seguintes sintomas, presentes na maioria dos dias nos últimos 6 meses.
Nota: Apenas um item é exigido para crianças.
(1) inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele
(2) fatiga
(3) dificuldade em concentrar-se ou sensações de "branco" na mente
(4) irritabilidade
(5) tensão muscular
(6) perturbação do sono (dificuldades em conciliar ou manter o sono, ou sono insatisfatório e inquieto).
D. O foco da ansiedade ou preocupação não se refere a ter um Ataque de Pânico,ou ficar embaraçado em público (como na Fobia Social), ou ser contaminado (como no Transtorno Obsessivo-Compulsivo).
E. A ansiedade, a preocupação ou os sintomas físicos causam sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
F. A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral (por ex., hipertiroidismo).

As crianças com Transtorno de Ansiedade Generalizada tendem a exibir preocupação excessiva com sua competência ou a qualidade de seu desempenho. Durante o curso do transtorno, o foco da preocupação pode mudar de uma preocupação para outra.

15 de dezembro de 2008

A Pré-história da psicanálise I


                                Curso de Psicanálise

A loucura experimental

“Sei que não sou louco e sei quem é louco, mas não sei o que é loucura” (pág.30).

Moreau de Tours aplica o haxixe em si próprio com o objetivo de produzir os mesmos sintomas da loucura e poder retornar ao estado normal, adquirindo um saber direto da loucura.
Fica criado um espaço comum ao normal e ao patológico, a loucura nem sequer precisa ser produzido artificialmente, está em nós mesmos cada vez que sonhamos.
“O sonho reproduz as mesmas características da loucura o sonho é a loucura do indivíduo adormecido enquanto os loucos são sonhadores acordados” (pág. 30).

Hipnose

Precedida pelo mesmerismo, este é abandonado a partir da metade do século XIX, impõe-se uma nova técnica inventada por James Braid, à hipnose (conhecida como Braidismo), ela não faz apelo a nenhum fluido magnético ou a um poder especial do hipnotizador; o efeito depende apenas do estado físico e psíquico do paciente. No efeito hipnótico, o poder é depositado no médico que dispõe do corpo do paciente permitindo tanto a eliminação de sintomas como a domesticação do comportamento.

Charcot e a histeria.

Para a psiquiatria do século XIX, há dois grandes grupos de doenças:

1. Aquelas com sintomatologia regular e que remetiam as lesões orgânicas identificáveis pela anatomia patológica.

2. As neuroses que eram perturbações sem lesão e nas quais a sintomatologia não apresentava a regularidade desejada.

Charcot, como neurologista e professor de anatomia e patologia da faculdade de medicina de Paris, inicialmente trabalhou a histeria ligado a um correlato orgânico, posteriormente ele modifica seu ponto de vista, aceitando a ausência de um referencial anatômico.
Charcot introduz a histeria no campo das perturbações fisiológicas do sistema nervoso, usa como intervenção clínica a hipnose.
No inverno de 1885 - Freud vai às Paris e assiste ao curso de Charcot e adere entusiasticamente ao modelo fisiológico.
Porém um problema persistia o de apresentar uma sintomatologia regular para a histeria.
Através de drogas e da hipnose, a crise histérica passa a ser frabricada com grande eficácia nas apresentações clínicas de Charcot, a regularidade do quadro histérico trazia a histeria para o campo da neurologia, retirando-a das mãos do psiquiatra, "o lugar do histérico deveria ser o hospital e não o asilo”, nesse ponto o histérico passa a ser investido de um poder sobre o médico equivalente ao que este possuía sobre ele. “Se os histéricos apresentavam um conjunto de sintomas bem definido e regular, eles constituíam o médico como neurologista; se esses sintomas variavam em número e qualidade, rompendo dessa maneira a regularidade das crises, o médico era transformado em psiquiatra”(Foucault, 1973-74 apud Garcia-Roza,2001).
A hipnose objetivava o controle da situação, através da sugestão hipnótica, o médico podia obter um conjunto de sintomas histéricos bem definidos e regulares, evidenciando que a histeria nada tinha haver com o corpo neurológico, mas com o desejo do médico.
Segundo Charcot “o sistema nervoso pode ser dotado de uma predisposição hereditária para, em decorrência de um trauma psíquico, produzir um estado hipnótico que torna a pessoa suscetível à sugestão”.
O trauma formaria um estado hipnótico permanente, que poderia ser objetivado corporalmente por uma paralisia, cegueira ou qualquer outro tipo de sintoma.
Na medida em que o trauma não é de ordem física, o paciente tem de narrar sua história pessoal para que o médico possa localizar o momento traumático.

