13 de agosto de 2015

O Tratamento da depressão e o uso de antidepressivos

Como tratar a depressão?

Não se trata a depressão, mas sim pacientes deprimidos, o tratamento deve ser entendido de uma forma globalizada levando em consideração o ser humano como um todo, os pacientes devem ser contextualizados em seus meios sociais e culturais compreendidos nas suas dimensões biológicas e psicológicas.
As intervenções psicoterápicas podem ser de diferentes formatos, fatores que influenciam o sucesso do tratamento em geral incluem: a motivação do paciente, se a depressão é leve ou moderada, ambiente estável e capacidade para o insight, além de mudanças no estilo de vida que são debatidas com o paciente objetivando a melhor qualidade de vida.
Antidepressivos produzem em média uma melhora dos sintomas depressivos de 60% a 70% no prazo de um mês, enquanto a taxa de placebo é em torno de 30%.
Pesquisas apontam que a utilização de psicoterapia no tratamento da depressão é amplamente indicada, tanto em casos de intensidade leve e moderada quanto em casos mais graves. Em um estudo de revisão acerca da eficácia da psicoterapia e da farmacoterapia no tratamento da depressão em idosos, Scazufca e Matsuda (2002) encontraram que tratamentos com psicoterapia combinada ou não com medicação foram considerados mais eficazes do que tratamentos farmacoterapêuticos para a depressão maior.

Qual o melhor antidepressivo?

Todas as classes de antidepressivos tem eficácia similar, portanto a escolha do antidepressivo deve ser baseada nas características da depressão, efeitos colaterais, risco de suicídio, outros distúrbios clínicos, terapia concomitante, tolerabilidade, custo, danos cognitivos e etc.

Efeitos colaterais:

A principal variável relacionada a não adesão são os efeitos colaterais que dependem do tipo de medicamento e da dose.
É necessário antes de iniciar a terapia investigar a consistência de distúrbios decorrentes do uso de substância e outras condições médicas que estão sendo tratadas para evitar interações medicamentosas.
A hipomania é uma complicação que atinge de 5% a 20 % dos pacientes.
No tratamento com anticolinérgicos (Biperideno, triexifendil e etc.) os efeitos colaterais mais frequentes são tontura, sedação, alterações cognitivas e comprometimento subclínico da memória. Os de Bloqueio muscaríneo (Atropina, Diciclomina, ciclopentolato e outros) apresentam boca seca, visão turva, constipação e esforço para urinar.
Antidepressivos tricíclicos (amitripitilina, imipramina, notriptilina e outros), Inibidores de MAO(Tranilcipromina, moclobemida) e lítio tem o ganho de peso como efeito colateral mais frequente.
Nos ISRSs (Inibidores seletivos recapitação de serotonina) perda das funções de ereção e ejaculação no homem, perda da libido e anorgasmia em ambos os sexos, ex: Fluoxetina, paroxetina, sertralina, citalopram, fluvoxamina
Indução a convulsão pode ser atribuída a alguns antidepressivos, mas com risco menor de 1%, porém pode aumentar com o aumento da dose.
Antidepressivo tricíclico, trazodona e inibidores de MAO provocam hipotensão ortotática como principal efeito cardiovascular
Distúrbios do sono e ansiedade podem ser exacerbados por fluoxetina em alguns pacientes, desipramina e bupropion podem aumentar a ansiedade.

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O tratamento com antidepressivo:

O tratamento é dividido usualmente na fase aguda, continuada (por 6 meses) e preventiva (após 6 meses). As doses de continuação devem ser as mesmas ou próximas as doses terapêuticas, em pacientes idosos a terapia de continuação pode continuar até 2 anos após a melhora.
O tratamento adequado requer não só a melhora dos sintomas, mas também a observação de quais sintomas retornam no período de manutenção (recaída).

