30 de janeiro de 2009

A interpretação dos sonhos-O simbolismo nos sonhos.

"Etimologicamente, a palavra ‘símbolo’ vem do grego (symbolon) e era empregada, dentre outras maneiras, para designar as duas metades de um mesmo objeto partido que se aproximavam" (pág. 72.).

O emprego do termo expressa não uma qualidade de objeto, mas uma relação. Desde Aristóteles, é visto como um signo convencional. "É essa natureza convencional do símbolo que, para além das divergências teóricas, pode ser apontada como sua característica fundamental" (idem).
Um signo representa alguma coisa (seu objeto). Em função da relação com o objeto, ele pode ser denominado índice, ícone ou símbolo.

Índice: quando mantém uma relação direta com o objeto que ele representa. Ex: uma rua molhada pode ser índice ou sinal de que choveu.
Ícone: Quando sua relação com o objeto é de semelhança. Ex: um retrato e um retratado.
Símbolo: Quando sua relação com o objeto é arbitrária ou convencional, isto é, não-natural Ex: As palavras.

É seu caráter arbitrário que o faz ser tomado em sentido amplo, sua arbitrariedade mostra o fato de que ele não pertence ao universo físico ou biológico e sim ao universo do sentido.
O primeiro emprego que Freud faz da noção se símbolo é em seu artigo as neuroses de defesa (1894), como sinônimo de símbolo mnêmico ou sintoma histérico funcionando "como ‘símbolo’ de um traumatismo patogênico" (pág. 74).

Freud faz uso mais tarde no sentido de "ato sintomático simbólico", a diferença é que no ato sintomático simbólico detectamos uma analogia de conteúdo entre o signo e o referente, enquanto no símbolo mnêmico não existe qualquer semelhança; aqui o signo associa-se ao ato traumático temporariamente.

Em a interpretação de sonhos Freud fala dos ‘elementos mudos’ do sonho "a existência desses símbolos foi-lhe sugerida pelo fato de que certos desejos ou certos conflitos eram representados no sonho de forma semelhante, independentemente do sonhador" (pág. 75).

Encontram-se esses símbolos não apenas nos sonhos, mas, nas artes, mitos, religião, onde existe uma constância da relação entre o símbolo e o simbolizado, o que faz com que sejam exigidos duas formas de interpretação: uma que faz uso das associações fornecidas pelo paciente e outra diretamente sobre os símbolos.

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Resumindo
1. Decifra-se o sentido do sonho através das associações que o sonhador realiza: o código é privado.
2. No caso dos sonhos que empregam símbolos, o sonhador se serve de algo já pronto, o símbolo utilizado pertence à cultura e seu significado transcende o sonhador.


in GARCIA-ROZA, A. Freud e o Inconsciente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001, pags 69 a 76.

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