Curso de Psicanálise (Portal da Educação)

Trauma e ab-reação

Em artigo Freud (1888) recomenda 2 tipos de tratamento para a neurose histérica:
1. Afastamento do meio familiar e sua internação no hospital.
2. Remoção das causas psíquicas dos sintomas histéricos, causas inconscientes, o método para eliminar os sintomas consiste em dar ao paciente, sob hipnose, uma sugestão que remova o distúrbio.

Freud propõe que se empregue o método de Joseph Breuer que consiste em fazer o paciente remontar, sob efeito hipnótico, a pré-história psíquica da doença a fim de que possa ser localizado o acontecimento traumático que originou o distúrbio, para que além de eliminar o sintoma remova a causa.

Breuer e Anna O.

Anna O.- Começou a apresentar uma série de sintomas enquanto cuidava do pai, verificou-se que os sintomas desapareciam sempre que o acontecimento traumático que estava ligado a ele era reproduzido sob hipnose.
Breuer chamava seu método de catártico, a função da hipnose era a de remeter o paciente ao seu passado de modo que ele próprio encontrasse o fato traumático, produzindo-se a ab-reação(liberação da carga de afeto).
Freud acrescenta a sugestão “a hipnose era empregada para se chegar aos fatos traumáticos [...]mas, uma vez esses fatos tendo sido identificado, freud fazia uso da sugestão para eliminá-los[...](pág. 36).


Trauma e defesa psíquica

Freud abandona a prática da sugestão retornando ao método mais investigador de Breuer.
Publicações:

1893-Comunicação preliminar.
1894-As neuropsicoses de defesa.
1895-Estudos sobre histeria.

O procedimento hipnótico era o obstáculo maior ao fenômeno que será transformado num dos pilares da teoria psicanalítica: a defesa.
Freud abandona a hipnose e solicita aos pacientes que procurem se lembrar do fato traumático e verifica que tanto sua insistência quanto os esforços do paciente esbarravam com uma resistência.
“A defesa aparece, assim, como uma forma de censura por parte do ego do paciente à idéia ameaçadora, focando-a manter-se fora da consciência; e a resistência é o sinal extremo dessa defesa” (pág.38).
Defesa: Designa o mecanismo pelo qual o ego se protege de uma representação desagradável e ameaçadora.
A conversão é um mecanismo pelo qual a carga de afeto ligada e essa idéia(ou conjunto de idéias) é transformada em sintomas somáticos(modo de defesa específica da histeria)
Com esses conceitos o objetivo da terapia não poderia consistir simplesmente em produzir a ab-reação do afeto, mas em tornar conscientes as idéias patogênicas possibilitando sua elaboração. (Método catártico para o método psicanalítico).

A sexualidade

O caso Anna O. aliado às experiências de Charcot, nas quais o componente sexual do comportamento das histéricas é evidente "juntamente com a experiência clínica levaram Freud a hipótese de que não era qualquer espécie de excitação emocional que se encontrava por trás dos sintomas neuróticos, mas sobretudo uma excitação de natureza sexual e conflitiva”(pág. 40).






Referência:
in GARCIA-ROZA, A. Freud e o Inconsciente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001, pags 25 a 40.

14 de dezembro de 2008

MP - BA 2008 - PSICÓLOGO

Questão 49

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, DSM-IV, o transtorno da personalidade, que tem como característica essencial um padrão invasivo de déficits sociais e interpessoais, marcado por agudo desconforto e reduzida capacidade para relacionamentos íntimos, além de distorções cognitivas ou perceptivas e comportamento excêntrico, é identificado como Transtorno da Personalidade


A) Esquiva.

é um padrão de inibição social, sentimentos de inadequação e hipersensibilidade a avaliações negativas

B) Paranóide.

é um padrão de desconfiança e suspeitas, de modo que os motivos dos outros são interpretados como malévolos.

C) Esquizotípica.

D) Histriônica.

é um padrão de excessiva emotividade e busca de atenção.

E) Esquizóide

é um padrão de distanciamento dos relacionamentos sociais, com uma faixa restrita de expressão emocional.