As seguintes variáveis devem ser consideradas:

1.    Eliminar as causas contribuintes: as ambientais, agentes físicos, ou outras drogas ex: excesso de cafeína
2.    Aumentar a dosagem do antidepressivo aos níveis terapêuticos, considerando a resposta e a tolerância do paciente.
3.    Se a depressão continua após quatro semanas de dosagem terapêutica, outro antidepressivo deve ser tentado.
Mudar o antidepressivo antes de três semanas deve-se a ansiedade da família, do médico, ou dos dois juntos, o paciente deve ser orientado para aguardar pelo menos três semanas, um incremento nas sessões psicoterápicas pode ser indicado, e se necessário, a prescrição de um ansiolítico.

Antidepressivos causam dependência ou síndrome de retirada?

Síndrome de descontinuação e retirada tem sido mencionada na literatura, incluindo alterações somáticas e gastrintestinais, alterações do sono, distúrbios de movimento e hipomania, esses sintomas aparecem de 1 a 14 dias após o fim do tratamento e melhora em uma semana, não deve ser confundida com a recorrência da depressão que começa em média de 3 a 15 semanas após o termino da utilização do antidepressivo, o tratamento dos sintomas incluem: reinstalação de baixas doses do antidepressivo, uso de anticolinérgicos para alivio de sintomas ou simplesmente o ato de esperar.
Os antidepressivos devem ser prescritos indefinidamente?
A associação psiquiátrica americana sugere pelo menos 16 a 20 semanas com doses completas após melhora ou remissão completa.
A OMS sugere 6 meses ou mais após melhora pois 50% a 85% de pacientes que sofreram episódios de depressão aguda irão ter outro dentro de 2 ou 3 anos se não for tratado, pacientes com episódios prévios de depressão apresentam risco dez vezes maior de recorrência em relação aqueles que não apresentam um episódio prévio e aumenta para quatorze vezes a dezoito vezes aqueles que tiveram mais de um episódio prévio de depressão.
Devem se avaliar essas e outras informações além da intensidade e frequência dos episódios depressivos atuais e anteriores antes de tomar uma decisão acerca do tempo da terapia.

Os antidepressivos perdem eficácia?

A perda da eficácia durante o tratamento de manutenção tem sido relatada algo entre 9% e 33% dos pacientes. As razões podem incluir: falta de adesão, perda da resposta placebo inicial, perda do efeito da droga, tolerância farmacológica, acumulação de metabólicos, mudança na patologia da doença, cicladores rápidos, perda da eficácia profilática.
Estratégias para superar este problema incluem: aumento da dose, diminuição da dose de modo que fique na janela terapêutica, adição de bromocriptina, potencialização por estabilizadores do humor e anticonvulsivantes, uso de hormônios tireoidianos, mudança para uma classe diferente de droga e garantia da adesão.

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O uso do ECT(eletroconvulsoterapia) é ultrapassado?

Não, o uso em depressões graves com risco de suicídio, características psicóticas e em grávidas, pode ser administrada de forma ética com anestesia, pessoal treinado e ambiente apropriado, os principais efeitos são cognitivos.

Quando hospitalizar o indivíduo com depressão?

Quando houver risco de suicídio, homicídio, quando falta ao paciente suporte psicossocial e/ou quando há abuso de substância grave ou o paciente não coopera.

Qual o futuro da terapia antidepressiva?

Espera-se que novas drogas estarão disponíveis no mercado com uma nova abordagem atuando no interior das células, já que hoje a ação se situa no nível das sinapses.


FONTE:
Souza, F. G. M. (1999). Tratamento da depressão. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo. Disponível em:
SANTIAGO, Anielli; HOLANDA, Adriano Furtado. Fenomenologia da depressão: uma análise da produção acadêmica brasileira. Rev. abordagem gestalt.,  Goiânia ,  v. 19, n. 1, jul.  2013 .   <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.phpscript=sci_arttext&pid=S180968672013000100006&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  09  jul.  2015.

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