10 de novembro de 2015

René Spitz Parte II


3.A FASE DO OBJETO LIBIDINAL PROPRIAMENTE DITO

·      Ansiedade 8° mês
·      É o Segundo organizador
· Recusa de contato da criança, de maior ou menor intensidade, frente a um desconhecido.
·  Uma ansiedade de perda de objeto - a criança reage assim diante da face de um estranho porque se sente privado da mãe.

      Mudanças acarretadas pelo estabelecimento do segundo organizador:

a)Na esfera somática (a mielinização das vias neurais torna possível o funcionamento diacrítico do mecanismo sensorial).
b) No Sistema mental: ativação de operações mentais e as sequências de ações dirigidas e cada vez mais diversificadas; funcionamento dos mecanismos do ego.
c)  Na organização psíquica: As descargas dirigidas diminuem o nível de tensões no sistema psíquico; consegue-se uma distribuição melhorada na economia psíquica. Isso facilita a realização voluntária e dirigida da obtenção de prazer

  • As manifestações de desprazer tornam-se cada vez mais estruturadas e inteligíveis.
  • Com isto a criança dominou o apelo: a capacidade de voltar-se para o meio que a circunda e de assinalar suas necessidades, a criança pode transmitir signos, voluntários e deliberadamente.
  • As duas partes da experiência - O choro de fome e a satisfação que se segue, passam a ter ligação na memória da criança. Dois traços de memória estabelecidos e reforçados por uma conexão afetiva que podem ser compreendidos sob a perspectiva do Estágio da Onipotência Infantil O sentimento de onipotência é um estágio inicial do sentido de realidade.
  • No primeiro estágio da ansiedade, o de estados de tensão psicológica, uma reação de desprazer é manifestada quando a tensão interna perturba o estado de equilíbrio. No segundo estágio, a reação de medo é provocada por um objeto de percepção com o qual a criança já teve uma ligação anterior de experiência de desprazer. Quando a criança experimenta outra vez este objeto de percepção investido de desprazer, responde com uma reação impetuosa.
  • A ansiedade dos 8 meses é bastante diferente do comportamento de medo, a ansiedade que demonstra não é uma resposta à memória de uma experiência desagradável com um estranho; é uma resposta à sua percepção de que a face do estranho não é idêntica aos traços de memória da face materna. Isto ilustra a operação de apercepção
Curso de Psicanálise

A comunicação humana é terceiro organizador da psiquê

·         A criança luta pela autonomia e consegue sair do alcance da mãe, a intervenção materna terá que se basear, cada vez mais, no gesto e na palavra.
·         Enquanto fala a palavra "não", a mãe balança a cabeça, enquanto impede a criança de fazer o que estava pretendendo.O meneio negativo de cabeça e a palavra "Não" constituem os primeiros símbolos semânticos a aparecer no código de comunicação semântica da criança. Representam um conceito; o conceito de negação, de recusa, no sentido estrito do termo. Não é apenas um sinal, mas também um signo da atitude da criança, consciente ou inconsciente.

A dinâmica que leva á aquisição do gesto semântico do "não" é a seguinte:

    1. O gesto de meneio negativo da cabeça e a palavra "não" pronunciada pelo objeto libidinal são incorporados ao ego da criança, como traços de memória.
       2. A carga afetiva de desprazer separa-se desta representação - essa separação provoca um impulso agressivo que será então ligado por associação ao traço de memória no ego. 
       3. A identificação com o agressor será seguida por um ataque contra o mundo exterior.
       4. Devido a numerosas experiências de desprazer - O "não" é investido com investimento agressivo.
      5. Isso torna o não apropriado para expressar a agressão.
     6. Começa a Fase de teimosia da criança.

  • Na mesma idade em que se adquire o gesto "não", por volta do décimo quinto mês de vida", a separação entre os sistemas não está tão firmemente estabelecida como ficará mais tarde
  •   Vários meses depois, quando a palavra "não" é também incorporada na memória como uma representação de palavre, a separação entre as representações inconscientes de coisa e as representações pré-conscientes de palavra já estarão mais desenvolvidas.
Curso de Psicanálise Lacaniana


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