Fonte:http://virtualpsy.locaweb.com.br/dsm_janela.php?cod=147


13 de dezembro de 2008

PSICOLOGO EDUCACIONAL-ITABIRA 2008

Questão 30

Sobre o relatório ou laudo psicológico, é CORRETO afirmar que ele

A) certifica uma determinada situação ou estado psicológico, de quem, por requerimento, o solicita por vários motivos. (atestado psicológico)

O solicita com os fins, de:

a. Justificar faltas e/ou impedimentos do solicitante;
b. Justificar estar apto ou não para atividades específicas, após realização de um processo de avaliação psicológica, dentro do rigor técnico e ético que subscreve esta Resolução;
c. Solicitar afastamento e/ou dispensa do solicitante, subsidiado na afirmação atestada do fato, em acordo com o disposto na Resolução CFP nº 015/96

B) é uma apresentação descritiva acerca das situações e/ou condições psicológicas e suas determinações históricas, sociais, políticas e culturais, pesquisadas no processo de avaliação psicológica.

C) é um resumo sobre uma questão focal do campo psicológico cujo resultado pode ser indicativo ou conclusivo.

Parecer: é um documento fundamentado e resumido sobre uma questão focal do campo psicológico cujo resultado pode ser indicativo ou conclusivo.

D) visa informar a ocorrência de fatos ou situações objetivas relacionadas ao atendimento psicológico.

Declaração: É um documento que visa a informar a ocorrência de fatos ou situações objetivas relacionados ao atendimento psicológico



fonte: http://www.crpsp.org.br/a_orien/legislacao/resolucoes_cfp/fr_cfp_007-03_Manual_Elabor_Doc.htm acesso em 13 de dezembro de 2008.

VOLTEI!


Voltei! Estava ocupadíssima, tive uma monografia, um relatório de estágio e um diagnóstico escolar para entregar no mesmo dia!E ainda tinha que lavar o cabelo, respirar e tomar banho, nas horas vagas rsrs.

Promessas de férias:

1.Responder questões da Cespe.
2.Estudar psicanálise
3.Colocar em dia todos os filmes e leituras atrasadas
4.ou não fazer nada até o próximo período.

9 de dezembro de 2008

Oficialmente velho

Neste mês de dezembro completo 70 anos. Pelas condições brasileiras, me torno oficialmente velho. Isso não significa que estou próximo da morte, porque esta pode ocorrer já no primeiro momento da vida. Mas é uma outra etapa da vida, a derradeira. Esta possui uma dimensão biológica, pois irrefreavelmente o capital vital se esgota, nos debilitamos, perdemos o vigor dos sentidos e nos despedimos lentamente de todas as coisas. De fato, ficamos mais esquecidos, quem sabe, impacientes e sensíveis a gestos de bondade que nos levam facilmente às lágrimas,
Mas há um outro lado, mais instigante. A velhice é a última etapa do crescimento humano. Nós nascemos inteiros. Mas nunca estamos prontos. Temos que completar nosso nascimento ao construir a existência, ao abrir caminhos, ao superar dificuldades e ao moldar o nosso destino. Estamos sempre em gênese. Começamos a nascer, vamos nascendo em prestações ao longo da vida até acabar de nascer. Então entramos no silêncio. E morremos.

A velhice é a última chance que a vida nos oferece para acabar de crescer, madurar e finalmente terminar de nascer. Neste contexto, é iluminadora a palavra de São Paulo: "na medida em que definha o homem exterior, nesta mesma medida rejuvenesce o homem interior"(2Cor 4,16). A velhice é uma exigência do homem interior. Que é o homem interior? É o nosso eu profundo, o nosso modo singular de ser e de agir, a nossa marca registrada, a nossa identidade mais radical. Esta identidade devemos encará-la face a face.

Ela é pessoalíssima e se esconde atrás de muitas máscaras que a vida nos impõe. Pois a vida é um teatro no qual desempenhamos muitos papéis. Eu, por exemplo, fui franciscano, padre, agora leigo, teólogo, filósofo, professor, conferencista, escritor, editor, redator de algumas revistas, inquirido pelas autoridades doutrinais do Vaticano, submetido ao "silêncio obsequioso" e outros papéis mais. Mas há um momento em que tudo isso é relativizado e vira pura palha. Então deixamos o palco, tiramos as máscaras e nos perguntamos: Afinal, quem sou eu? Que sonhos me movem? Que anjos que habitam? Que demônios me atormentam? Qual é o meu lugar no desígnio do Mistério? Na medida em que tentamos, com temor e tremor, responder a estas indagações vem à lume o homem interior. A resposta nunca é conclusiva; perde-se para dentro do Inefável.

