20 de janeiro de 2009

A religião no divã

“O escritor e psiquiatra Viktor Frankl costuma perguntar a seus pacientes quando estão sofrendo muitos tormentos grandes e pequenos ‘Por que não opta pelo suicídio?’ É a partir das respostas a esta pergunta que ele encontra, freqüentemente, as linhas centrais da psicoterapia a ser usada.”( Gordon W. Allport, Prefácio do livro em busca de sentido, Viktor Frankl )


Ateu convicto, o pai da psicanálise, Sigmund Freud, dizia em seus artigos que a religião era uma neurose. E por muito tempo a Psicologia agiu como se as crenças espirituais não lhe dissessem respeito. Desde o fim do século XIX, o assunto vive períodos intercalados de interesse e abandono por parte da comunidade científica. Ultimamente tem ganho cada vez mais espaço nas universidades, onde vêm sendo criadas inclusive associações religiosas de psicólogos. ''A necessidade de trazer o tema para debate partiu dos próprios profissionais'', explica a coordenadora do Seminário Psicologia e Religião, do programa de pós-graduação de Psicologia Clínica da PUC de São Paulo, Marília Ancona Lopes. ''Afinal, esses psicólogos também têm suas crenças e o conflito com as teorias psicológicas pode trazer sofrimento e dificultar o atendimento aos pacientes.'' Iniciado em 1997 com apenas sete alunos, o grupo de estudos sob o comando de Marília vem crescendo a cada ano. Hoje conta com 75 estudantes.


Os primeiros conflitos aparecem na universidade, como constatou a tese de doutorado da psicóloga Marta Helena de Freitas, defendida na Universidade de Brasília (UnB), em 2002. Intitulada ''Crença religiosa e personalidade em estudantes de Psicologia'', a pesquisa foi realizada com 52 alunos do curso de Psicologia da Universidade Católica de Brasília. ''Na faculdade, o estudante aprende que tudo em que ele acredita é uma doença, e ele tem receio de ser criticado ao assumir sua religião'', destaca. Os mais conflitados são os que seguem desde a infância uma doutrina imposta pela família. Aqueles que fizeram uma escolha própria lidam melhor com a situação.

Deixar de lado crenças pessoais na hora de clinicar é a chave para não misturar valores próprios aos problemas que o paciente revela no divã. Mas nem todos aceitam essa prescrição. Uma onda iniciada nos Estados Unidos com terapeutas ligados a grupos religiosos surgiu há alguns anos, propondo-se, entre outras coisas, a ''curar'' gays - embora o homossexualismo não seja mais considerado doença, e as supostas mudanças de orientação sexual apresentadas como resultado dos tratamentos nunca tenham sido provadas.

Ser praticante de uma religião ou não é uma questão pessoal do profissional, mas tentar influenciar o paciente para seguir alguma crença é falta de ética considerada gravíssima, como explica a presidente do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP), Ana Bock. ''Se houver uma denúncia sobre essa conduta, o profissional poderá receber desde uma advertência até ter seu registro cassado. Ana diz que vem aumentando o número de processos éticos nos quais o psicólogo é acusado de pressionar o paciente a adotar sua perspectiva religiosa. Por outro lado, segundo ela, também cresce o número de especialistas que buscam orientação sobre como colocar de lado sua crença na hora da consulta. ''De cada dez casos, dois envolvem questões de orientação inadequada em relação à religião. Há cinco anos, essas denúncias nem apareciam.''


Para Ana Bock, entidades religiosas como a Associação Católica de Psicólogos e Psiquiatras, com 800 membros, e a Associação Brasileira de Psicólogos Espíritas (Abrape), com 478 integrantes, são interessantes canais de debate. No entanto, para não restar dúvida do espaço que a religião deve ocupar no trabalho terapêutico, um novo código de ética da categoria será lançado em 2005.


“Art. 2º – Ao psicólogo é vedado: b) Induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções profissionais;”(CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO,2005)

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG63796-6014,00-A+RELIGIAO+NO+DIVA.html (2004) .Acesso 19 de janeiro de 2009.

CONSELHO FEDERAL, Psicologia. Código de Ética Profissional do Psicólogo. Brasília: CFP, 2005.

FRANKL, V.E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração.

2 comentários:

Anônimo disse...

Um bom teste (psicológico, até) para quem quiser saber ter condições de ingressar na UFPE: Em uma festa, cada um dos participantes cumprimenta cada um dos demais, uma vez. Qual o
número de cumprimentos entre dois homens?

Veja se acertou, lendo quesito 11, UFPE/2009,
http://www.pbt.com.br/covest/uploads/anexos/Matematica.pdf

Tiago Tatton disse...

quem quiser conhecer mais sobre o tema da psicologia e religião, visite meu blog:

www.devaneiosdotatton.blogspot.com

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