Este é o desafio para a etapa da velhice. Então nos damos conta de que precisaríamos muitos anos de velhice para encontrar a palavra essencial que nos defina. Surpresos, descobrimos que não vivemos porque simplesmente não morremos, mas vivemos para pensar, meditar, rasgar novos horizontes e criar sentidos de vida. Especialmente para tentar fazer uma síntese final, integrando as sombras, realimentando os sonhos que nos sustentaram por toda uma vida, reconciliando-nos com os fracassos e buscando sabedoria. É ilusão pensar que esta vem com a velhice. Ela vem do espírito com o qual vivenciamos a velhice como a etapa final do crescimento e de nosso verdadeiro Natal.

Por fim, importa preparar o grande Encontro. A vida não é estruturada para terminar na morte, mas para se transfigurar através da morte. Morremos para viver mais e melhor, para mergulhar na eternidade e encontrar a Última Realidade, feita de amor e de misericórdia. Aí saberemos finalmente quem somos e qual é o nosso verdadeiro nome.

Nutro o mesmo sentimento que o sábio do Antigo Testamento: "contemplo os dias passados e tenho os olhos voltados para a eternidade".

Por fim, alimento dois sonhos, sonhos de um jovem ancião: o primeiro é escrever um livro só para Deus, se possível com o próprio sangue; e o segundo, impossível, mas bem expresso por Herzer, menina de rua e poetisa:"eu só queria nascer de novo, para me ensinar a viver". Mas como isso é irrealizável, só me resta aprender na escola de Deus. Parafraseando Camões, completo: mais vivera se não fora, para tão longo ideal, tão curta a vida.

por Leonardo Boff

fonte:http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?cod=36408&lang=PT

7 de dezembro de 2008

Sarcástica, eu?


Se você fala com Deus você é um religioso, se Deus fala com você então você é um psicótico.

Dr. House


Minha mulher e eu temos o segredo para fazer um casamento durar:
Duas vezes por semana, vamos a um ótimo restaurante, com uma comida gostosa, uma boa bebida e um bom companheirismo.
Ela vai às terças-feiras e eu, às quintas.
Nós também dormimos em camas separadas: a dela é em Fortaleza e a minha, em SP.
Eu levo minha mulher a todos os lugares, mas ela sempre acha o caminho de volta.
Perguntei a ela onde ela gostaria de ir no nosso aniversário de casamento, "em algum lugar que eu não tenha ido há muito tempo!" ela disse. Então, sugeri a cozinha.
Nós sempre andamos de mãos dadas... Se eu soltar, ela vai às compras!
Ela tem um liquidificador, uma torradeira e uma máquina de fazer pão, tudo elétrico. Então, ela disse: "nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar".Daí, comprei pra ela uma cadeira elétrica.
Lembrem-se: o casamento é a causa número 1 para o divórcio. Estatisticamente, 100 % dos divórcios começam com o casamento.
Eu me casei com a "senhora certa".Só não sabia que o primeiro nome dela era "sempre".
Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la.
Mas, tenho que admitir: a nossa última briga foi culpa minha.
Ela perguntou: "O que tem na TV?"
E eu disse: "Poeira".

Luís Fernando veríssimo


Bart, com $10.000 nós seremos milionários! Nós poderíamos comprar todo tipo de coisas úteis como…Amor!

Queria que Deus estivesse vivo para ver isso

Homer Simpson


Ás vezes as coisas são apenas coisas

Joacas


Jamais diga uma mentira que não possa provar

Millor Fernandes


O sol nasce para todos, a sombra pra quem é mais esperto

Stanislaw Ponte Preta

O passado não reconhece o seu lugar.Está sempre presente!

6 de dezembro de 2008

Psicólogo Social-Prefeitura de Itabira 2008

Questão 37


Mariano e Muniz (2006) recorrem às contribuições da psicodinâmica do trabalho para analisar a relação entre saúde mental e trabalho das professoras da segunda fase da rede pública do município de João Pessoa (PB).
De acordo com essa abordagem, assinale com V as afirmativas verdadeiras e com F as falsas.

( V) A saúde é, antes de tudo, um fim, um objetivo a ser alcançado.
( V) A saúde, tanto quanto o próprio trabalho, estão por se construir cotidianamente.
( F) O estado de bem-estar social e psíquico é alcançado por meio de um processo composto por dispositivos de regulação que tanto o estabilizam quanto o mantêm.
( F) Saúde mental caracteriza-se pela ausência de sofrimento, por um estado de bem estar social e psíquico.


Segundo Mariano e Muniz (2006) Para os pesquisadores da psicodinâmica do trabalho (DEJOURS et al, 1993), a saúde é, antes de tudo, um fim, um objetivo a ser conquistado. O estado de bem-estar social e psíquico não é entendido como um processo estável, que, uma vez atingido, seja possível de ser mantido, mas como algo de que procuramos constantemente nos aproximar. O ser humano, de forma geral, possui capacidades de variações, tanto orgânicas como psíquicas. Estas variações se apresentam como dispositivos de regulações, já que o organismo humano vive em constante movimento.

A saúde mental, de certa forma, não significa ausência de sofrimento ou de angústia, nem conforto constante e uniforme, pois existem pessoas que, mesmo angustiadas, estão com boa saúde. Neste sentido, “a angústia aparece como um motor, uma força que impulsiona a ação. A angústia contribui, assim, para a formulação dos objetivos, das metas, que uma vez atingidos, atenuam a angústia, mas não a impedem de ressurgir em seguida” (DEJOURS et al, 1993, p.101). O engajamento dos sujeitos nas relações sociais e no trabalho é o que permite contornar as sensações de angústias, provenientes do interior, da história passada dos sujeitos sociais.

No estudo as professoras ao serem abordadas sobre sua saúde no trabalho, parte delas informam que quase não pensam sobre isso, alegando terem pouco tempo para pensar em saúde no trabalho, pois a intensa jornada e a sobrecarga impedem que os mesmos atentem para essa questão mas que o exercício da profissão docente é composto de fatores que comprometem sua saúde física e mental, causando-lhes sofrimento e desgastes que desencadeiam doenças somáticas e psíquicas ou psicossomáticas.

Além disso, algumas professoras afirmam que, após terem ingressado na atividade docente, tiveram alguma complicação no seu quadro de saúde e atribuem o motivo de seu adoecimento às pressões vivenciadas no exercício do magistério, portanto, o acúmulo destas pressões acarreta danos para a saúde dessas trabalhadoras. As Professoras convergem ao informar sobre o aparecimento de alguns sintomas e doenças que se apresentam com maior freqüência no exercício do magistério, tais como: dores musculares, gastrite, problemas na voz (laringite, faringite), alergia, problemas cardiovasculares, cefaléia.


Outro aspecto enfatizado por uma professora é que o trabalho, mesmo com condições desfavoráveis e adversas que comprometem a saúde, também pode se apresentar como um meio de descarregar as tensões do dia-a-dia.

Dentre as dificuldades e pressões vivenciadas como propiciadoras de tensão existentes no trabalho das docentes, chamamos atenção para as seguintes: sobrecarga de trabalho, ausência de material e recursos didáticos (condições de trabalho), clientela assistida (superlotação), não reconhecimento da parte do aluno e desvalorização do magistério.

Diante das pressões existentes na organização do trabalho, as professoras, de forma diversificada, apresentam um conjunto de sentimentos que envolvem a angústia, desgosto, raiva, desesperança, desmotivação, cansaço e estresse. A presença desses sentimentos dá lugar à vivência do sofrimento psíquico na atividade docente, ameaçando desta forma a saúde das trabalhadoras.

Na medida em que as professoras pesquisadas desenvolveram estratégias para suas atividades no trabalho, elas buscaram, na verdade, formas para transformar o sofrimento, canalizando-o para uma vivência de prazer no trabalho. Percebe-se, portanto, que algumas professoras, mesmo trabalhando em condições adversas, expressam o desejo de um comprometimento profissional, em exercer sua atividade guiadas pelo interesse e prazer, o que lhes permite dar um maior sentido e identificação com sua prática educativa.

Porém, verificamos que as professoras desenvolvem estratégias para lidar com estas situações conflituosas como forma de amenizar o sofrimento. Dentre elas, destacamos: descontrair-se mais com os alunos (cantar, conversar, brincar); propostas de trabalho com a equipe técnica e professores que focalizam o alunado e outras dificuldades presentes no trabalho. A busca dessas regulações favorece que as professoras transformem a situação angustiante em força propulsora de mudança.

Identificamos, a partir do relato das professoras, que a relação com os alunos é ambígua, pois da mesma forma que se indica como fonte de sofrimento, a mesma é indicada como fonte de prazer. Como podemos observar, a vivência do prazer no trabalho se apresenta como o único meio viável de enfrentar o sofrimento presente na situação de trabalho. Portanto, verificamos que, apesar das adversidades existentes, as professoras buscam e constroem entre si estratégias, que contribuem para o exercício e manutenção da saúde no trabalho docente.

Referência:

MARIANO, Maria do Socorro Sales e MUNIZ, Hélder Pordeus. Trabalho docente e saúde: o caso dos professores da segunda fase do ensino fundamental. Estud. pesqui. psicol. [online]. jun. 2006, vol.6, no.1 Disponível em http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-42812006000100007&lng=pt&nrm=

5 de dezembro de 2008

PSI

... ser terapeuta é um privilégio. (...) [Sua]... arte é 'tocar' as pessoas. 'Tocar' pela palavra, gesto, afeto, expressão, olhar, mo­vimentos etc., nos seus pontos sensíveis, adormecidos, cristalizados, encantados. Eu consigo 'tocar' quando fui ou estou sendo to­cado por essa mesma pessoa (GUEDES).

4 de dezembro de 2008

DÉJA VU

Nenhuma verdade me machuca
Nenhum motivo me corrói
Até se eu ficar
Só na vontade, já não dói
Nenhuma doutrina me convence
Nenhuma resposta me satisfaz
Nem mesmo o tédio me surpreende mais

PITTY


Definição:

Transtorno de reconhecimento (paramnésia) que dá ao paciente a impressão de já ter visto ou vivenciado anteriormente determinada situação presente e nova. Pode ocorrer em pessoas normais ou em portadores de foco irritativo (disrítmico) temporal.

A sensação é tão enigmática que prima exatamente por surgir tão subitamente quanto o próprio desaparecimento, não sem antes deixar aquele fiozinho de estranheza que incomoda a pessoa enquanto o olhar percorre o local em busca da familiaridade perdida naquele lampejo mental.
A sensação é vista, então, como algo que tem origem física (como o frio sentido pela pele), é experimentada, e que termina por ter conotações psicológicas (o frio remete ao medo, por exemplo), relacionadas a algum acontecimento.

Baseado neste preceito, o Dèjá Vu pode ser visto como um fenômeno possível em uma sociedade que prima por administrar as sensações. Não se é permitido sentir da mesma maneira que tempos atrás, o que acaba por permitir que o estado de familiaridade súbita aflore com mais freqüência.


Explicações distintas de especialistas

Especialistas em neurologia atribuem ao fenômeno o status de ser uma experiência baseada na memória e que os centros de memória do cérebro são os responsáveis pelo fenômeno. Tais sensações acontecem principalmente nas pessoas de 15 a 25 anos e cerca de 60 a 70% das pessoas afirmam que já tiveram o fenômeno alguma vez na vida.
Não se pode deixar de mencionar também as pessoas que atribuem sentido religioso ao Dèjá Vu, principalmente relacionado a vidas passadas. De maneira geral, o fenômeno passa, então, a ter uma dimensão literal do "já vivido", sob a perspectiva de que determinado acontecimento efetivamente aconteceu. Só que em vidas passadas.


Mas eu sinto que eu tô viva
A cada banho de chuva
Que chega molhando o meu corpo
Mas eu não tenho pressa
Já não tenho pressa
Eu não tenho pressa
Não tenho pressa

fonte:

http://www.redepsi.com.br/portal/modules/wordbook/entry.php?entryID=169

http://www.gazetadepiracicaba.com.br/conteudo/mostra_noticia.aspnoticia=1605816&area=26050&authent=7FFFBCAE6171530EBE8BBA72001239

3 de dezembro de 2008

O professor não é o de ensinar mais de ajudar o aluno a aprender.



Um professor não só transfere conhecimentos, não só ensina, um professor também aprende, um professor ajuda na formação de um mundo melhor quando é um exemplo, quando respeita, quando questiona, quando percebe o outro como um indivíduo histórico, que tem nome, tem família, conhece e desconhece , a importância do professor pode ser percebida, pela narração de Paulo Freire em seu livro pedagogia da autonomia:

"Nunca me esqueço, na história já longa de minha memória, de um desses gestos de professor que tive na adolescência remota. Gesto cuja significação mais profunda talvez tenha passado despercebida por ele, o professor, e que teve importante influencia sobre mim. Estava sendo, então, um adolescente inseguro, vendo-me como um corpo anguloso e feio, percebendo-me menos capaz do que os outros, fortemente incerto de minhas possibilidades. Era muito mais mal-humorado que apaziguado com a vida. Facilmente me eriçava. Qualquer consideração feita por um colega rico da classe já me parecia o chamamento à atenção de minhas fragilidades, de minha insegurança.
O professor trouxera de casa os nossos trabalhos escolares e, chamando-nos um a um, delvolvia-os com seu ajuizamento. Em certo momento me chama e , olhando ou reolhando o meu texto, sem dizer palavra, balança a cabeça numa demonstração de respeito e de consideração. O gesto do professor valeu mais do que a própria nota dez que atribuiu a minha redação. O gesto do professor me trazia uma confiança ainda obviamente desconfiada de que era possível trabalhar e produzir. De que era possível confiar em mim mas que seria tão errado confiar além dos limites quanto errado estava sendo não confiar”(Freire, 1996, pág. 43).

1 de dezembro de 2008

TJ-pe -psicólogo 2007

Questão 47.

Sheldon foi o único, entre os teóricos da personalidade, que trabalhou com variáveis que podem ser medidas com uma régua. Depois de várias análises Sheldon concluiu que todas as características físicas podiam ser agrupadas em três componentes, de acordo com a presumida origem embrionária da maioria do tecido do indivíduo na camada exterior, média ou interior. O endomorfo tende a ser um indivíduo

(A) compacto, frágil e atlético.
(B) rijo, atlético e muscular.
(C) mole, carnudo e redondo.
(D) frágil, alto e atlético.
(E) delgado, compacto e atlético.



William sheldon

Psicólogo Americano associou os tipos somáticos dos seres humanos aos traços de personalidade e ao temperamento. Formou-se em 1915 e teve encontros com Freud e com Jung e Kretschmer que tinha iniciado o estudo científico da relação entre o físico e a personalidade. Em 1945, contraiu um cancro e os médicos disseram que viveria mais um ano. Morreu apenas em 1977.
Relação entre tipo físico e tipo de personalidade segundo Sheldon:



Endomorfo :

Tipo Físico:

Macio, redondo
Tendência para gordura corporal
Corpo macio
Músculos subdesenvolvidos
Formas redondas
Sistema digestivo muito desenvolvido



Temperamento:

Viscerotônico:
Gosto pelo conforto
sentimental
hedonista
sociável
Amigável
Necessidade de afeto e aprovação
Amantes de comida
Tolerantes
Amantes do conforto
Bom humor
Relaxados

Mesomorfo

Tipo físico

Forte, muscular, atlético
Tendência para musculatura
Corpo duro
Forma retangular
Pele espessa
Postura direita

Temperamento


Somatotônico:
ativo
energético
orientado ao desempenho agressivo
Aventureiro
Desejo de poder e de dominar
Coragem
Indiferença em relação ao que os outros pensam
Assertivo
Gosto pela atividade física
Competitivo
Amante do risco
Dominador


Ectomorfo

Tipo físico:

delgado, frágil
Magro
Corpo delicado
aparência jovem
Alto
Cérebro grande


Temperamento

Cerebrotônico:
sensitivo
delicado
intelectual
religioso
retraído
Prefere a privacidade
Introvertido
Inibido
Ansioso socialmente
Artístico
Intenso mentalmente Retraído emocionalmente


Referências:

http://entline.free.fr/ebooks_br/00767%20-%20Os%20Tipos%20Humanos_A%20Teoria%20da%20Personalidade.pdf
https://woc.uc.pt/fpce/getFile.do?tipo=2&id=2250

28 de novembro de 2008

Prefeitura São Luiz -2007-Psicólogo

Questão 39.

Com base nos estágios do desenvolvimento psicogenético de Henry Wallon, o período no qual a criança atinge a “consciência de si”, constrói seu eu que se afirmará com o negativismo e crise de oposição para sua adaptação na vida familiar e escolar aos 6 anos, é chamado de:



a) Estágio do personalismo
b) Estágio emocional
c) Estágio impulsivo puro
d) Estágio projetivo
e) Estágio sensório-motor






Figura 4 - Representação dos estágios de desenvolvimento - Wallon, Vygotsky e Piaget. Autora: Mara D. Mazzardo.
Segundo Galvão (1995) os estágios são:

1) Impulsivo-emocional , que ocorre no primeiro ano de vida. A predominância da afetividade orienta as primeiras reações do bebê às pessoas, às quais intermediam sua relação com o mundo físico;

2) Sensório-motor e projetivo , que vai até os três anos. A aquisição da marcha e da apreensão, dão à criança maior autonomia na manipulação de objetos e na exploração dos espaços. Também, nesse estágio, ocorre o desenvolvimento da função simbólica e da linguagem. O termo projetivo refere-se ao fato da ação do pensamento precisar dos gestos para se exteriorizar. O ato mental "projeta-se" em atos motores. Como diz Dantas (1992), para Wallon, o ato mental se desenvolve a partir do ato motor;

3) Personalismo , ocorre dos três aos seis anos. Nesse estágio desenvolve-se a construção da consciência de si mediante as interações sociais, reorientando o interesse das crianças pelas pessoas;

4) Categorial , onde os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para as coisas, para o conhecimento e conquista do mundo exterior;

5) Predominância funcional, onde ocorre nova definição dos contornos da personalidade, desestruturados devido às modificações corporais resultantes da ação hormonal. Questões pessoais, morais e existenciais são trazidas à tona. 

Curso de Educação infantil


Referências:
http://www.neaad.ufes.br/subsite/psicologia/obs18etapas%20de%20desenvolvimento.htm

http://br.geocities.com/educacao_infantil05/desenvol.html

Ai! Que dó(r)

Gente! Acho que sou um caso clínico.Estou sendo observada! Sou objeto de discussões acadêmicas?!


Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha
quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos
sobre um capacho por sacudir.


Álvaro de Campos


UMA HISTÓRIA DE TANTO AMOR

Era uma vez uma menina que observava tanto as galinhas que lhes conhecia a alma e os anseios íntimos. A menina possuía duas só dela. Uma se chamava Pedrina e a outra Petronilha. Um dia a família resolveu levar a menina para passar o dia na casa de um parente, bem longe de casa. E quando voltou, já não existia aquela que em vida fora Petronilha. Sua tia informou-lhe:
-Nós comemos Petronilha.

A menina era criatura de grande capacidade de amar: uma galinha não corresponde ao amor que se lhe dá e no entanto a menina continuava a amá-la sem esperar reciprocidade. Quando soube o que acontecera com Petronilha passou a odiar todo o mundo da casa, menos sua mãe que não gostava de comer galinha e os empregados que comeram carne de vaca ou de boi. O seu pai, então, ela mal conseguiu olhar: era ele quem mais gostava de comer galinha. Sua mãe percebeu tudo e explicou-lhe:
-Quando a gente come bichos, os bichos ficam mais parecidos com a gente, estando assim dentro de nós. Daqui de casa só nós duas é que não temos Petronilha dentro de nós. É uma pena.

Pedrina, secretamente a preferida da menina, morreu de morte morrida mesmo, pois sempre fora um ente frágil. Um pouco maiorzinha, a menina teve uma galinha chamada Eponina.

O amor por Eponina: dessa vez era um amor mais realista e não romântico; era o amor de quem já sofreu por amor. E quando chegou a vez de Eponina ser comida, a menina não apenas soube como achou que era o destino fatal de quem nascia galinha. As galinhas pareciam ter uma pré-ciência do próprio destino e não aprendiam a amar os donos nem o galo. Uma galinha é sozinha no mundo.

Mas a menina não esquecera o que sua mãe dissera a respeito de comer bichos amados: comeu Eponina mais do que todo o resto da família, comeu sem fome, mas com um prazer quase físico porque sabia agora que assim Eponina se incorporaria nela e se tornaria mais sua do que em vida. Tinham feito Eponina ao molho pardo. De modo que a menina, num ritual pagão que lhe foi transmitido de corpo a corpo através dos séculos, comeu-lhe a carne e bebeu-lhe o sangue.

(LISPECTOR, Clarice, “Felicidade Clandestina”: contos / Rio de Janeiro: Rocco, 1998)(adaptada para o blog) .

27 de novembro de 2008

Questão de Concurso - Psicanálise

Prefeitura Glória do Goitá - Pe -2008

Questão 39.

“O ego procura afastar o desejo que vai em determinada direção, e, para isto, o indivíduo adota uma atitude oposta a este desejo.”

A descrição acima é uma característica de:

a) Ego.
b) Realidade psíquica.
c) Formação reativa.d) Racionalização.
e) Método catártico.

Histórico

Foi inicialmente descrito com o nome de “sintoma primário de defesa” em Observações Adicionais sobre as Neuropsicoses de Defesa (Edição Standard da Obra Psicológica Completa de Sigmund Freud, vol. III; Ed. Imago, R.J.).


Mecanismo pelo qual a pessoa vai expressar uma tendência oposta ao que estava expresso anteriormente. É um traço de caráter que representa o exato oposto do que seria naturalmente esperado pela expressão de tendências libertadas, um traço desenvolvido para manter a repressão destes impulsos e para negar e mascarar tendências da personalidade que existiram de uma forma oculta. 


Fonte:http://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0212.pdf
http://www.medicinapsicossomatica.com.br/glossario/formacao_reativa.htm
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